A lacuna entre Trump e Biden em seis estados cruciais para as eleições nos EUA é estreita, diz a pesquisa

A 40 dias das eleições nos Estados Unidos, a disputa para decidir quem ocupará a Casa Branca nos próximos quatro anos está cada vez mais acirrada. Embora o candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, apareça com uma vantagem de sete pontos percentuais nacionalmente, de acordo com a pesquisa média do site Real Clear Politics, a diferença do presidente Donald Trump diminui ao analisar os dados. dos estados considerados chave para vencer em 3 de novembro.

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De acordo com uma pesquisa da Reuters com o Instituto Ipsos, publicada na sexta-feira, os dois candidatos aparecem quase lado a lado em seis estados-chave para decidir a eleição: Arizona, Carolina do Norte, Flórida, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. Como nos Estados Unidos a eleição é indireta, decidida pelo Colégio Eleitoral, onde cada unidade federativa tem certo peso na eleição, é importante que cada candidato conquiste o maior número de estados possível para ganhar a votação. Alguns se tornaram historicamente currais eleitorais para o Partido Democrata, outros para o Republicano. Porém, há um grupo que geralmente varia os votos em cada eleição: são chamados estados de oscilação. Esse é o caso desses seis estados mencionados.

Em duas delas, Carolina do Norte e Flórida, Biden e Trump estão empatados. Nas outras quatro, essa diferença varia de um a cinco pontos percentuais, mas ainda dentro da margem de erro.

. Foto: Art Editoria

Biden confortável

Em 2016, o republicano venceu nesses seis estados. Vinicius Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e da FAAP, explica que isso se deve ao perfil do eleitor dessas regiões.

– Em Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, brancos de baixa escolaridade votaram em massa em Trump. É a população que mais perdeu com a globalização em termos relativos, porque não tem investimentos no mercado financeiro, não manda seus filhos para grandes universidades e foi vista como injusta pelas ações afirmativas e políticas de identidade dos democratas. .

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Ele destaca que, neste ano, o Partido Democrata aprendeu a lição com as eleições anteriores e, portanto, a campanha de Biden foi revertida para reconquistar esse eleitor.

– Pesquisa já mostra que o ex-vice-presidente ganhou força entre as mulheres brancas sem ensino superior. Já na Flórida e no Arizona há um grande número de latinos, que são uma minoria mais inclinada a votar nos republicanos por causa de valores conservadores e religiosos – explica o professor, que também destaca que a Carolina do Norte tem uma divisão racial entre brancos e la comunidade negra, para a qual Biden tem grande apelo.

Para tentar atrair o voto latino, principalmente na Flórida, o bilionário Mike Bloomberg anunciou ontem que investiu 40 milhões de dólares em anúncios de televisão a favor de Biden.

Para Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais da FAAP, apesar do cenário acirrado entre os dois candidatos, Biden segue na liderança com base no que aconteceu nas últimas eleições:

– Historicamente, em comparação com eleições anteriores, nenhum presidente americano conseguiu ser reeleito com os números que Trump tem hoje. A situação de Biden, apesar do aperto em estados-chave, é bastante confortável neste momento da campanha, 40 dias antes da eleição. Ela é melhor do que Hillary Clinton no mesmo período de 2016.

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Segundo o site Real Clear Politics, o presidente aparece com 42,9% na média das pesquisas nacionais, enquanto seu oponente tem 49,6%. Na média desses seis principais estados, a margem cai para 3,5 pontos percentuais, com o republicano com 45% das intenções de voto e o democrata com 48,5%. Na estimativa da contagem do Colégio Eleitoral do Cook Political Report, na qual o New York Times se baseia, o ex-vice-presidente também aparece em uma posição mais confortável do que o presidente: estados mais inclinados a votar nos democratas hoje. Eles somam 218 votos, enquanto os que deveriam votar no republicano, 125. No entanto, os dois estão longe de ter um mínimo de 270 votos para serem eleitos.

Julgando as influências da morte

As entrevistas foram realizadas entre 11 e 16 de setembro (e no caso do Arizona até 17 de setembro) e, portanto, não medem o impacto da morte da juíza progressista Ruth Bader Ginsburg, fator que pode afetar as intenções de votar até o dia da eleição. Segundo Poggio, a morte do magistrado pode até significar uma vitória para Trump ao dar a ele a oportunidade de indicar um nome conservador para a vaga que está abrindo no Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos, onde a disputa pode chegar. No entanto, os professores refletem que isso também pode servir de estímulo para que os democratas vão às urnas para votar em Biden, a fim de evitar um novo mandato para presidente e, consequentemente, novas nomeações de juízes.

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Os debates de votação começam na próxima semana, quando Trump e Biden se encontram pela primeira vez no palco desta disputa. Com as reuniões, o Partido Democrata terá que deixar para trás a estratégia que adotou até o momento de evitar a exposição de seu candidato para direcionar o foco da campanha contra Trump. Biden realizou poucos eventos eleitorais, especialmente em comparação com a programação de corridas de seu oponente. Isso, por outro lado, munição para os ataques do presidente. Em uma viagem a Atlanta na sexta-feira, Trump zombou do democrata e o criticou por realizar poucas manifestações.

– Esse cara nunca sai. É terrível, não é? – Ele disse aos eleitores, antes de viajar para outro evento na Geórgia.

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