A região do Brasil afetada pelo desastre destaca o problema das mudanças climáticas

Por SERGIO REALIZADO em Cajica, Colômbia | China mundo diariamente | Atualizado: 2022-06-08 09:45

Pessoas empurram um carro ao longo de uma rua inundada em Recife, Brasil, na sexta-feira após chuva forte. LÚCIO TAVORA/XINHUA

Chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra devastaram comunidades inteiras na região de Pernambuco, no Brasil, destacando os perigos que as mudanças climáticas representam para os mais vulneráveis.

Enquanto a região luta para se recuperar dos danos, especialistas pedem investimentos em mitigação e prevenção, e que o Brasil aprenda com o exemplo da China para priorizar a ação climática.

Os desastres induzidos pelas chuvas que atingiram a região de Pernambuco recentemente mataram pelo menos 128 pessoas e forçaram milhares a fugir de suas casas.

“Não tenho dúvidas de que esta é a maior tragédia que a região metropolitana de Recife, capital de Pernambuco, enfrentou neste século”, disse João Cumaru, cientista político da cidade nordestina. “Em termos de mortes, essa tragédia já superou as maiores enchentes que Recife já teve, que ocorreu em 1975.”

As inundações de 1975 deixaram um saldo de 107 mortos. Em 1966, chuvas igualmente fortes mataram 175 pessoas na região de Pernambuco.

É necessário fortalecer a cooperação internacional para combater as mudanças climáticas, disse Cumaru, lembrando que o Brasil pode aprender com a estratégia da China. “Há muito a aprender no Brasil com a forma como a China está lidando com as mudanças climáticas e como isso se tornou uma prioridade para o governo central.”

De acordo com o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Recife ocupa a 16ª posição no ranking global das cidades mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas.

A cidade de Goiana, 65 quilômetros ao norte de Recife, ainda está inundada. Milhares de pessoas estão abrigadas em condições de emergência e a ajuda humanitária foi enviada.

“Meus parentes estão bem, graças a Deus, mas muitas famílias de amigos e alunos do nosso projeto social não tiveram tanta sorte e perderam tudo”, disse Fernando Junior Gomes da Silva, capoeira da região que hoje mora na Polônia. De sua nova casa, ele apoia um projeto social em Pernambuco. A arte marcial brasileira capoeira combina elementos de música, dança e acrobacias.

“Há 15 anos organizamos treinamentos de capoeira, boxe e artes marciais mistas para crianças carentes. Oferecemos esses programas a 80 crianças que precisam de uma ocupação extra depois da escola, mas agora com as enchentes, há 400 famílias desabrigadas morando em escolas públicas, disse Gomes da Silva.

Segundo dados oficiais, 9.302 pessoas perderam suas casas nesta estação chuvosa. A previsão da meteorologia estadual é de chuvas recordes em junho.

Gomes da Silva, assim como muitos brasileiros ao redor do mundo, lançaram campanhas de arrecadação de fundos para ajudar os atingidos pelas chuvas e enchentes a recuperar parte de seus bens.

Enquanto isso, a comunidade chinesa em Recife, liderada pelo cônsul geral Yan Yuqing, doou mais de 100.000 reais (US$ 20.935) em bens de emergência e alimentos.

“Essas chuvas foram históricas e causaram muita perda de vidas e propriedades. Temos uma comunidade aqui que trata essa terra como uma segunda casa, então tomamos essa ação. Tudo isso mostra a amizade sino-brasileira”, disse Yan.

De acordo com o IPCC, 45,7% do litoral do Recife é uma “área de alta vulnerabilidade” às mudanças climáticas.

O escritor é jornalista freelancer do China Daily.

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