5 perguntas sobre o mercado de bilhões de dólares por trás do recurso de pagamento do WhatsApp – 17/06/2020

5 perguntas sobre o mercado de bilhões de dólares por trás do recurso de pagamento do WhatsApp - 17/06/2020

A plataforma de conversação anunciou a implementação de um sistema de pagamento dentro do próprio aplicativo e o Brasil será o primeiro país com serviço.

Desde segunda-feira (15/6), quando foi anunciado o lançamento de sua própria plataforma de pagamento no WhatsApp, o problema teve repercussões nas redes, com muitas pessoas comemorando e outras fazendo perguntas.

O aplicativo de bate-papo começou a implementar um sistema que permitirá transferências para outras pessoas e pagamentos com cartão de crédito e débito no aplicativo. Atualmente, apenas algumas contas têm acesso ao serviço, que estará gradualmente disponível para todos os usuários, afirma a empresa.

“Ao simplificar o processo de pagamento, esperamos ajudar a atrair mais negócios para a economia digital e criar mais oportunidades de crescimento”, anunciou a empresa. Ainda não está previsto quando o serviço estará disponível para todos.

A nova função é um investimento do Facebook, empresa proprietária do WhatsApp, no mercado de pagamentos com cartão de crédito que movimentou R $ 297 bilhões no Brasil apenas nos primeiros três meses de 2020, segundo a Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartões de crédito) Crédito e serviços).

Entenda em cinco perguntas o que está por trás deste lançamento e como o novo serviço WhatsApp funcionará.

Por que o Brasil é o primeiro país em que o WhatsApp implementará o serviço?

Antes de anunciar o serviço no Brasil, o WhatsApp vinha testando pagamentos na Índia, onde possui mais de 400 milhões de usuários, há meses. No entanto, dificuldades com o sistema regulatório no país asiático levaram a atrasos no lançamento do serviço para um público mais amplo.

O anúncio na segunda-feira de que o sistema seria lançado no Brasil criou uma surpresa no setor. A empresa diz que a motivação é que “o WhatsApp é amplamente utilizado no Brasil, tanto por indivíduos quanto por pequenas empresas” e que a intenção é expandir para outros países posteriormente.

“Acreditamos que os pagamentos digitais podem apoiar o desenvolvimento econômico no Brasil, estimulando a inovação e facilitando a transferência de dinheiro entre pessoas em todo o país”, afirma a empresa em nota.

“Sabemos que os usuários locais adoram o WhatsApp e entendemos que o fornecimento desse recurso pode ajudar a acelerar a conscientização e a adoção de pagamentos digitais”.

A empresa também cita mais de 10 milhões de pequenas empresas no país, área em que investe há algum tempo, com o lançamento do WhatsApp Business (conta exclusiva para empresas), por exemplo. Por meio da conta comercial, os usuários puderam exibir seus produtos e conversar com os clientes, mas não puderam receber pagamentos.

“Os pagamentos por meio do WhatsApp facilitam as operações em momentos difíceis como esses, além de ajudar o crescimento e a recuperação financeira dessas empresas”, diz o WhatsApp.

Qual é o tamanho do mercado (em valores ou número de transferências) que o WhatsApp pretende alcançar com o serviço?

O WhatsApp não divulga o tamanho das ações que espera ganhar no mercado de transações online no Brasil. Mas o potencial é grande: a plataforma de bate-papo atualmente tem mais de 2 bilhões de usuários em todo o mundo, mais de 120 milhões deles no Brasil.

No ano passado, o WhatsApp foi o aplicativo móvel mais utilizado no país, segundo a empresa de monitoramento App Annie.

Além disso, o potencial das transações com cartão de crédito também é enorme: os cartões de crédito movimentaram quase R $ 1,16 bilhão em 2019, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Serviços e Cartões de Crédito (Abecs). Isso equivale a mais de 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do ano.

Esse número de transações inclui pagamentos por máquina pessoalmente e efetuados on-line, usando métodos de pagamento conhecidos como “gateways”, como PayPal, PagSeguro e MercadoPago.

Com a associação da Cielo, o WhatsApp será outro desses gateways, mas, de acordo com o que foi publicado até agora, ele funcionará apenas no próprio aplicativo, sem a possibilidade de incorporá-lo a outros sites.

O uso de vendas do serviço aumentou na pandemia. Segundo o Google Trends, a pesquisa combinada de “WhatsApp” e “Vendas” cresceu 25% entre abril e junho de 2020, em comparação ao primeiro trimestre.

Não consegue pagar pelo WhatsApp para facilitar golpes e fraudes pelo aplicativo? Meus dados serão protegidos?

A preocupação com a proteção de dados é fundamental para um serviço como esse, explica o advogado Guilherme Dantas, especialista financeiro da SiqueiraCastro. “E as agências reguladoras estão vendo isso”, diz ele.

A Cielo, que está associada ao WhatsApp no ​​novo sistema de pagamento, foi notificada esta semana pela Secretaria Nacional de Consumidores (Senacon), uma agência do Ministério da Justiça, para explicar a suposta extração incorreta de informações do consumidor de máquinas de cartão. .

O Facebook, dono do WhatsApp, também foi alvo de autoridades por vazamento de dados do usuário, mas mudou seus protocolos e diz que resolveu o problema depois escândalo envolvendo Cambridge Analytica, que usaram informações de mais de 50 milhões de pessoas, sem o seu consentimento, em serviços de propaganda política.

Desde então, o CEO do Facebook, Mark Zuckenberg, pediu desculpas pelo caso e fez alterações e reformas para corrigir “os erros”, que a empresa afirma permitir o uso indevido dos dados. O Facebook também implementou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia em todas as partes do mundo em que opera.

Quanto a possíveis golpes e golpes, o WhatsApp diz que seus pagamentos “foram criados priorizando recursos de segurança”.

A empresa também recomenda que todos os usuários no Brasil habilitem a autenticação em duas etapas para segurança adicional da conta. “E lembramos que as pessoas nunca compartilham sua senha com outras pessoas”, diz a empresa, em nota, lembrando também que cada pagamento exigirá uma senha ou impressão digital.

O WhatsApp também diz que não recebe, transfere ou armazena fundos durante o processamento da transação. “Se um usuário tiver um problema, o banco terá um registro da transferência e poderá prestar assistência às vítimas de fraude. Ele também será identificado no extrato bancário como” FBPAY WA “e incluirá o destinatário”, explica ele.

“É importante reforçar que todas as transferências são registradas pelos bancos parceiros, para que haja um registro de todas as transações. Além disso, estabelecemos limites para o valor que pode ser transferido por transação, por dia e por mês”, diz a empresa.

Se houver crimes, como fraudes, que ocorrem dentro da plataforma, a empresa diz que o WhatsApp “responde a solicitações legais válidas da aplicação da lei em situações em que há uma investigação por esses crimes”.

O serviço é regulamentado pelo Banco Central? Como funciona a regulamentação?

O advogado Gabriel Dantas explica que já existe uma provisão na legislação para esse tipo de serviço: é regulamentada pela Lei 12.865 / 2013, que trata das formas de pagamento eletrônico.

O pagamento no WhatsApp será feito com cartões de débito ou crédito de marcas existentes, como Visa e Mastercard.

“Na prática, será outra forma de pagamento online, como as que já existem, como a PicPay”, explica Dantas.

“Então o anúncio foi uma surpresa, o impacto das notícias foi excelente, mas elas não estão exatamente inventando a roda, é mais um agente de um mercado em expansão”, diz ele.

Foi uma surpresa positiva, na opinião da Dantas, porque aumenta a concorrência no mercado, o que é positivo para o consumidor.

“E não é apenas o pagamento online que cria concorrência, mas também a concorrência com os bancos, que estão por trás dos métodos tradicionais de pagamento”, explica ele.

No segundo, o Banco Central, que regula o sistema financeiro, emitiu uma nota dizendo que estava considerando integrar o serviço WhastApp no ​​Pix, um programa de transferência instantânea criado pelo próprio BC, mas que, por enquanto, monitorará seu desenvolvimento. .

A preocupação do BC, explica Dantas, é o fato de a iniciativa WhatsApp ser encerrada, apenas para transações dentro do aplicativo.

Outra preocupação do BC, segundo Dantas, é que “o WhatsApp está dando preferência a um agente no mercado, que é a Cielo”.

Mas, segundo ele, outros agentes podem tentar fazer parte da iniciativa e, se o WhatsApp parar, o BC e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) podem ser procurados para garantir o acesso.

O Tribunal aceita doações eleitorais por esse meio?

Como o aplicativo mais popular no Brasil, o WhatsApp foi amplamente utilizado durante as eleições, tanto em campanhas legítimas quanto espalhando notícias falsas.

Esse cenário levou muitas pessoas a questionar como a nova função de pagamento poderia ser usada em um contexto eleitoral.

Inicialmente, devido à forma como foi anunciado, o WhatsApp Pay não pode ser usado para doações eleitorais, explica Michel Bertoni, advogado especializado em direito eleitoral e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB / SP.

Existem duas maneiras pelas quais as campanhas eleitorais recebem doações de débito e crédito permitidas pelo tribunal: através do site da campanha e em sites de financiamento coletivo, explica Bertoni.

De acordo com as regras de financiamento da campanha, em ambos os casos, o pagamento deve ser feito no próprio site, usando métodos de pagamento (gateways) que podem ser incorporados ao site; alguns métodos de pagamento on-line permitem essa função, como PayPal e PagSeguro, por exemplo.

Mas, pelo menos de acordo com o que o WhatsApp lançou até agora, o pagamento do aplicativo será de conta para conta, ou seja, sem a possibilidade de incorporar o pagamento em um terceiro lugar.

Além disso, explica Bertoni, existem outras regras que devem ser seguidas, como a possibilidade de emissão de recibo eleitoral, com a identificação do CPF e o nome do doador.

“Dentro do que o WhatsApp se propõe a fazer hoje, não seria possível doar para uma campanha pelo WhatsApp”, explica o advogado. “Se interessada, a plataforma teria que encontrar uma maneira de criar uma solução técnica, como um plug-in, que pudesse ser incorporada aos sites”.

Em outras palavras: na configuração anunciada, qualquer doação feita para campanhas eleitorais através do WhatsApp será ilegal e você pode até configurar a caixa dois.

No entanto, será possível que as campanhas efetuem pagamentos via WhatsApp, se forem realizadas com o cartão da campanha e o CNPJ e forem devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

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