A USP quer produzir 1 milhão de máscaras de vírus; proteção atinge 97% – 04/07/2020

A USP quer produzir 1 milhão de máscaras de vírus; proteção atinge 97% - 04/07/2020

Pesquisadores da USP estão testando os materiais que serão utilizados na produção de máscaras para impedir a transmissão do vírus covid-19 em ritmo acelerado. Os estudos indicaram as matérias-primas mais adequadas para a proteção dos profissionais de saúde e da população em geral, com eficiência de até 97% na retenção de vírus.

Com base nos resultados, o projeto (respirar!), Coordenado pelo Centro de Inovação da USP (InovaUSP), produzirá 1 milhão de máscaras para 8.000 profissionais em hospitais, por meio de grupos de roupas e cooperativas, mobilizados pela empresa Social Fabric As recomendações estarão disponíveis para indústrias, ONGs e pessoas interessadas em produzir máscaras caseiras com um bom nível de proteção.

O professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, uma das pessoas responsáveis ​​pelo projeto, explica que o vírus covid-19 tem um tamanho médio de 120 nanômetros (1 nanômetro é um bilhão de vezes menos que 1 metro) .

“Já existem evidências científicas de que a eficiência de retenção de pequenas partículas varia muito entre máscaras da mesma classe e entre os diferentes produtos usados ​​para fabricá-las”, diz ele. “O objetivo de testar diferentes máscaras é medir sua eficiência na retenção de partículas nanométricas”.

Segundo o professor Vanderley John, da Escola Politécnica da USP (Poli), que também coordena a iniciativa, a prioridade é garantir máscaras para proteger os profissionais que cuidam dos pacientes com covid-19.

“Sem eles, não há atendimento hospitalar. Também se sabe que a combinação de máscaras, isolamento social e higiene pode ajudar os cidadãos a reduzir o risco de contágio quando precisam sair de casa”, destaca. “Também estamos nos preparando para fornecer subsídios às pessoas, para que elas possam selecionar melhor os tecidos usados ​​na fabricação de máscaras artesanais”.

Eficácia

O professor da Poly ressalta que as máscaras devem impedir que o vírus seja suspenso no ar, onde ele pode permanecer por muito tempo, penetrar na boca ou no nariz do usuário, além de impedir que uma pessoa infectada, ao falar ou espirrar, contaminar pessoas próximas

“A máscara é uma barreira, um filtro, então a eficiência da retenção de partículas foi medida, comparando o número e as dimensões de partículas entre 10 e 600 nanômetros atingindo um detector com ou sem máscara”, relata. “Este teste não é o regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porque compara o desempenho do produto com o banco de resultados que inclui as máscaras consideradas as melhores e algumas não tão eficientes”.

O equipamento de medição consiste em um gerador de aerossol que gera partículas do tamanho de coronavírus e um sistema eletrônico de detecção de partículas que utiliza um dispositivo chamado SMPS (Scanning Mobility Particle Sizer), acoplado a um contador de nanopartículas chamado CPC (Condensation Particle Counter )

“Este equipamento, disponível no Laboratório de Física da Atmosfera da IF, é muito sensível”, diz Artaxo. “Foi adquirido para medir nanopartículas suspensas na atmosfera, que afetam o clima, e foi adaptado em laboratório para esse uso”.

Em testes com diferentes materiais, a eficiência da filtração variou de 60% a 97%.

A prioridade dos testes são as máscaras utilizadas nos hospitais, que devem ser feitas de TNT, um tipo de “tecido” de plástico. No entanto, máscaras feitas de tecidos de algodão também começaram a ser testadas e serão produzidas para uso doméstico.

“Alguns TNTs têm 97% de eficiência na retenção de partículas, semelhante ao material de máscara necessário para as equipes médicas que lidam diretamente com pacientes infectados. Outros são piores que os tecidos convencionais”, diz Vanderley John.

“Algumas máscaras grossas de algodão de camada única, que são baratas e podem ser facilmente esterilizadas por ebulição, podem ser 60% eficientes”, descreve o professor da Poly. “Os produtos com esse nível de eficiência podem ser bons para quem sai ou faz compras e pode ser exposto ao vírus momentaneamente, mas todos podem se beneficiar do aumento da proteção”.

Produção

O professor Artaxo ressalta que os resultados permitirão a seleção industrial de materiais em massa. “Como atualmente não há lugar no mercado internacional para comprar essas máscaras em grandes quantidades, teremos que adaptar novos materiais e testá-los com a nossa tecnologia”, diz ele. “Também serão feitas recomendações para a melhor construção de máscaras caseiras, para que elas ofereçam a maior proteção possível à população”.

O método de teste foi desenvolvido para auxiliar a equipe de desenvolvimento multidisciplinar no núcleo de Soluções Inovadoras para Pesquisa Interdisciplinar (Iris) do InovaUSP, que envolve designers, médicos, engenheiros, físicos e químicos na seleção de entradas para o projeto (¡ O Breathe! Produzirá 1 milhão de máscaras para proteger os 8.000 profissionais da equipe do hospital público, gerando renda para 100 famílias de costura.

“No caso das empresas, os testes serão realizados em troca da doação de produtos com bom desempenho ou recursos financeiros, que irão para hospitais públicos”, diz o professor da Poli. “Para ONGs com projetos relevantes, faremos isso de graça.”

Coordenado pelo InovaUSP, o projeto (respire! Possui a participação do IF, Poli, Hospital das Clínicas da FMUSP e InovaHC – Imagem: divulgação

A página web InovaUSP Tem mais informações e um formulário para os interessados. A produção de máscaras por costureiras está sendo organizada por uma empresa social chamada Social Fabric.

“Também temos outros parceiros de negócios que compartilham conhecimento e começam a fazer doações”, diz o professor da Poli. “Certamente, mais parceiros participarão do projeto nos próximos dias, dada sua importância social neste momento crítico do mundo”, conclui.

A iniciativa conta com a participação do IF, do Departamento de Engenharia da Construção Civil Poli, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do InovaHC, com a coordenação do Iris InovaUSP.

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