A derrota do Flamengo é um time que não confia no treinador – 18/09/2020

O Flamengo não perdeu para nenhum time de Quito. Independiente del Valle tem um dos melhores empregos da América do Sul, que vai além das qualidades de Miguel Ángel Ramírez. Um espanhol que atuou nas categorias de base do futebol e, desde muito jovem, soube seguir a filosofia do clube, que aposta justamente na juventude para o retorno técnico e econômico com negociações futuras.

Moises Caicedo, 18, é um símbolo desse modelo de trabalho. O meio-campista foi o ponto de desequilíbrio a favor da seleção equatoriana, a grande notícia em relação aos confrontos da Recopa Sudamericana. A “armadilha luminosa” para chegar à frente do primeiro gol é jogada por quem já sabe muito.

É preciso reconhecer os méritos do campeão da Copa Sul-Americana e agora líder absoluto do Grupo A da Libertadores, com 11 gols a favor e nenhum contra nos três jogos que disputou. Porque aproveitar as falhas do oponente também é um mérito.

5-0 do Flamengo Guilda Nas semifinais do ano passado, por exemplo, foram construídas com quatro gols de bola parada, com hesitações, induzidas ou não, do sistema defensivo da seleção gaúcha. A questão da coerência agora não resume tudo aos deméritos do atual campeão sul-americano.

Só que eram muitos, incríveis. O Flamengo sabia o que os esperava no Estádio Casa Blanca, pelo menos os jogadores, já que muitos consideravam Del Valle o time que mais trabalhou em 2020. E o plano, mesmo a 2.850 metros de altitude, parecia mal pensado e executado. .

Não é ser um “engenheiro pré-fabricado”. Mas a pressão alta, com Gerson e Diego Ribas entrando em Gabigol para obstruir a bola e induzir o erro de Schunke, o zagueiro com um passe menos qualificado, precisava de coordenação, intensidade e incentivo. Mesmo assim, seria um risco permanente pela rapidez e precisão para sair da pressão de uma equipe bem treinada e integrada.

A “prova” de que os atletas não tinham convicção foram as brechas entre os cinco que saíram para pressionar – soltos, digamos – e Willian Arão mais os quatro zagueiros, que instintivamente se preocuparam em defender o gol de César. Foi neste espaço de intermediários que Faravelli, Moisés e o extremo Beder Caicedo, que torceu pelo interior para que Murillo abrisse na final no habitual 4-3-3 montado por Ramírez.

Domínio absoluto muito antes de ir para as redes de César pela primeira vez. Dê um primeiro período de respeito por Del Valle ao campeão do continente, mas já imposto. O Flamengo deu uma chance com Gérson e tentou atacar com Gabigol alternando com De Arrascaeta no centro do ataque e na lateral esquerda. A ideia era fazer o camisa nove e artilheiro receber as bolas longas em busca de infiltrações diagonais e preocupar a defesa rival que joga na frente. Mas Gabriel sempre preferiu começar da direita para dentro.

Todos eles pareciam desconfortáveis. Incluindo Gerson, ele avançou como meio-campista em um 4-1-4-1. Sem participar da construção e ainda deixando espaços nas costas que Aaron não conseguiu cobrir. Com tantos problemas e desgastes pela altura, baixar a guarda na segunda etapa foi uma consequência natural, mesmo com Bruno Henrique entrando para Diego.

Além dos gols de Preciado, Gabriel Torres, Jhon Sánchez e Beder Caicedo saíram no ritmo dos treinos. Muita confiança e até vontade de vingar a perda de Recopa para uma equipa quebrada. Com a identidade perdida devido a mudanças não graduais e pouco treinada por Domènec Torrent e sua comissão técnica.

Porém, o maior problema parece ser a dificuldade de convencer os jogadores. Depois do sucesso de Jorge Jesús, já não seria fácil para nenhum treinador. O catalão deixa uma impressão de hesitação, assim como o seu comportamento na margem do campo. É bom lembrar que nos anos em que atuou como auxiliar essa tarefa era Pep Guardiola: um ex-jogador de sucesso, carismático, sanguinário, até um pouco louco. Com um currículo de títulos para liderar até os mais resistentes, daqueles que perguntam “ganharam o quê?

O Dome pode ter perdido o grupo de uma vez por todas em Quito. Cabe à administração cobrar o treinador e também os jogadores, que podem e devem tentar discutir as decisões do treinador com respeito e até buscar soluções em campo sem desistir como se fosse inevitável. Foi a maior derrota do Fla na Libertadores, a maior de uma equipe que defende o título.

Para repensar tudo, também a decisão do comandante de trabalhar pensando no jogo contra o Barcelona em Guayaquil quando o placar chegou a 3 a 0. Como se não fizesse diferença levar cinco. E poderia ter sido mais, já que Del Valle não tirou o pé do acelerador. O Dome também carece da noção de realidade na qual está inserido. Mesmo sem as vaias das arquibancadas, você precisa entender o que está ao seu redor.

As transições para a obtenção de empregos nunca são fáceis. Em 1981, após a saída de Cláudio Coutinho, o Flamengo tentou manter tudo como estava com Modesto Bria, depois buscou uma mudança com Dino Sani. Só conseguiu se endireitar quando entrou Paulo César Carpegiani, que meses antes estava em campo com Júnior, Zico e companhia. Recuperou as ideias e só quando trocou o Baroninho pelo Lico, naturalmente, com o apoio dos ex-colegas, é que fez uma revolução que entregaria bebidas e uma futebol encantador.

Outras vezes, mas sempre servem para refletir. Aqui não há defesa da renúncia de Domènec. Talvez o erro da gestão rubro-negra foi não ter alguém com mais conhecimento técnico do que Marcos Braz e Bruno Spindel para discutir ideias e modelos nas reuniões de pré-contratação.

Agora se trata de minimizar os danos e tentar recuperá-los. Porque a confiança da equipe no treinador parece ter se quebrado na capital equatoriana.

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About the Author: Ivete Machado Castilho

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