Apesar da pressão dos EUA. EUA, Huawei mantém suas ambições 21/05/2020

Shenzhen, China, 21 de maio de 2020 (AFP) – Apesar da pressão dos Estados Unidos, a gigante chinesa de telecomunicações Huawei está avançando em seus ambiciosos projetos, como expandir seu campus para treinar seu número crescente de funcionários.

Os Estados Unidos tentam há 18 meses bloquear o fornecimento de semicondutores a essa empresa, que considera um risco à segurança nacional.

Mas enquanto os funcionários da Huawei falam de “crise” em seu imenso campus na capital do sul da China, Shenzhen, as ambições da empresa continuam a crescer.

A nova pressão dos Estados Unidos “naturalmente causou alguma preocupação”, reconhece o vice-presidente da Universidade Huawei, Ryan Liu. “Mas eu trabalho para a Huawei há muitos anos e estamos confiantes de que a empresa nos guiará no caminho certo”, diz ele.

O Departamento de Comércio dos EUA disse na sexta-feira passada que está intensificando os esforços para impedir que a Huawei acesse semicondutores, as chaves de seus produtos e cuja ausência comprometa sua “sobrevivência”, segundo a gigante chinesa.

“Se você se apegar ao espírito dessa decisão, ela terá um grande impacto na Huawei”, diz Kelsey Broderick, analista da consultoria Eurasia Group, que vê a capacidade do grupo de obter seus próprios semicondutores tão baixos.

Enquanto isso, em Shenzhen, lar de várias grandes empresas de tecnologia chinesas, os projetos da Huawei estão avançando.

A empresa passou de 180.000 para 194.000 funcionários e em 2019 cresceu 19% em seus negócios globais, apesar da pressão.

É o caso da expansão da “cidade europeia”, um complexo onde vivem 25.000 funcionários, localizado próximo a um lago e que possui sua própria rede ferroviária com paradas com nomes como “Paris”, “Bolonha” ou “Heidelberg”, todos eles com arquitetura que se assemelha a essas cidades. Atualmente, existem onze áreas temáticas desse tipo e outra está sendo construída.

A Universidade Huawei mudará em agosto para um lugar mais novo e maior, também no estilo “europeu”.

Washington teme que o governo chinês use a rede de telecomunicações da Huawei em todo o mundo para espionar ou sabotar.

A empresa se tornará líder mundial em tecnologia de Internet móvel 5G, e Washington está tentando convencer outros países a renunciarem a seu material por razões de segurança.

O atual presidente da Huawei, Guo Ping, disse nesta semana que os Estados Unidos estão realmente agindo com medo de perder a hegemonia tecnológica para as empresas chinesas.

Os Estados Unidos já conseguiram impedir a Huawei de acessar o sistema operacional Android do Google para seus telefones celulares, uma decisão que levou a empresa a criar seu próprio sistema, chamado HarmonyOS.

Nesse sentido, bloquear o acesso a semicondutores poderia melhorar o papel da HiSilicon, uma subsidiária da Huawei nesse setor.

“Esse desafio criará uma sensação mais profunda de crise, mas nossa resposta é fazer bem o nosso trabalho e confiar que o trabalho duro será recompensado”, disse Liu.

A Universidade Huawei teve que fechar suas 40 salas de aula físicas em janeiro devido ao coronavírus, mas as aulas on-line continuaram para seus funcionários na China, África, Europa e outros lugares, e eles retornaram pessoalmente em maio, disse Liu.

As aulas abrangem tópicos como gerenciamento ou alta tecnologia, e também são organizados cursos de duas semanas para novos funcionários sobre cultura corporativa e como lidar com a pressão.

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