“A Terra é Redonda”: universidades criam site para combater a ciência – 28/05/2020

"A Terra é Redonda": universidades criam site para combater a ciência - 28/05/2020

Em vista do recente fortalecimento, no Brasil e no mundo, de movimentos anti-científicos, como os defensores de que a Terra é plana, os chamados “terraplanistas” e os contra vacinas, um grupo de professores da USP e outros universidades. Criou o Site “A terra é redonda”, um espaço para a expressão da academia brasileira contra o pensamento que a ciência nega.

Com textos de mais de 250 autores publicados e uma equipe de quase 40 colunistas, o site é uma publicação sem fins lucrativos que visa abrir espaços para intervenção pública de intelectuais na sociedade. Os temas são tão diversos quanto os autores e se concentram em temas relacionados à política, economia, cultura e sociedade.

“Um dos princípios do site é que ele é contra o terraplanismo geral, não exatamente o pensamento de que a Terra é plana, mas anticientífica”, diz o professor Ricardo Musse, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e ciências humanas. (FFLCH) da USP, editora adjunta do site, explicando o nome escolhido para o projeto. “Terraplanismo é a ideia de que tudo é opinião e não há conhecimento que possa ser comprovado, e hoje estamos vendo isso na saúde, na economia, na vida cotidiana. É uma ideologia não partidária. Existe terraplanismo, centro e centro corretos.” esquerda, e nos opomos a esse modo de pensar “.

A chanceler alemã Angela Merkel e os presidentes dos Estados Unidos Donald Trump e Jair Bolsonaro, do Brasil: o site apresenta artigos sobre tendências na política, economia e sociedade global – Fotos: Reprodução

O site apareceu em outubro do ano passado, graças aos esforços conjuntos de Musse, Artur Scavone, jornalista responsável, e Ricardo Maciel, administrador do Sindicato Médico de São Paulo e coordenador geral do site.

Segundo Musse, dois professores da USP foram essenciais para o estabelecimento do projeto, ao concordarem em atuar como colunistas exclusivos do site: Marilena Chauí e André Singer, professores do Departamento de Filosofia e Departamento de Ciência Política da FFLCH, respectivamente. Dois outros professores participaram desse esforço inicial: o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e o filósofo Michael Löwy, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, França.

A partir daí, o site começou a expandir a equipe de colunistas. “Agora temos mais de 250 colaboradores, variando de estudantes universitários a professores eméritos em praticamente todos os estados do Brasil e do exterior”, diz Musse. “Conseguimos transformar isso em uma empresa da universidade pública brasileira”.

Professores da USP participam em grande parte do site, que inclui nomes de várias unidades universitárias, como Eleutério Prado e Leda Paulani, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), Vladimir Safatle, da FFLCH, Eugênio Bucci, Marilia Fiorillo e Celso Frederico, Escola de Comunicações e Artes (ECA), Afrânio Catani, Escola de Educação (FE), Paulo Capel Narvai, Escola de Saúde Pública (FSP), Fábio Konder Comparato e Alysson Mascaro, Faculdade de Direito (FD) , entre outros.

As universidades federais também participam do site em grandes números. O projeto conta com professores das Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Paraíba (UFPB), Minas Gerais (UFMG) e ABC (UFABC). A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também está na lista, com professores como Armando Boito e Fernão Ramos.

Entre os textos já publicados em “A Terra é Redonda” estão, por exemplo, “A primavera libertária”, de Rubens Pinto Lyra, da UFPB, que comenta os franceses de 68 de maio e suas repercussões nas revoltas do século XXI. e “Fascism in the Americas”, de Paulo Butti de Lima, da Universidade de Bari, Itália, que analisa o impacto da política dos EUA no resto do continente. Existem também as séries Literatura em quarentena e Cinema em quarentena, que fornecem conselhos culturais para ajudar as pessoas a lidar com o isolamento social.

“A Terra é Redonda” tem seu próprio podcast, apresentado por professores que estudam os tópicos abordados no site e trazem novos tópicos para discussão, como a devastação do fechamento brasileiro. Os professores também fazem resenhas de livros. O tema da epidemia aparece nos podcasts, como no episódio intitulado “Reflexão artística sobre a praga”.

Imagem do site “A Terra é redonda:” contra o pensamento anticientífico – Foto: Reprodução

Além dos textos de colaboradores e colunistas, o site também publica traduções de obras de autores como Thomas Piketty e David Harvey. Também reproduz textos de autores nacionais e internacionais, como Antonio Candido e Antonio Gramsci. Musse comenta que, como não tem fins lucrativos, o site depende do trabalho voluntário dos tradutores, mas há planos de remunerar esse trabalho. “A idéia é estabelecer o financiamento coletivo em breve para pagar pelas traduções, porque não vamos aceitar publicidade”.

Musse explica que “A Terra é redonda” é um site não partidário. “Já publicamos artigos de autores que vão do centro ao anarquismo. A diversidade de tendências políticas é bem-vinda”, diz ele. “O site é uma reação dos setores universitários à campanha de descrédito da ciência e da academia que se formou nos últimos anos. Nesta campanha contra a arma contra o livro, somos contra a arma e somos a favor Livro”.

O site “A Terra é Redonda” está disponível neste link.

You May Also Like

About the Author: Adriana Costa

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *