Bolsonaro responde ao francês Macron pelos incêndios na Amazônia

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, durante entrevista à Bloomberg Television em Davos, Suíça, na quarta-feira, 23 de janeiro de 2019.

Bloomberg | imagens falsas

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro respondeu ao líder francês Emmanuel Macron, depois que ele pediu um diálogo entre os líderes do G-7 sobre o crescente número de incêndios na floresta amazônica.

Em um tweet na quinta-feira, Bolsonaro acusou Macron de usar o “problema interno do Brasil e de outros países amazônicos” para ganho político pessoal. Ele também alegou que seu homólogo francês usou sensacionalismo e fotos falsas para chamar a atenção para o problema.

“O governo brasileiro continua aberto ao diálogo, baseado em dados objetivos e respeito mútuo”, acrescentou Bolsonaro. “A sugestão do presidente francês de que as questões amazônicas sejam discutidas no G-7 sem a participação dos países da região evoca uma mentalidade colonialista deslocada no século XXI”.

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Os comentários de Bolsonaro vieram depois que Macron acessou o Twitter para pedir uma ação por parte das nações do G-7 (Grupo dos 7) antes de sua cúpula em Biarritz, França, neste fim de semana.

“Nossa casa está pegando fogo. Literalmente. A floresta amazônica, o pulmão que produz 20% do oxigênio do nosso planeta, está pegando fogo”, disse. “É uma crise internacional. Membros da Cúpula do G-7, vamos falar sobre essa emergência.”

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Os países do G-7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA) respondem por 40% do PIB mundial (produto interno bruto).

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou mais tarde seu apoio a Macron, dizendo no Twitter que “não poderia concordar mais” que uma ação era necessária para reduzir a taxa de incêndios na Amazônia.

“Trabalhamos muito para proteger o meio ambiente no G-7 no ano passado em Charlevoix e devemos continuar neste fim de semana”, disse ele. “Precisamos #ActForTheAmazon e agir pelo nosso planeta; nossos filhos e netos contam conosco”.

A atenção internacional tem sido chamada para a crise na floresta amazônica desde que a agência espacial brasileira INPE divulgou dados no início desta semana mostrando que o número de incêndios na floresta tropical neste ano aumentou 84% em comparação com 2018.

Segundo o INPE, mais de 70.000 incêndios foram detectados na floresta amazônica do Brasil, o maior número para o período de janeiro a agosto desde o início dos registros.

A fumaça dos incêndios pode ser vista do espaço, mostram imagens de satélite da NASA, e a segunda-feira causou um apagão durante o dia em São Paulo, embora a cidade estivesse a mais de 1.700 milhas de distância do incêndio.

Na quinta-feira, Bolsonaro acusou organizações não-governamentais de atear fogo na Amazônia para minar sua liderança, embora tenha admitido não ter evidências para sustentar suas acusações.

O líder brasileiro já enfrentou reação após sugerir em abril que o Brasil poderia abrir uma reserva protegida na Amazônia para mineração. Ele disse em um discurso na televisão na época que o país deveria “usar as riquezas que Deus nos deu”.

No início deste mês, o ex-chefe do INPE Ricardo Galvão disse a repórteres que havia sido demitido da agência espacial por dados que mostravam uma taxa acelerada de desmatamento na Amazônia.

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