Anônimo: por que os ativistas cibernéticos estão novamente em destaque – 02/06/2020

Anônimo: por que os ativistas cibernéticos estão novamente em destaque - 02/06/2020

As pessoas que dizem estar ligadas ao grupo retornam à ação em meio a grandes protestos nos Estados Unidos contra o assassinato de George Floyd pela polícia e em meio à crise política no Brasil.

Os ativistas cibernéticos que operam sob o codinome Anonymous retornaram das sombras no momento em que o Brasil e os Estados Unidos estão passando por situações turbulentas nas ruas.

O coletivo tinha presença regular na imprensa, promovendo ataques cibernéticos contra aqueles a quem acusa de injustiça.

Após anos de relativo silêncio, o grupo ressurgiu em meio a protestos em Minneapolis (EUA) após a morte de George Floyd, um homem negro estrangulado por um policial branco em uma abordagem.

O coletivo prometeu expor “muitos crimes” cometidos pela polícia de Minneapolis ao mundo.

E na segunda-feira (01/06), uma conta no Twitter atribuída ao Anonymous Brazil revelou supostos dados pessoais do Presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, bem como ministros do governo, empresários e políticos bolsonares.

Endereços, números de telefone e informações de propriedades foram divulgados. Não se sabe se a informação era verdadeira. O Twitter removeu as postagens e baniu o perfil do grupo por violar as regras da plataforma.

Apesar do reaparecimento do Anonymous, não é fácil descobrir qual é realmente o trabalho do coletivo. Os dados publicados não diferem muito do que pode ser encontrado gratuitamente em sites como o Tribunal Superior Eleitoral ou o Portal da Transparência.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, pediu à Polícia Federal que investigasse o vazamento. No Twitter, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que foi vítima de um movimento contra “famílias patrióticas”.

“Nossas casas não são mais seguras. Eles querem nos calar”, disse ele.

Quem é anônimo?

O grupo não tem liderança ou estrutura formal. Eles se definem como uma “legião”, que afirma ser composta por um grande número de indivíduos.

Sem um comando central, qualquer pessoa pode reivindicar participação no coletivo.

Isso significa que os membros podem ter prioridades radicalmente diferentes e que a organização não possui uma única agenda.

Em geral, são ativistas que visam aqueles que consideram usar o poder negativamente.

Eles agem publicamente, como quando atacam sites e os removem.

Seu símbolo é a máscara de Guy Fawkes, mais conhecida nos quadrinhos. V de vingança, em que um revolucionário anarquista luta contra um governo corrupto e fascista.

O que fazem?

Várias formas de ataques cibernéticos foram atribuídas ao Anonymous no caso de protestos pela morte de George Floyd, nos Estados Unidos.

Primeiro, o site da polícia de Minneapolis foi desativado no fim de semana depois de ter sofrido um ataque DDoS (Negação de Serviço Distribuída).

Essa é uma forma simples, porém eficaz, de ataque cibernético que inunda um servidor com dados até que ele pare de responder. É o que acontece, por exemplo, quando muitas pessoas entram em um site pequeno ao mesmo tempo e o desmontam.

Um banco de dados de endereços de e-mail e senhas que seriam para membros do departamento de polícia da cidade está circulando e é atribuído a um ataque anônimo.

Mas não há evidências de que policiais tenham sido hackeados.

Uma página no site de uma pequena agência da ONU se tornou um monumento a George Floyd. O conteúdo do site foi substituído pela mensagem: “Descanse em poder, descanse em paz, George Floyd” com um logotipo anônimo.

No Twitter, os posts também se tornaram virais, mostrando estações de rádio da polícia aparentemente tocando música e impedindo a comunicação entre os policiais.

No entanto, especialistas dizem que é improvável que tenha sido um ataque. Eles dizem que a música pode estar em um pen drive confiscado dos manifestantes pelos policiais, se os vídeos forem autênticos.

Ativistas anônimos também estão divulgando alegações de longa data contra o presidente Donald Trump, com base em um processo que foi voluntariamente fechado por aqueles que acusaram o administrador.

O retorno do grupo é credível?

A morte de George Floyd levou ao que o correspondente da BBC de Nova York Nick Bryant descreveu como a agitação racial e civil mais abrangente nos Estados Unidos desde o assassinato de Martin Luther King em 1968.

Nesse contexto, uma página do Facebook supostamente vinculada ao Anonymous publicou um vídeo sobre a morte de Floyd, no qual ele citou outros supostos crimes cometidos pela polícia de Minneapolis e ameaçou agir.

A mesma página do Facebook publicou vídeos semelhantes de OVNIs e “planos da China para dominação global” nas últimas semanas. Nos dois vídeos e no Floyd’s, uma voz distorcida eletronicamente discutiu histórias sobre os problemas.

Mas a página só recebeu mais atenção depois que a polícia de Minneapolis fechou seu site.

Esse é o tipo de ação pela qual o Anonymous é conhecido?

A primeira grande operação do Anonymous a ganhar a notícia foi contra a Igreja de Scientology em 2008. O grupo usou ataques DDoS para remover alguns dos sites da organização. Piadas por telefone e mensagens de fax também foram enviadas para interromper as comunicações da entidade.

No ano seguinte, em meio à crise financeira global, o grupo apoiou o movimento Primavera Árabe e atacou a Sony Entertainment por sua tentativa de impedir a pirataria de plataformas PlayStation 3, além de apoiar os protestos de Occupy Wall Street.

Eles continuaram a apoiar casos semelhantes e realizaram atos contra o estabelecimento em todo o mundo, mas sua projeção na mídia diminuiu nos últimos anos.

No entanto, a imagem revolucionária e o desejo de lutar contra entidades poderosas parecem ter apelo nas atuais crises pelas quais os Estados Unidos e o Brasil estão passando.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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