A ajuda veio em abundância quando um menino faminto chamou a polícia pedindo ajuda no Brasil

Miguel Barros estava com fome, assim como sua família. Então, como último recurso, ele chamou a polícia para pedir ajuda. Ele nunca imaginou que sua situação se tornaria viral e que sua família acabaria com quantidades de comida além de seus sonhos.

A família Barros, formada por uma mãe de oito filhos que tentava cuidar de seis filhos que moravam com ela, estava à beira da fome quando Miguel, de 11 anos, chamou a polícia sentindo dores de fome.

Hoje, a família mal sabe onde esconder as montanhas de comida em sua cozinha, depois que Miguel Barros, 11, um de oito irmãos, ficou chocado em todo o Brasil quando chamou a polícia para denunciar: “Não temos nada para comer”.

Miguel, cuja mãe estava alimentando seus filhos com farinha de milho e água por três dias, a única comida que a família tinha, fez uma ligação triste em 2 de agosto de 2022 para os serviços de emergência brasileiros.

Quando o despachante lhe perguntou qual era a sua emergência, o menino magricela e rijo respondeu: “Sr. Polícia… é porque não há nada para comer na minha casa”.

O despachante disse que enviaria uma patrulha para a casa da família em Santa Luzia, nos subúrbios pobres de Belo Horizonte.

Quando os policiais chegaram à pequena casa com o quintal de terra em deterioração, eles pensaram que poderiam encontrar um caso de negligência infantil.

Em vez disso, eles encontraram uma história que se tornou muito comum na maior economia da América Latina: uma mãe amorosa, mas pobre, lutando para alimentar sua família enquanto os preços dos alimentos disparam e a renda diminui.

Os policiais foram ao supermercado e voltaram com uma carga transbordante de alimentos, inclusive lotes doados pelo dono da loja, que foi informado da situação da família.

A imprensa local então pegou a história e Miguel se tornou viral.

Doações de alimentos e dinheiro começaram a chegar de todo o Brasil e além, transformando a cozinha da família antes vazia em um minimercado lotado.

“Chegou muita comida, muita comida diferente, nem sei o que é”, sorri Miguel, abrindo um armário gloriosamente cheio.

‘fome dói’

A mãe de Miguel, Celia, tem 46 anos e é mãe solteira de oito filhos, seis dos quais, dos nove meses aos 17 anos, ainda vivem com ela.

Desempregada, ela trabalhou em biscates até a pandemia de coronavírus, quando o emprego desapareceu, diz ela.

“Nós sofremos muito. Eu nunca vou esquecer isso enquanto eu viver, porque a fome dói muito”, disse ela à AFP, seu bebê mais novo pendurado no quadril.

“Você chega a um ponto em que não consegue nem levantar nem fazer nada… Miguel me viu desesperado e chorando, e resolveu fazer o que fez. E graças a Deus foi aí que tudo mudou.”

A história do menino comoveu as pessoas em um país onde a fome voltou a ser um grande problema, depois de quase ter sido erradicada há uma década.

O Brasil apareceu na última edição do “Mapa da Fome”, das Nações Unidas, com 28,9% da população vivendo em “insegurança alimentar moderada ou grave”, um revés para um país que havia sido retirado do mapa em 2014. .

Imagens de geladeiras vazias e pessoas famintas correndo para coletar pilhas de carcaças de animais descartadas contaram uma história perturbadora do país outrora próspero de cabeça para baixo.

Um estudo recente descobriu que 30% dos brasileiros vivem na pobreza (menos de US$ 5,50 por dia), contra 24% em 2014.

Com o Brasil se aproximando das eleições de outubro, os principais candidatos, o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro e o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, trocaram acusações sobre quem é o culpado pelo mal-estar do país.

Miguel está feliz que sua família tem o suficiente para comer, e mais um pouco.

“Agora são tantas doações, passei de não ter nada para ter o suficiente para ajudar outras pessoas”, diz Célia com orgulho.

Fonte: TRTWorld e agências

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