A amazônia é o futuro do brasil

Este artigo faz parte de AQRelatório especial sobre o desenvolvimento sustentável da Amazônia. | Ler em portugues

SÃO LUÍS, Brasil – A Amazônia é o caminho a seguir para o Brasil. Os nove governadores da região compartilham dessa visão, embora reconheçamos o profundo paradoxo da área. Apesar do imenso potencial oferecido pelos recursos da Amazônia, sua população apresenta os mais baixos indicadores de desenvolvimento humano do Brasil. Tem o maior desemprego, menos educação e menos acesso a cuidados de saúde. A pandemia COVID-19 levou a região ao limite em termos de assistência médica e acesso a alimentos, expondo as desigualdades endêmicas da Amazônia.

Porém, vemos a Amazônia como uma oportunidade de desenvolvimento nacional. Os recursos estratégicos da região podem torná-la uma das mais ricas do planeta, se houver uma estratégia bem pensada, planejada e coordenada.

É urgente desenvolver um plano abrangente e sustentável para a Amazônia. Precisamos de um plano de transição para uma economia verde que leve em consideração o quadro de desenvolvimento existente na região. Tornar essa transição sustentável significa adotar uma combinação de modelos produtivos e habitacionais que gerem emprego e renda para a população, melhorem os índices de desenvolvimento humano e reduzam as disparidades.

Embora as opiniões variem no Brasil, cada vez mais atores públicos e privados estão adotando uma abordagem de desenvolvimento de baixo carbono. No entanto, interrupções nas políticas ambientais e desafios com desmatamento e incêndios ilegais acabam minando a credibilidade do Brasil no que diz respeito ao gerenciamento de problemas relacionados aos gases de efeito estufa. Ainda assim, reconhecemos que quanto mais controle o Brasil tem sobre a região, maior nossa capacidade de implementar uma estratégia de desenvolvimento que reconheça a importância da Amazônia para o Brasil e o mundo. Para tanto, acolhemos os esforços internacionais voltados para mobilizar recursos públicos e privados para proteger a floresta tropical, respeitando a soberania do Brasil.

Para ajudar a superar esses desafios, o Consórcio Interestadual Amazônico para o Desenvolvimento Sustentável, liderado pelos nove governadores da região, elaborou um plano. Chamado de Plano de Recuperação Verde para a Amazônia (GRP, ou PRV em português), ele oferece uma abordagem abrangente para os problemas econômicos e ambientais da região. Também reforça o consenso que defende uma economia verde regional.

Faremos contratos com nossas universidades, órgãos públicos, empresas e instituições. Atrairemos investimentos nacionais e internacionais. Vamos operacionalizar o processo de Pagamento por Serviços Ambientais já aprovado pelo Congresso. Esses esforços são enquadrados em três áreas temáticas: 1) inovação e tecnologia; 2) infraestrutura urbana e rural; e 3) produção e turismo. A primeira área trata de projetos relacionados à biotecnologia, fármacos e monitoramento de desmatamento e queimadas. O segundo enfoca a expansão da infraestrutura para impulsionar o acesso digital e o e-business; preservar e descontaminar rios; descentralizar a disponibilidade de bens e serviços e transporte. O terceiro setor abrangerá iniciativas que vão desde a agricultura familiar e processos de certificação de produtos regionais até o ecoturismo.

O sucesso do GRP dependerá de nossa capacidade de atrair diversos setores e catalisar instituições nacionais e internacionais comprometidas com a mitigação das mudanças climáticas, transformando o potencial do bioma em nosso maior aliado.

Para garantir que a Amazônia brasileira continue a fornecer segurança climática ao planeta, estamos adotando uma abordagem colaborativa baseada no diálogo aberto em que todas as partes ganham. Lamentamos posições equivocadas que às vezes confundem a legítima defesa da soberania nacional com irresponsabilidade ambiental. Também rejeitamos as concepções de santuário da floresta que clamam pela retirada de pessoas do debate ambiental, perpetuando injustiças sociais e negando direitos.

Sabemos que este não é um desafio pequeno. Ainda assim, o cenário internacional atual favorece uma melhor governança global relacionada ao clima. A cooperação resultante deve levar em conta as necessidades locais, nacionais e globais para desenvolver e preservar a floresta amazônica.

O futuro do Brasil está ligado ao da Amazônia. Os governadores da região vêem o GRP como parte de sua responsabilidade constitucional de defender e preservar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras.

SOBRE O AUTOR

Dino é governador do estado do Maranhão e atual líder do Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

Tag: Amazônia, Brasil, a questão amazônica

Você gostou do que leu? Inscreva-se no AQ para mais.

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente as opiniões da Americas Quarterly ou de seus editores.

You May Also Like

About the Author: Jonas Belluci

"Viciado em Internet. Analista. Evangelista em bacon total. Estudante. Criador. Empreendedor. Leitor."

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *