Adeus praias! Veja como seria a Terra se o gelo polar derretesse 28/04/2020

Adeus praias! Veja como seria a Terra se o gelo polar derretesse 28/04/2020

Uma das conseqüências mais óbvias do aquecimento global é o derretimento das geleiras em todo o planeta. No Ártico, as áreas congeladas do mar diminuíram em Taxa de 12,85% por década desde a década de 80. A Antártica, por outro lado, perde gelo a uma taxa média de 145 gigatoneladas por ano.

Diante desses fatos, é impossível não pensar: como seria se o gelo nos pólos derretesse? Bem, saiba que esse cenário teria um enorme impacto no aumento do nível do mar, mas iria muito além.

26º andar submerso

As medições desde 1993 mostram que os oceanos aumentaram a uma taxa de 3,3 milímetros por ano. À medida que o derretimento das geleiras acelera, a tendência é que essa taxa aumente.

O derretimento do Ártico é o menor dos problemas. Afinal, naquela região o gelo já está no mar, e a mudança no volume de água de sólido para líquido teria pouco impacto nesse sentido.

O maior problema aqui é derreter geleiras em massas terrestres, como na Antártica, que registrou temperaturas recordes este ano, e na Groenlândia. O volume de gelo na Antártica é próximo a 30 milhões de quilômetros cúbicos, enquanto na Groenlândia é de 3 milhões de km³, o que corresponde a 90% do gelo na terra.

Você sabe o que aconteceria se essas geleiras derretessem juntas? Estima-se que o nível médio dos oceanos suba cerca de 70 metros.

Para se ter uma idéia, nessa situação, o proprietário de um apartamento no 26º andar de um prédio na costa não teria mais uma bela vista do mar, mas obteria água salgada na altura da janela. Seria o fim das praias e praticamente todas as cidades costeiras do mundo acabariam submersas.

Cerca de 10% da população mundial vive em cidades costeiras a menos de dez metros acima do nível do mar e 40% da população mundial vive à distância. distância de até 100 km da costa. Em outras palavras, esse cenário significaria uma crise humanitária sem precedentes, com milhões de mortes.

Portanto, haveria um intenso fluxo migratório em direção ao interior dos continentes, ao mesmo tempo em que ocorreriam profundas mudanças na geografia do globo. No lugar Mapa de inundação É possível simular o efeito do aumento do nível do mar. Observe como o litoral brasileiro e parte da Amazônia estão sendo “devorados” pela água.

Espécies mais ameaçadas

A humanidade já estaria bem comprometida, mas outras espécies animais sofreriam mais severamente com as conseqüências do derretimento das geleiras. Os animais associados a ambientes frios, como pinguins, focas e ursos polares, enfrentariam uma séria ameaça de extinção.

Eles não seriam os únicos. Geleiras em lugares como Groenlândia e Antártica são feitas principalmente de água doce. Uma vez no mar, alteraria a salinidade do oceano e, consequentemente, teria um impacto considerável na vida marinha. As espécies que vivem no mar são adaptadas a uma salinidade de 35 ppm (35 gramas de sal em um litro de água) e qualquer mudança nos mesmos significaria colocar suas vidas em risco.

Clima mais severo

A reação em cadeia continuaria. Mudanças na salinidade e temperatura nas águas marinhas também mudariam as correntes marinhas. Isso, por sua vez, teria tudo para intensificar as catástrofes climáticas. Vale lembrar que fenômenos como El Niño e furacões estão intimamente relacionados à temperatura do mar.

O novo fluxo de correntes afetaria o regime de chuvas em vários locais. Não seria surpreendente, portanto, ver áreas úmidas cada vez mais secas e vice-versa. Isso alteraria a flora e fauna do mundo, bem como o potencial de prejudicar vários aspectos da atividade humana, como a produção de alimentos.

Efeito bola de neve (sem neve)

Um dos aspectos mais críticos do derretimento das geleiras seria a liberação de uma enorme quantidade de carbono na atmosfera.

Aqui temos o que pode ser chamado de um desastre auto-sustentável. Quanto mais carbono houver na atmosfera, maior será o efeito estufa. Isso, por sua vez, aumenta a temperatura do mundo e faz com que mais gelo derreta, jogando mais carbono no ar, para que o ciclo continue.

Altas temperaturas afetam o equilíbrio ambiental do planeta. Assim, tende a acelerar a destruição de florestas tropicais que ajudam a regular o clima da Terra e também são responsáveis ​​pelo seqüestro de carbono. Sem florestas, os efeitos de todas essas mudanças climáticas apenas crescerão.

A qualidade do ar também pioraria consideravelmente, pois concentrações mais altas de carbono tornam a água do mar mais ácida e afetam o ciclo de vida das algas produtoras de oxigênio. Com ar com mais carbono e menos oxigênio, maior o aparecimento de doenças respiratórias. Em outras palavras, acabaria em colapso dos sistemas de saúde em todo o mundo.

Ah, e existe o chamado albedo, que é a capacidade de uma superfície refletir a radiação solar. As superfícies congeladas são responsáveis ​​por cerca de um terço do albedo da Terra. Sem eles, a tendência é que o planeta absorva mais radiação e, adivinhe, esquente.

Adeus permafrost

Para fechar o pacote de problemas, quanto mais o aquecimento global esquenta e mais o gelo derrete, as camadas mais profundas do solo congelado também derreterão. Essas camadas são chamadas de permafrost e foram permanentemente congeladas por milhares de anos.

Quando o gelo nesse solo derreter, não apenas liberaremos toneladas e toneladas de gases de efeito estufa como o metano da decomposição do material orgânico presente no permafrost, mas também a possibilidade de retorno de vírus e bactérias “esquecidos” ” para ativo.

Fontes: Alessandro Batezelli, professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Paulo Artaxo, professor do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP)

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