A maior parte dos recursos da pandemia foi para ajuda de emergência.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os gastos com créditos extraordinários para financiar o combate à nova pandemia do coronavírus somaram R $ 277,85 bilhões, o equivalente a 54,3% dos R $ 511,27 bilhões autorizados pelo Orçamento de Guerra. O levantamento, que registra as despesas incorridas até o último dia 11, foi divulgado nesta segunda-feira (17) pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão de assessoria do Senado.

A maior parte dos recursos foi destinada ao pagamento de auxílio emergencial de R $ 600 (R $ 1.200 para mães solteiras). O pagamento do benefício totalizou R $ 167,66 bilhões, equivalente a 65,9% do montante de R $ 254,24 bilhões. Amanhã (18), a Caixa Econômica Federal começará a pagar a quinta e última parcela aos beneficiários do Bolsa Família.

Com desembolso de R $ 30,1 bilhões, o apoio financeiro a estados e municípios vem em segundo lugar. Dos quatro lotes planejados para ajuda, dois foram desembolsados, com o programa funcionando a 50%.

Os gastos com ações de saúde no combate à pandemia ocupam o terceiro lugar, com R $ 23,68 bilhões executados. O montante equivale a pouco mais da metade (50,6%) do orçamento aprovado de R $ 46,78 bilhões.

Trabalhadores

Em quarto lugar, existe o Benefício Emergencial (BEm), que é pago aos trabalhadores com carteira assinada que tiveram o contrato suspenso ou a jornada de trabalho reduzida com redução proporcional do salário. O governo desembolsou R $ 20,09 bilhões, equivalentes a 38,9% do orçamento de R $ 51,64 bilhões.

Em seguida, vem o aporte de R $ 15,9 bilhões do Tesouro Nacional ao Fundo Garantidor Operacional (FGO), que cobre possíveis descumprimentos no Programa Nacional de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Pronampe), com 100% de execução. . O fundo é considerado uma ferramenta essencial para destravar o auxílio às micro e pequenas empresas, pois elimina a obrigação dos bancos de exigir garantias de microempresários, como imóveis e automóveis, na concessão de empréstimos.

Lançado no início de abril, o outro programa federal de ajuda empresarial ainda não decolou. O programa de financiamento consignado das empresas teve execução de apenas R $ 3,91 bilhões (11,5%) de um total de R $ 34 bilhões. O programa empresta para financiar o pagamento de salários com o compromisso de manter o emprego.

Previsões

O IFI publicou dados sobre o impacto da pandemia nas finanças públicas. No primeiro semestre, a perda de receita líquida da União em decorrência da crise econômica foi de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos). O gasto primário total cresceu 40,3%, acima da inflação, no período.

O IFI melhorou sua previsão de PIB para o segundo trimestre. De acordo com o relatório da agência, a economia contraiu 8,8% de abril a junho, ante projeção inicial de queda de 10,6%. A estimativa para o ano não mudou, permanecendo em contração de 6,5%.

A dívida bruta do governo geral aumentou 9,7 pontos percentuais nos primeiros seis meses de 2020, até junho em 85,5% do PIB. O IFI manteve a projeção de que o indicador, principal parâmetro internacional para avaliar o endividamento de um país, feche o ano em 96,1%, ante 75,8% no final do ano passado.

Para as IFIs, o agravamento das contas públicas devido à pandemia COVID-19 não representa um risco por si só. O problema, segundo a agência, está na recuperação da economia após o fim da crise. O relatório defendeu a manutenção do teto de gastos federais como elemento para garantir a confiança nos rumos da economia.

“A maior preocupação é a incerteza sobre o pós-crise. A partir de agora, discute-se a relevância do governo em dar sinais claros em relação ao compromisso de retorno a um modelo de ajuste fiscal que permita restaurar as condições mínimas de sustentabilidade da dívida pública. Nesse contexto, o teto de gastos desempenha um papel importante ”, disse o relatório do IFI.

FONTE: Agência Brasil

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