A mudança climática provocou inundações devastadoras em parte da região sudeste do Brasil, diz estudo

Crédito: Pixabay / CC0 Public Domain

As mudanças climáticas foram a principal causa das chuvas extremamente fortes que causaram fortes enchentes, mortes e grandes estragos em cidades mineiras, no sudeste do Brasil, em janeiro de 2020, segundo estudo publicado na revista. Resiliência climática e sustentabilidade.


Usando modelos climáticos para a região, o estudo mostra que os efeitos da industrialização e do aquecimento global aumentaram em 70% a probabilidade de volumes de chuva muito maiores do que o esperado em comparação com cenários com temperaturas médias de 1 ° C a 1 ° C, 1 ° C diminuir.

Os autores do estudo também quantificaram os danos causados ​​pelo evento extremo, estimando que mais de 90.000 pessoas ficaram temporariamente desabrigadas e pelo menos R $ 1,3 bilhão (US $ 240 milhões) foram perdidos nos setores público e privado. A maior parte dos danos materiais foi em infraestrutura pública (R $ 484 milhões), residências (R $ 352 milhões) e lojas de varejo e outros serviços (R $ 290 milhões). 41% do total é atribuído às mudanças climáticas induzidas pelo homem.

O artigo foi publicado uma semana após o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) destacar em seu sexto relatório de avaliação que “é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra”, contribuindo para mudanças rápidas e intensas em todos regiões do planeta.

O evento de precipitação extrema que ocorreu no sudeste do Brasil entre 23 e 25 de janeiro de 2020, causou enchentes e deslizamentos de terra, causando danos à infraestrutura e mortes. O evento resultou da intensificação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (SACZ) combinada com o surgimento do ciclone subtropical Kurumí (KSC) sobre o Atlântico Sul. Ambos os fenômenos aumentaram o teor de umidade em toda a região.

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, teve o janeiro mais chuvoso de sua história. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a precipitação somou 935,2 milímetros (mm), ou quase o triplo da média do mês, com 320,9 mm caindo em três dias. Pelo menos 56 mortes foram consideradas devido a enchentes e deslizamentos de terra naquela época.

Os autores destacam que o estudo oferece novos insights sobre a necessidade urgente de agir sobre as mudanças climáticas, que já têm um impacto significativo na sociedade do sudeste brasileiro: “Isso requer melhorias imediatas no planejamento estratégico com foco na mitigação e na adaptação”. eles escrevem, acrescentando que a gestão pública e as políticas devem evoluir da resposta a desastres para incluir a prevenção de desastres futuros.

O estudo teve apoio da FAPESP e derivou de um workshop ministrado, entre outros, por Sarah Sparrow, pesquisadora da University of Oxford (Reino Unido) e última autora do artigo. O workshop foi patrocinado pela Climate Science for Service Partnership (CSSP Brasil), uma colaboração entre instituições do Reino Unido e organizações no Brasil, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Centro de Vigilância e Alerta Precoce de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Universidade de São Paulo (USP).

Realizado online em dezembro de 2020 em associação com Liana Anderson, pesquisadora do CEMADEN e penúltimo autor do artigo, o workshop discutiu um método conhecido como atribuição de eventos extremos que visa quantificar os efeitos potenciais das mudanças climáticas induzidas pelo homem sobre a probabilidade de eventos extremos. eventos meteorológicos.

Dois grupos de trabalho analisaram o evento de precipitação extrema em Minas Gerais. Um focou na influência das mudanças climáticas nas chuvas, enquanto o outro quantificou os impactos na população. As descobertas de ambos os grupos foram integradas ao artigo publicado.

“A estreita colaboração interdisciplinar nos permitiu produzir um estudo de alta qualidade com resultados consistentes em apenas alguns meses”, disse Ricardo Dal’Agnol, pesquisador da Divisão de Geoinformática e Observação da Terra do INPE e primeiro autor do artigo.

Modelo

O modelo climático global utilizado para a atribuição foi o Hadley Center Global Environmental Model versão 3-A (HadGEM3-A), com simulações de eventos climáticos extremos. Dois experimentos foram realizados para auxiliar no desenho de cenários, um considerando apenas fatores naturais, como variações na irradiância solar e atividade vulcânica, e o outro considerando também fatores antropogênicos, como mudanças no uso do solo e emissões de gases de efeito estufa em comparação com o período pré-industrial. nível (1850).

De acordo com o último relatório do IPCC, a temperatura média do planeta é 1,1 ° C mais alta do que no período 1850-1900, período de referência usado para aproximar as temperaturas pré-industriais antes do forte aumento nas emissões de gases de efeito estufa como o CO.2 e metano.

Para compreender a distribuição espacial da precipitação diária na área de estudo e estimar a precipitação para análise de atribuição, os pesquisadores usaram a Análise Global Unificada de Precipitação Diária baseada em indicadores CPC e o Grupo de Perigo Climático de Precipitação Infravermelha com dados CHIRPS, que integra imagens de satélite e dados de estações pluviométricas para criar séries temporais para monitoramento e análise de tendências.

Os dados sobre desastres, incluindo localização, tipo, causas e danos, foram extraídos do Sistema Integrado de Informação de Desastres S2iD, que contém dados registrados pela Defesa Civil e funcionários do governo local dentro de dez dias após sua ocorrência. Os autores “destacam a importância de ter sistemas integrados de informação de desastres como o S2iD brasileiro, que transmite informações valiosas e oportunas que permitem quantificar o impacto de eventos extremos”.

A área de estudo no sudeste de Minas Gerais foi subdividida em 12 mesorregiões (unidades oficiais que compõem um conjunto de cidades que compartilham características geográficas e sociais), com um total de 194 municípios. O estado possui 853 cidades no total. “As mesorregiões mais afetadas foram a região metropolitana de Belo Horizonte, Vale do Rio Doce e Zona da Mata. Juntas, elas responderam por 91% das perdas econômicas públicas e 93% das perdas econômicas privadas, 92% dos danos materiais totais. [and] 91% do total da população deslocada “, escrevem os autores, acrescentando que essas áreas também apresentam” os números mais alarmantes em termos de vulnerabilidade oficialmente mapeada de residentes e casas em áreas de risco a desastres “.

Eles também apontam que embora o evento tenha sido extremo e influenciado pelas mudanças climáticas, seus impactos foram agravados pela falta de planejamento de gestão de riscos urbanos, estratégias de mitigação e adaptação, bem como investimento insuficiente em infraestrutura, e que pode ter afetado desproporcionalmente o pobres vivendo em situações de alto risco, como moradias precárias em encostas.

“Portanto, interpretamos os impactos deste evento como um desastre climático construído socialmente”, eles escrevem, sugerindo que estudos futuros devem investigar o impacto de eventos climáticos extremos sobre as pessoas pobres e vulneráveis. “Além disso, pesquisas futuras também podem abordar as interações cada vez mais complicadas de aspectos humanos, econômicos e políticos dentro dos sistemas ecológicos”, acrescentam.

Segundo Dal’Agnol, o modelo desenvolvido para analisar o desastre mineiro pode ser aplicado a outras regiões. “Usamos cenários baseados no modelo e nos dados de precipitação do satélite para estimar as probabilidades”, disse ele. “A metodologia pode ser usada para analisar outros eventos. Na época do nosso estudo, encontramos poucas pesquisas sobre eventos climáticos extremos no Brasil. Mais estudos como este são necessários para identificar regiões particularmente vulneráveis ​​às mudanças climáticas para que o governo e a política pública pode ser preparada de forma adequada para prevenir futuros desastres. ”


Chuvas extremas são mais prováveis ​​devido às mudanças climáticas


Mais informação:
Ricardo Dalagnol et al, Chuvas extremas e seus impactos no estado brasileiro de Minas Gerais em janeiro de 2020: Podemos culpar as mudanças climáticas? Resiliência climática e sustentabilidade (2021). DOI: 10.1002 / cli2.15

Citação: Mudanças climáticas causaram inundações devastadoras em parte da região sudeste do Brasil, de acordo com um estudo (19 de outubro de 2021) recuperado em 19 de outubro de 2021 em https://phys.org/news/2021-10-climate -devastating- brazilians-sudeste -region.html

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