As imagens mostram uma modelo e um senador chegando juntos em um andar de SP antes da denúncia de estupro; a balconista diz que perguntou: ‘onde estou?’ | São Paulo

A advogada da senadora afirma que as imagens deixam claro que ela não estava inconsciente, como disse à polícia ao chegar ao apartamento onde o senador estava hospedado em São Paulo e onde ocorreu o suposto estupro. O advogado da modelo reiterou que ela foi vítima de um crime sexual.

As cenas mostram o momento em que a senadora e a modelo estiveram juntas na saída da boate e entregaram as pulseiras que usavam. Então eles foram até a porta para sair. A esta hora, o relógio marcava 12h29, mas o clube informou à polícia que o time estava uma hora e meia adiantado.

Outra câmera gravou quando os dois caminharam pela calçada. Ele colocou o braço em volta dos ombros dela e então eles deram as mãos.

Na recepção do hotel, outra câmera registrou os dois. A imagem, que também acompanha a investigação, é de uma câmera de segurança do andar onde o senador estava hospedado, a poucos metros da boate.

A cena mostra quando Irajá e a modelo chegaram à recepção. Eles ainda estavam de mãos dadas. Ele, com um copo na mão. O senador falou com a recepcionista e recebeu a chave da suíte. Em seguida, os dois foram juntos para o elevador no final do corredor.

O senador abriu a porta, mas eles não entraram imediatamente. Irajá colocou a mão na cintura da mulher. Através da câmera dentro do elevador dá para ver que a modelo tocava no celular. Eles ficaram assim por cerca de 35 segundos.

De acordo com o depoimento da equipe da recepção do local, ao qual JN teve acesso, a modelo hesitou antes de entrar no elevador e perguntou ao senador “onde estou”. Ele respondeu: “você está no meu prédio”. Segundo o responsável, a mulher perguntou novamente onde ela estava e, nesse momento, o senador deu-lhe a morada do apartamento.

O oficial disse ainda que chamou um segurança no local, pensando que ela precisaria de ajuda, acreditando que a garota não iria querer entrar no elevador e subir até o quarto do senador. Quando o segurança chegou, a funcionária relatou que ficou surpresa com o fato de a mulher não querer entrar no elevador e perguntou duas vezes onde ela estava.

O oficial disse à polícia que, cerca de 5 minutos depois, subiu as escadas até o apartamento do senador e não ouviu nada que chamasse a atenção, mas percebeu que a porta estava entreaberta e voltou à recepção.

Pouco mais de duas horas depois, à 1h36, a Polícia Militar foi chamada pelo 190.

No boletim de ocorrência, a modelo afirma que bebeu, perdeu a consciência e só acordou com o senador por cima dela, fazendo sexo. No relato, a mulher afirma que não resistiu ou tentou retirá-lo por não conhecê-lo e temer por sua segurança.

Ela disse que depois disso foi ao banheiro, mandou uma mensagem para as amigas pedindo ajuda e que elas chamaram a polícia.

Senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO) é acusado de estupro

A modelo de 22 anos testemunhou esta semana. Disse que se lembra vagamente de chegar à discoteca e que, pelo que se lembra, chegou a tomar bebidas alcoólicas no local, mas não sabia o tipo de bebida.

Ele também disse que sua última memória foi quando ele estava dançando. A partir daí afirmou ter tido um “desmaio”, um período de amnésia, sem se lembrar, nem mesmo um lampejo do ocorrido.

Ainda de acordo com o depoimento, ele informou à polícia que “começou a recuperar a consciência, já com o senador por cima, mantendo, em suas palavras, a conjunção carnal”.

O senador Irajá também testemunhou e disse que conheceu a modelo em um almoço em restaurante no domingo (22), e que a conversa virou flerte. Depois do almoço, segundo a senadora, a modelo o convidou para uma festa na casa de uma amiga, onde se beijaram e trocaram carinhos.

O senador acrescentou que por volta das 20h, eles foram à discoteca. De acordo com seu depoimento, no clube eles se instigaram sexualmente e foram para o chão. O senador Irajá confirmou que os dois estiveram bebendo, mas disse que nenhum dos dois estava inconsciente.

Ainda assim, segundo o senador, eles fizeram sexo consensual. E em nenhum momento a modelo mostrou resistência ou disse que queria ir embora.

A senadora conta que depois disso ficou no banheiro até receber um recado de uma amiga da modelo dizendo que a jovem estava pedindo ajuda.

E que, ao sair do banheiro, a modelo tentou agredi-lo. O exame médico do senador deu negativo, o que para a defesa mostra que não houve luta física entre eles.

Em nota, o advogado da senadora disse que todas as imagens solicitadas, de todos os locais onde se encontravam naquela data, revelam exatamente o contrário do que dizia a modelo. Ou seja, segundo a advogada, as imagens revelam que vinham de mãos dadas, caminhando com calma e, mais do que isso, mostravam que ela havia mexido no celular, comportamento incompatível com alguém que supostamente não tinha capacidade e discernimento para suas ações.

A defesa afirma ainda que ao final das urnas prevalecerá a verdade e será provada a inocência do senador.

Na próxima semana, os investigadores devem ouvir de mais pessoas que estiveram com o senador e a modelo novamente.

A polícia também aguarda a chegada do exame toxicológico, que indicará se os dois usaram álcool ou drogas. E ele vai analisar as mensagens do celular da modelo, em busca de pistas que ajudem a esclarecer o que aconteceu dentro do apartamento.

Fachada do ‘Café de La Musique’, na Rua Jerônimo da Veiga, em São Paulo – Foto: Playback / GoogleStreetView

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