A Rodovia Transamazônica de Fogo e Lama do Brasil, de Anne Vigna (Le Monde diplomatique

BR 230: estrada poeirenta na estação seca, inferno lamacento quando chove

Coen Wubbels

QUALQUERnorte Chegando à cidade de Lábrea, no coração da Amazônia brasileira, vi ciclistas cobertos de poeira ocre, balançando seus celulares e perguntando aos moradores onde encontrariam a placa oficial marcando o fim da Transamazônica. Disseram-me que é uma visão comum. Eles queriam fotografar a conclusão de sua jornada de 4.260 km. Mas tem isso é nenhum sinal oficial, porque a estrada não deveria terminar aqui. Há 50 anos, os líderes militares brasileiros, no poder de 1964 a 1985, planejavam construir uma ponte sobre o rio Purus em Lábrea e estender a rodovia 660 km a oeste até Benjamin Constant, cidade fronteiriça do estado do Amazonas que leva o nome do general considerado o fundador do Brasil. Mas, após quatro anos de obras, a rodovia prevista de 5.000 km foi interrompida em Lábrea, que não recebeu placa comemorativa.

O regime militar tinha orgulho da Rodovia Transamazônica, mesmo em seu estado inacabado. Os estrangeiros há muito estavam atentos às imensas riquezas da floresta tropical. e os militares formularam uma doutrina que os orientou por 20 anos: ‘Integrar o território para não perdê-lo’. Ligar a Amazônia ao restante do Brasil, principalmente ao Nordeste, foi a primeira etapa de seu projeto, coordenado pelo Plano de Integração Nacional (PIN), aprovado pelo presidente do Brasil, general Emílio Garrastazu Médici, em 1970. Em discurso em Manaus que, em outubro, expôs o plano de ‘explorar as reservas mineiras e tornar férteis as terras virgens para criar ativos econômicos reais’. É assim que vamos ocupar a Amazônia, imperativo para o progresso do Brasil e compromisso com sua própria história.”

Antonio Moreia de Almeida tinha 13 anos quando o Batalhão de Engenharia e Construção do 5º Exército construiu o trecho final da rodovia para Lábrea. Isso lembra ‘soldados saindo da floresta com máquinas como nunca vimos antes’. Naquela época, a cidade tinha apenas 7.000 habitantes. Foi um choque. Sentimos que estávamos finalmente nos abrindo para o mundo; só o rio nos ligava a ela até (…)

Artigo completo: 2 804 palavras.

(1) Veja Renaud Lambert, ‘A Amazônia pertence ao mundo?’, diplomacia mundial, Edição em inglês, outubro de 2019.

(dois) Veja Greg Grandin, ‘O sonho amazônico de Henry Ford’, diplomacia mundial, Edição em inglês, agosto de 2011.

(3) Transmissão ao vivo semanal do Presidente Bolsonaro nas redes sociais, 23 de janeiro de 2020.

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