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Quando o Facebook removeu a rede de desinformação vinculada aos aliados e à família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o diretor de segurança cibernética da plataforma, Nathaniel Gleicher, disse que as contas excluídas estavam praticando “comportamento não autêntico”. O termo entrou no debate e ganhou defensores que pretendem incluí-lo no Fake News Bill, que está sendo discutido no Congresso Nacional.

Para a pesquisadora Luiza Bandeira, do Digital Forensic Research Laboratory (DFRLab), grupo de especialistas vinculado ao Atlantic Council, organização que realiza análises independentes de dados, esse controle do comportamento abusivo é, hoje, uma atribuição das plataformas.

“Cada plataforma tem uma estrutura diferente e comportamentos inautênticos são diferentes em cada uma. Quem julga hoje o comportamento inautêntico é o termo de uso para cada empresa”, disse ele.

A particularidade de cada termo de uso e a definição de comportamentos levantam uma questão sobre como inspecioná-los, segundo Luiza.

“Qual é a idéia da legislação? Quando se trata de monitorar o comportamento, você está atribuindo responsabilidades à polícia e ao judiciário, ou é a idéia de regular as mídias sociais para que eles continuem a fazer esse trabalho? Quando falamos sobre para colocar em prática um comportamento não autêntico, quem colocamos como juiz? “, perguntou ele.

O processo para confirmar que um comportamento não era autêntico passa por uma série de verificações que dependem da análise de dados, que precisariam ser solicitadas nas plataformas. Além disso, segundo Luiza, parte desses processos não é automatizada, o que exigiria habilidades específicas dos pesquisadores no caso de investigações realizadas por órgãos públicos.

“As plataformas estão mudando as regras de transparência para impedir que os maus atores atinjam seus objetivos. Mas essa iniciativa afeta aqueles que estão tentando investigar, inclusive nós. A polícia e o judiciário poderiam se adaptar a essas mudanças?”

Luiza avaliou que o debate sobre os termos de uso de cada plataforma é essencial para que um monitoramento mais transparente possa ser cobrado pelas próprias redes ou mesmo para a criação de alguma legislação sobre o assunto. “Você precisa entender o que é um comportamento não autêntico em cada plataforma para manter o debate em realidade”.

Para ela, a discussão mais importante agora é sobre “preservar a privacidade”. “É muito fácil cair nessa tentação e criar uma perseguição a dissidentes, atores políticos, ativistas … O problema é poder aumentar a transparência sem restringir a liberdade de expressão e privacidade. Esses são os pontos centrais”.

A informação é do jornal. O estado de S. Paulo.

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