Banda brasileira Olodum vai cantar para o antigo Egito no Cairo, Alexandria – Música – Arte e Cultura

Há 43 anos, afro-brasileiros que viviam no Pelourinho, centro histórico da capital baiana, Salvador, fundaram o Olodum, um grupo de músicos e artistas inspirados em sua herança africana. Sua marca contagiante de percussão afro-brasileira tornou-se sinônimo do som da Bahia.

Olodum é uma palavra originária da língua iorubá, da Nigéria. Tem suas raízes no candomblé, o ritual religioso que se traduz como “Deus dos Deuses” ou “o Deus maior”.

Há décadas, o Olodum também canta sobre o antigo Egito, seus faraós e sua mitologia, utilizando diversos motivos egípcios antigos em sua simbologia e vestimenta. Graças a essa banda, gerações de brasileiros já cantaram sobre Tutancâmon, Akhenaton, Osíris, Seth, Geb, Nut, entre outras referências ao antigo Egito.

A Casa do Olodum, sede da ONG, está localizada no Centro Histórico. O prédio de três andares mantém viva a luta e a resistência contra o preconceito e o racismo. A casa foi construída em 1798, numa época em que surgiram movimentos populares que defendiam o fim da escravidão e o estabelecimento de uma forma republicana de governo. A casa passou por uma restauração completa sob a supervisão da arquiteta Lina Bo Bardi. Foi reaberto em 1991.

Olodum é amplamente creditado por desenvolver um estilo musical conhecido como samba reggae e por ser ativo na organização do carnaval baiano a cada ano. Neguinho do Samba, o percussionista principal, criou uma mistura de ritmos tradicionais do samba brasileiro com ritmos de merengue, salsa e reggae em 1986. Essa mistura ficou conhecida como samba reggae. Com o tempo, ganhou reconhecimento como um grupo específico de percussão afro-brasileira, por meio de apresentações na Europa, Japão e América do Sul.

O Olodum já apareceu em gravações de grandes artistas brasileiros e em discos de músicos estrangeiros. Em 1990, o Olodum apareceu no álbum “Rhythm of the Saints” de Paul Simon. Em 2013, a banda se apresentou ao vivo com Kimbra no palco sunset do Rock in Rio, apresentando um cover de “They Don’t Care About Us”. No ano seguinte, participaram de “We Are One (Ole Ola)”, música oficial da Copa do Mundo FIFA 2014, com o rapper Pitbull e vários cantores.

Há uma coincidência interessante entre a história do Brasil e a história da egiptologia: a independência do Brasil de Portugal ocorreu em 1822, mesmo ano em que foi publicada pela primeira vez a decifração dos antigos hieróglifos egípcios. Esse ano, há exatos dois séculos, é considerado tanto o ano do nascimento da egiptologia como ciência quanto o do nascimento do Brasil como nação independente.

Aqui no Egito, 2022 traz outra comemoração importante como o centenário da descoberta da tumba do faraó Tutancâmon em 4 de novembro de 1922, mesma data em que o Olodum se apresentará no Egito pela primeira vez, no Cairo Jazz Festival, emprestando um valor simbólico ainda maior para este evento, e também na Alexandria Opera House, no dia 5 de novembro.

*Antonio Patriota é o embaixador do Brasil no Egito.

ligação curta:

You May Also Like

About the Author: Jonas Belluci

"Viciado em Internet. Analista. Evangelista em bacon total. Estudante. Criador. Empreendedor. Leitor."

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *