Anderson Silva de Stephan Bonnar: “Aquele que me deixou sem condições de continuar a luta” | combate

A luta entre Anderson Silva e Stephan Bonnar, que aconteceu no UFC Rio 3, ou UFC 153, em 2013, foi um dos muitos shows que Spider deu em solo brasileiro. No auge da forma, titular do cinturão de médios da organização, Anderson foi chamado às pressas para salvar a luta, pois José Aldo, que estaria na luta principal contra Frankie Edgar, se machucou e teve que saia do torneio.

Anderson Silva e Stephan Bonnar se conheceram no UFC Rio 3 em 2013 – Foto: Getty Images

Em conversa com o Las Vegas Direct Combat (EUA), Bonnar lembrou como foi chamado para ajudar a salvar o evento, revelando que estava praticamente aposentado e achava que nunca mais lutaria. No momento da ligação, ele estava com amigos em um barco, pescando lagostas em Tampa, Flórida.

O Anderson acabava de defender o cinturão contra o Chael Sonnen pela segunda vez, e foi uma luta tranquila para ele. Ele não foi danificado como na primeira luta. Na época eu trabalhava no UFC, tinha um trabalho burocrático, tinha plano de saúde e salário, tinha dado um passo atrás na carreira de lutador e me tornado funcionário. Quando me ofereceram a luta, eu estava de férias em Tampa, Flórida, por algumas semanas para ajudar Dave Bautista, que agora é um ator de Hollywood na WWE. Na época, ele lutava uma luta de MMA e eu não lutava fazia um bom tempo, nem treinava sério. Ele era funcionário do UFC e achava que estava aposentado. Ele ainda estava se exercitando e não queria ir para a luta livre profissional. Após duas semanas de treinamento em Tampa, ele estava com alguns amigos em um barco, pescando lagostas. De repente recebi uma ligação do UFC me oferecendo a luta contra o Anderson Silva. Foi louco. Eu nunca esquecerei aquilo. “Sou sério?” Como isso acontece? Achei que o José Aldo faria a luta principal.

O ex-lutador disse que ficou paralisado ao ouvir a oferta de Dana White para fazer a luta principal do UFC Rio 3 contra Anderson Silva. Para ele, não havia como recusar.

Mas Dana me disse ao telefone que Aldo havia se machucado e que teriam que cancelar o evento, que custaria milhões de dólares. Anderson recebeu vários nomes e ele escolheu o meu. Meu empresário estava em Las Vegas pressionando para que eu fosse eleito e eu, no navio, não sabia de nada. Quando escolheram meu nome, recebi a ligação e fiquei paralisado. Foi literalmente a última coisa em minha mente na época. Fiquei muito surpreso, e como posso dizer não a algo assim? Na minha cabeça, eu estava completamente fora da cena de luta, realmente aposentado. Eu sabia que estava no fim da minha carreira e meu corpo estava se esgotando fisicamente. Ele não vinha de uma seqüência de três ou cinco vitórias consecutivas e queria um grande nome para uma última luta.

Com o objetivo, na melhor das hipóteses, de conseguir uma boa luta para pendurar as luvas permanentemente, Bonnar viu seu desejo se materializar após Dana White se recusar a lhe dar uma última luta contra um grande nome alguns meses antes.

Anderson Silva nocauteou Stephan Bonnar no primeiro round no UFC Rio 3 – Foto: Getty Images

– Não procurei mais o cinto. Eu só queria dizer adeus gloriosamente em uma última grande luta. Mas Dana achava que não. Ele tinha falado comigo algum tempo antes e me disse que tal luta não aconteceria. Você não vai ser um técnico do TUF e depois ganhar o cinturão ou se aposentar. Então eu disse que só queria me aposentar em uma grande luta, mas ele não concordou e me pediu para trabalhar com eles. Eu aceitei. A partir de então, minha cabeça não estava mais voltada para a luta. Mas, de repente, essa conexão veio, e era tudo o que eu tinha sonhado. Uma grande luta para eu me aposentar. Eu não pude dizer não. Se eu recusar, todo o cartão será cancelado. Ele tinha parado de lutar, estava aposentado, mas foi a luta principal contra o Anderson Silva no Brasil. Eu aceitei.

O americano lembrou o clima da cidade para a luta, e disse que os treinos abertos, que aconteceram nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, sob um sol de mais de 40 graus, não o incomodaram, pois mora em Las Vegas, que está localizada no meio do deserto de Nevada.

– Eu estava lá com o Sérgio Penha. Ele me levou ao Rio e foi muito legal. Fui ao Brasil em 2003 lutar contra o Lyoto Machida e fui para a antiga academia do Carlson Gracie e o conheci. Foi muito bom ir para o Rio. Havia uma grande rivalidade entre as duas academias, de Oswaldo Alves e de Carlson Gracie. Já estive em ambos e eles não são tão modestos quanto as academias americanas. Mas foi bom conhecer a cultura da luta no Brasil e conhecer tantas lendas e treinadores do jiu-jitsu junto com Sérgio. O que eu lembro do treinamento aberto é que não havia muita pressão sobre mim. Eu estava me divertindo na maior parte do tempo. Mas ouvi alguns gritos de “Uh, você vai morrer!”, Mas também respondi bem (risos). Foi divertido. Não estava tão quente quanto eles afirmavam. Eu moro em Vegas, estou acostumada. Havia muito espaço e pude realçar meu bronzeado (risos). Enfrentei o Anderson Silva no Rio. Foi incrível ver isso em outdoors e pôsteres em pontos de ônibus por toda a cidade. Tive de perder peso, mas dei uma volta pela cidade para experimentar alguns alimentos locais. Foi bom. Fui à praia de bermuda e me senti como um peixe fora d’água, pois todo mundo vestia maiô menos eu.

Por falar em luta, Bonnar lembra de ter ficado nervoso e tonto no começo, mas sentiu que, aos poucos, foi ficando mais confortável na frente de Spider.

– Eu verifiquei a luta. Fiquei tenso, atordoado, porque estava muito nervoso e sabia disso. Não podia deixá-lo ficar confortável e queria desabafar esse nervosismo na luta e entrar em uma zona segura para mim. Quando entramos no clinche, dei alguns socos curtos e tentei derrubá-lo, mas me perdi um pouco. Lembro-me de ter pensado: “Seu melhor tiro é o gancho de direita.” Funcionou bem quando ele o usou no balcão, assim como contra Chael e Okami. Ele me atingiu com um deles e eu não fui tão ruim. Olhei para a tela e faltavam 30 segundos para o final do primeiro round. E eu pensei: “É ótimo …”

Stephan Bonnar tentou enfrentar Anderson Silva em pé no UFC Rio 3 – Foto: Getty Images

Segundo ele, houve uma tentativa de levar a luta para o chão, mas a ideia de perder o assalto caso caísse de baixo o fez desistir e começar a manter a luta. E isso, na sua opinião, foi seu erro.

– Eu poderia continuar assim por mais alguns rounds e dar uma boa luta para o Anderson. Mas achei que ele tinha algum tipo de arma secreta contra mim. Tentei colocá-lo no chão novamente. Foi uma boa ideia estar com ele no chão, mesmo por baixo. Funcionaria, porque pode cansar um pouco. Mas aí achei que poderia perder a rodada, porque estava muito perto. Se terminasse o assalto por baixo, poderia perdê-lo e, se me levantasse, poderia acertar alguns tiros e ganhar o assalto. Esse foi meu grande erro. Quando decidi lutar em pé, ele empurrou-me para a grelha, bati e voltei e usei esse impulso para dar ainda mais força ao meu joelho. Eu vi o joelho chegando, mas ficou entre meus cotovelos. Lá, não importa o quão forte você seja, quando o golpe é certo, você cai na posição fetal. Lembro-me, quando estava no chão, batendo com a cabeça e deixando cair os braços. “Graças a Deus ele está batendo na minha cabeça, porque não quero que ele bata no meu corpo de novo.” Isso foi tudo. A luta acabou.

Anderson Silva comemora vitória sobre Stephan Bonnar no UFC Rio 3 – Foto: Getty Images

Segundo o americano, Anderson Silva tem o poder de manipular seus adversários para deixá-los à vontade durante as lutas e abrir brechas para ele liquidá-los. Segundo Bonnar, nunca ninguém havia batido nele com tanta força, a ponto de incapacitá-lo para seguir em uma luta como o de Anderson Silva.

– É assim que posso descrever. O Anderson te manipula, te faz pensar que a luta não vai ser ruim para você, e você relaxa um pouco. Foi assim comigo e encontrou a lacuna. O menino é um dos melhores de todos os tempos. Eu estava lá com ele, trocando golpes, compartilhando a gaiola. Já lutei com mais de 30 caras, incluindo sete campeões mundiais, e ninguém me impediu. Na luta contra o Machida eu queria continuar, mas eles pararam por causa de um corte profundo. Eles disseram que eu não poderia continuar. Fora isso, ninguém havia me atingido com tanta força em toda a minha carreira quanto o Anderson. Ele foi o único que me deixou realmente incapaz de continuar uma luta. Tiro meu chapéu para ele.

Para Bonnar, Anderson é um lutador que precisa que suas lutas sejam valorizadas independentemente do resultado. Apesar de ter idade avançada (45 anos) para o MMA de alto nível, o brasileiro tem qualidade para atuar bem. O americano também lembra que, se foi derrotado hoje, aos 30 anos nem foi tocado pelos adversários.

– O Anderson sempre foi muito rápido. As corredeiras podem lutar até mais tarde, porque quando ficam mais velhas diminuem a velocidade e passam a ter uma velocidade normal. Ele tem 45 anos. Lembre-se da luta contra Daniel Cormier. Ele lutou muito bem. As pessoas não apreciam esse tipo de coisa. Cormier havia sido um campeão dos pesos pesados. O Anderson foi um ninja nessa luta. Qualquer um que governe o mundo desde que tenha que estar no grupo dos maiores de todos os tempos. Hoje ele tem mais de 40 anos e as pessoas o veem como uma coroa. Mas aos 30, ninguém conseguia nem tocá-lo. E eles só fizeram isso quando ele ficou mais velho. Isso é algo que vale a pena dizer sobre Anderson Silva.

A Combate mostra o card completo “UFC Hall x Silva” ao vivo e exclusivamente no próximo sábado, com o “Combat Warming” a partir das 16h30 (horário de Brasília), e início das lutas a partir das 5 : 00 pm. A Combate.com é o SporTV 3 mostra as duas primeiras lutas ao vivo, e o site acompanha todo o evento em tempo real.

UFC Hall x Silva
31 de outubro de 2020 em Las Vegas (EUA)
CARTÃO PRINCIPAL (20:00 EST):
Peso médio: Uriah Hall x Anderson Silva
Pena de peso: Bryce Mitchell x Andre Fili
Peso médio: Kevin Holland x Charlie Ontiveros
Peso pesado: Maurice Greene vs. Greg Hardy
Peso leve: Bobby Green x Thiago Moses
CARTÃO PRELIMINAR (17:00 EST):
Peso leve: Chris Gruetzemacher x Alexander Hernandez
Peso francês: Adrián Yáñez x Víctor Rodríguez
Peso médio: Sean Strickland x Jack Marshman
Peso médio: Cole Williams x Jason Witt
Peso pesado: Dustin Jacoby x Justin Ledet
Peso mosca: Cortney Casey x Priscila Pedrita
Peso gaulês: Miles Johns x Kevin Natividad

UFC Hall x Silva: Spider Legend está de volta ao vivo e exclusivo para o combate!

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About the Author: Ivete Machado Castilho

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