As principais conclusões do histórico rali indígena no Brasil

‘Recuperar o Brasil de um governo genocida’ foi o tema principal da 18ª edição do acampamento de terra livre (Acampamento Terra Livre), uma das maiores manifestações de populações indígenas que aconteceu em Brasília, capital do Brasil, entre os dias 4 e 14 de abril e contou com a presença de mais de 7.000 pessoas.

A pauta deste ano foi voltada para a proteção e demarcação de terras, considerando o Projeto de Lei 191/2020, que está em votação no Congresso e pode permitir a exploração de terras indígenas para mineração, hidrelétricas e outros projetos, e o Truco da discussão do Prazo na Suprema Corte.

O Free Land Camp não é apenas um protesto que acontece nas ruas; alcançou o status de voz das 305 etnias em espaços oficiais como o Supremo Tribunal de Justiça – onde Sônia Guajajara, Eloy Terena e Maurício Terena representaram o movimento em encontro com a Ministra Cármen Lúcia e o Ministro Dias Toffoli para falar sobre o agendas indígenas. Além disso, o porta-voz do grupo visitou a Embaixada da Noruega e participou da reunião virtual do Parlamento Europeu e das Nações Unidas para denunciar as violações dos direitos humanos.

Meses antes das próximas eleições presidenciais, nas quais o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são os principais candidatos, a política teve papel central no programa da manifestação: “Declaramos que este é o último ano do Governo genocida”, lê-se na apresentação do Campo Terra Livre na internet.

Além disso, Lula participou de uma das plenárias e prometeu, se eleito, revogar todas as medidas e leis que atentam contra os povos indígenas. Na ocasião, foram lançados mais de 30 candidatos indígenas a cargos políticos na tentativa de ocupar espaços legislativos. A deputada Joenia Wapichana disse: “Queremos um Brasil que respeite a água, respeite a floresta, respeite a mãe terra. Reconstrua com o povo”.

As lideranças indígenas na manifestação afirmaram que o governo Bolsonaro “aproveitou o isolamento forçado dos povos durante a pandemia para promover leis que ameaçam os direitos” garantidos na Constituição, negar acesso à saúde durante a pandemia de covid-19.

Com a presença marcante de jovens indígenas – cada vez mais visíveis nas plataformas nacionais e internacionais, falando sobre justiça ambiental e seus direitos – e a liderança das mulheres, a edição 2022 do Free Land Camp deu mais um passo em direção à diversidade; Também contou com uma mesa redonda dedicada à comunidade LGBTI+ e sua luta por uma vida livre de preconceitos.

A luta dos povos indígenas do Brasil, no entanto, não terminou com a dispersão da multidão em 14 de abril. A beleza da poesia recitada e cantada pelos participantes do comício e as cores de seus corpos pintadas com Jenipapo S urucum, símbolos de uma cultura forjada na luta secular por seus direitos, continuam sendo uma inspiração. “A poeira sobe diante dos sonhos que cantam e dançam pela Terra Livre”, dizem eles. É assim que os homenageamos neste Dia Nacional do Índio (19 de abril no Brasil) e na véspera do Dia da Terra (22 de abril).

Este artigo cita informações compartilhadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil durante a manifestação do Acampamento Terra Livre.

imagem por Kátia Braga.

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