Além do digital: as habilidades humanas determinarão seu trabalho no futuro

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A revolução no trabalho será exponencial; as mudanças devem acompanhar essas transformações (Freepik)

Ontem comemoramos o Dia do Trabalho no Brasil e em vários outros países. A data sempre foi muito oportuna para fazermos um balanço de todas as conquistas, avanços e desafios que ainda estão presentes nesta atividade tão antiga e fundamental para a humanidade. Com a crise trazida por coronavírus, o momento ganha ainda mais importância e um profundo grau de apreensão. Afinal, todos nós vimos as manchetes sobre a pandemia agora focadas em impactos negativos na saúde pública e uma vez na economia, especialmente no trabalho e emprego. E o medo faz muito sentido: informar Publicado pela organização internacional Oxfam, a pandemia de coronavírus pode levar 500 milhões de pessoas à pobreza em todo o mundo.

No Brasil, a situação também é alarmante, uma vez que a crise pode aprofundar ainda mais a lacuna existente no mercado de trabalho. De acordo com dados de IBGE, nosso país tem cerca de 38 milhões de trabalhadores informais, somados aos 12 milhões de cidadãos desempregados, grupos altamente vulneráveis ​​aos efeitos econômicos causados ​​pela pandemia. Estimativas A Fundação Getúlio Vargas já mede o impacto da crise: em março, o Indicador Anterior de Emprego (IAEmp), que mede tendências do mercado de trabalho, teve o pior desempenho desde 2016, atingindo 82,6 pontos, representando também o segundo mais alta queda histórica, superada apenas pela observada em 2008.

Apesar de toda a sua gravidade, a crise que estamos enfrentando agora faz parte de um contexto mais amplo de mudanças no mundo do trabalho e do emprego que estão no horizonte há alguns anos. Existem vários elementos que estimulam essa transformação, especialmente a chamada quarta revolução industrial: a adoção de novas tecnologias digitais que estimulam o surgimento de novas profissões e o desenvolvimento de novas habilidades.

O trabalho futuro e o futuro do trabalho foram amplamente debatidos na reunião do Fórum Econômico Mundial, realizada em janeiro deste ano, em Davos, na Suíça. Especialistas Eles alertaram sobre os riscos de não atender às necessidades impostas pela transformação tecnológica: entre os países do G20, que podem representar uma perda econômica equivalente a US $ 11,5 trilhões do PIB, sem considerar os custos humanos.

Precisamos enfrentar os desafios colocados pela pandemia no mundo do trabalho, enquanto nos preparamos para garantir que todas as oportunidades geradas pela transformação digital sejam efetivamente aproveitadas. Quanto mais cedo começarmos, melhor seremos.

Cada vez mais digital e ainda mais humano

Um expectativa é esperado que 1,1 bilhão de empregos sejam afetados por novas tecnologias na próxima década, mas, ao contrário do que se pensa, o balançado É positivo: enquanto 75 milhões de empregos devem ser cortados devido à automação, 133 milhões de novas oportunidades devem surgir devido à tecnologia.

Também é um erro acreditar que os trabalhos do futuro serão marcados exclusivamente pelas ciências exatas ou por conhecimentos essencialmente técnicos, como inteligência artificial ou análise de dados.

De fato, um investigação publicado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que existem 96 “profissões de amanhã”. São profissões que devem ser desenvolvidas nos próximos anos e divididas em grandes grupos: pessoas e assistência médica, vendas, marketing, “economia verde”, recursos humanos e desenvolvimento de produtos. Sem surpresa, a engenharia, a computação de dados e a inteligência artificial também desempenharão um papel fundamental.

Nesse cenário de mudança, precisaremos de profissionais para poder desenvolver novas habilidades e competências. Embora tenham definições diferentes, existe um consenso relativo de que esses termos descrevem as habilidades adquiridas com o treinamento, a experiência ou o estudo. Eles podem estar relacionados a aspectos técnicos (por exemplo, programação do sistema), comportamentais (capacidade de trabalhar em grupo) e também cognitivos (como o pensamento estratégico).

Com a pandemia, por exemplo, muitos de nós tiveram que desenvolver uma habilidade muito específica: a de trabalhar remotamente. Pode parecer que o exercício seja algo simples e até muito confortável; afinal, muitos sonhavam em trabalhar no conforto de casa. Mas, após alguns dias, o novo acordo profissional mostrou sua verdadeira complexidade: é preciso disciplina, organização, foco, dedicação e resistência para tornar a experiência do escritório em casa agradável e, acima de tudo, produtiva. Por outro lado, as empresas também tiveram que adaptar seus processos “do dia para a noite”, adaptar-se à legislação e garantir os insumos necessários para os trabalhadores, como notebooks. Ainda estamos nos adaptando a esse novo contexto, mas tudo indica que o trabalho remoto não será apenas tendência passageiro, já que a modalidade deve crescer 30% mesmo após o final da crise.

Cada profissão e contexto deve exigir um conjunto específico de habilidades e competências. Mas é interessante notar que, mesmo com a transformação digital, habilidades puramente técnicas não são destacadas, mas humanas. Atributos como criatividade, pensamento crítico, curiosidade, persuasão e negociação serão tão importantes quanto o conhecimento matemático ou computacional. Em outras palavras, a transformação digital nos tornou ainda mais importantes e mais humanos.

Aprendizagem e o papel de governos e empresas.

Freepik

As informações estão sendo atualizadas, novas tendências estão surgindo e os trabalhadores precisam fazer a transição para um mundo onde o aprendizado se torna constante; alguns especialistas chamam isso de “aprendizagem ao longo da vida”.

Hoje, conceitos como aprimoramento e capacitação já são muito comuns. O primeiro indica “melhoria”, ou seja, o desenvolvimento de novas habilidades em um campo em que já se tem comando. A qualificação, por sua vez, refere-se à “requalificação”, o ato de aprender novas habilidades para realizar um trabalho diferente. A transição digital pela qual governos e empresas estão passando exigirá especialmente ações para requalificar profissionais: aprender novas habilidades relacionadas à tecnologia.

Ações de melhoria e atualização serão muito importantes no futuro e não poderão ser uma preocupação apenas dos trabalhadores. Governos e empresas devem participar do esforço para melhorar e desenvolver constantemente seus profissionais. Isso se torna ainda mais verdadeiro se considerarmos o contexto brasileiro e as expectativas da geração Z: devemos aproveitar as possibilidades oferecidas pela transformação digital para inserir o maior número de jovens em empregos qualificados com alta possibilidade de retorno.

Para tecnologia e inovaçãoExistem muitos exemplos de como isso pode ser realizado. A plataforma Brasil mais digitalPor exemplo, oferece cursos de tecnologia em formato de ensino a distância, ou seja, ensino a distância. Já existem mais de 420.000 estudantes fazendo um portfólio de 800 cursos técnicos e comportamentais. Outros iniciativa Foi desenvolvido pela Microsoft e pela Amazon, em parceria com o Sesi e o Senai, para oferecer cursos de inteligência artificial.

As instituições que oferecem cursos no modelo também oferecem infinitas possibilidades. campo de treinamento: treinamento intensivo, em curto espaço de tempo, que promete formar profissionais para o mercado de trabalho. Muitos deles foram escolhidos pelos jovens no início de suas carreiras e os resultados são muito positivos. Um Geração Brasil É um desses exemplos. A organização começou a operar no Brasil no ano passado e vem treinando desenvolvedores de software em um curso completo de 12 semanas. Em 2020, 1.000 estudantes serão treinados e empregados em empresas de tecnologia.

Ainda há muito a investir em programas de educação continuada nas empresas, em cursos oferecidos com educação a distância e também em treinamentos práticos com exemplos reais do mundo do trabalho. O mais importante é reconhecer que as mudanças são profundas e devem transformar todo o mercado de trabalho; portanto, cada um de nós tem uma contribuição a fazer.

Oportunidades e responsabilidades.

A transformação digital traz alertas e oportunidades.

Se, por um lado, as mudanças tecnológicas são inevitáveis ​​e já estão em pleno desenvolvimento, por outro, viveremos um futuro em que os seres humanos serão cada vez mais necessários e relevantes. Mas, para que isso se torne realidade e não mera previsão, devemos garantir que essa revolução esteja a nosso favor, desenvolvendo o conjunto de habilidades e competências necessárias para que possamos operar as tecnologias e utilizá-las em todo o seu potencial.

Como na revolução industrial do início do século 19, enfrentamos uma preciosa oportunidade de transformar o mundo do trabalho. Nossas ações determinarão se podemos reescrever a história, tornando o trabalho para todos próspero, inclusivo, responsável e valioso. Que podemos escolher rapidamente e bem.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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