Até 50 / dia: Marinha inicia produção de um ventilador pulmonar barato da USP – 11/05/2020

Equipe da USP trabalha 18 horas por dia para viabilizar ventiladores pulmonares baratos - 05/05/2020

A USP (Universidade de São Paulo) e o Centro Tecnológico do Exército de São Paulo (CTMSP) estão se preparando para iniciar a produção em escala do ventilador pulmonar de emergência Inspire de baixo custo, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Escola Politécnico (Poli). Pode ser produzido em até duas horas, com tecnologia nacional, a um preço muito mais baixo do que os dispositivos disponíveis no mercado.

Segundo o diretor do Centro de Coordenação de Estudos Navais de São Paulo, Paulo Henrique da Rocha, a estrutura de produção já está configurada para o início dos testes de produção do primeiro lote. O prognóstico é que os primeiros dispositivos podem ser distribuídos em duas semanas. A estimativa é que o CTMSP tenha capacidade para produzir entre 25 e 50 ventiladores pulmonares por dia e essa capacidade poderá ser ampliada, se necessário.

Protótipo do respirador Inspire, desenvolvido pela Poli-USP

Imagem: Divulgação

A idéia de desenvolver um ventilador pulmonar de baixo custo, livre de patentes e de produção rápida, com insumos nacionais, surgiu em março. O Inspire pode ser fabricado em até duas horas e custa R $ 1.000, enquanto os demais custam, em média, R $ 15.000.

Em abril, o projeto foi aprovado nas etapas finais dos testes, realizados com quatro pacientes do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso e não houve problemas nos pacientes ventilados.

O projeto, coordenado pelos professores Marcelo Knörich Zuffo e Raúl González Lima, conta com a participação de 40 pesquisadores e inclui doações de parceiros do setor privado. O dispositivo foi registrado com uma licença código aberto, que permite a qualquer pessoa ou empresa acessar o protocolo de fabricação e fabricá-lo, simplesmente obtendo uma autorização da Anvisa.

Numa entrevista com InclinaçãoO professor Zuffo disse que o grupo trabalha 18 horas, todos os dias, para tornar o projeto realidade e que, como o resto da população brasileira, a equipe também está preocupada com a possibilidade de contrair o novo coronavírus. Mas com um fator agravante: se um dos membros for infectado com a doença, todo o projeto terá que ser suspenso, pois todo o grupo terá que ficar em quarentena.

“Trabalhamos com equipamentos de proteção individual (EPI) e distantes um do outro. Todos usamos máscaras, escudos, luvas e álcool em gel. E testamos periodicamente o Covid-19”, disse ele.

“É um avião voando em construção. Passamos em testes em animais e humanos e estamos melhorando”, acrescentou.

Computador de placa única

Computador de placa única “Labrador” que integra o respirador Inspire, desenvolvido pela Poli-USP

Imagem: Reprodução / YouTube Escola Politécnica USP

Segundo o engenheiro Dario Gramorelli, que faz parte da equipe técnica, o ventilador pulmonar foi construído seguindo três premissas: simplicidade, baixo custo e facilidade de fabricação. Ele usa dois processadores independentes, um para controle de bombeamento e outro para a interface do usuário, desenvolvida pelo programa Caninos malucos, uma iniciativa apoiada por Poli e Jon “Maddog” Hall, diretor do conselho do Linux Professional Institute.

Caninos Loucos desenvolve estrutura aberta para SBCs da Internet das Coisas (IoT). Os dois computadores usados ​​foram chamados “Pulga” e “Labrador”.

Como o popular Raspberry Pi, eles têm uma configuração simples em comparação com o mercado comercial de PCs. O “Labrador”, por exemplo, possui 2 GB de RAM e um processador quad-core de 32 bits. O sistema é um Linux com distribuição Debian 11. Isso explica por que eles são tão baratos. Ainda assim, ele se comporta como um computador com desempenho razoável. “Pulga” é uma placa em miniatura do tamanho de R $ 0,10, que pode funcionar em pequenos dispositivos, como relógios inteligentes.

Outro conceito importante que norteou o projeto é que é um produto de emergência. “Não é algo que dure tanto quanto um respirador comercial. Se o sofisticássemos, poderia até ser, mas não seria fabricado ao custo que projetamos e também seria mais complexo”, disse Gramorelli.

O que são fãs?

O Inspire é um ventilador mecânico para uso em emergências. Existem vários tipos de ventiladores, como transporte, UTI ou usados ​​para anestesia. A diferença de um para o outro é a complexidade do dispositivo, segundo Jorge Luis Valiatti, coordenador do Comitê de Insuficiência Respiratória e Ventilação Mecânica da Amib (Associação Brasileira de Medicina Intensiva).

Um ventilador pulmonar é um dispositivo que ajuda a manter a função do pulmão no fornecimento de oxigênio e na remoção de dióxido de carbono do corpo, quando por algum motivo o pulmão não pode fazê-lo sozinho.

“O ventilador é necessário quando o pulmão não pode manter sua função de fornecer oxigênio e remover o dióxido de carbono do corpo. E isso ocorre por várias razões, desde a anestesia realizada em algumas cirurgias até doenças que danificam diretamente o pulmão, como infecção por coronavírus “, explicou Claudiney Lotufo, médico intensivista e clínica médica, professor de habilidades médicas da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Alguns pacientes do Covid-19 precisam de um ventilador porque têm dificuldade em introduzir oxigênio nos alvéolos pulmonares inflamados.

“A primeira medida é fornecer oxigênio através de cateteres de oxigênio. Na pior das hipóteses, eles devem ser sedados, intubados e colocados no ventilador mecânico. O médico ajustará a máquina com os parâmetros de ventilação considerados protetores”, disse ele. Jorge Luis Valiatti.

Anvisa carece de aprovação

Para que o Inspire comece a ser produzido e distribuído pelo Brasil, ainda é necessária a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo a equipe da Poly responsável pelo projeto, a agência normalmente leva mais de um ano para emitir toda a documentação regulatória. Após a aprovação, o ventilador pode até ser comercializado.

No entanto, devido à urgência, os pesquisadores não podem esperar tanto tempo para começar a distribuir o Inspire. Portanto, no caso do ventilador da USP, a Anvisa emitirá uma aprovação por meio de um projeto de pesquisa clínica, com alguns testes anteriores, que já foram realizados com sucesso e sob a responsabilidade de um médico ou técnico.

Por esse processo, a Anvisa exige que o equipamento seja doado, para que não possa ser vendido. No entanto, os pesquisadores também entrarão no processo de aprovação convencional para que o setor público possa explorar o projeto público. (Com reportagens de Thiago Varella e informações do Jornal da USP)

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