Brasil acaba com envio de soldados na Amazônia

BRASÍLIA, Brasil (AP) – O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, disse sexta-feira que encerrará o destacamento de soldados na floresta amazônica, poucas semanas antes da conferência mundial do clima, onde o governo pretende mostrar seu compromisso com a contenção do desmatamento ilegal.

Quase 3.000 soldados estão na Amazônia há pouco mais de três meses, trabalhando para prevenir o desmatamento e incêndios provocados pelo homem. A implantação é a terceira na gestão do presidente Jair Bolsonaro, decorrente de um decreto assinado no final de junho, e já foi prorrogado uma vez. Essa extensão terminou na sexta-feira.

Mourão, que coordena o governo do Conselho da Amazônia, disse que o governo decidiu encerrar o programa porque as autoridades ambientais têm a capacidade de realizar a fiscalização novamente.

“As agências ambientais agora têm mais pessoas capazes de trabalhar”, disse ele, alegando que a pandemia prejudicou sua capacidade de patrulhamento e citando a recente proposta de expansão do orçamento do Ministério do Meio Ambiente. “Ficou acertado que as Forças Armadas continuarão a fornecer apoio logístico e de inteligência”.

O aumento do orçamento para 2022 ainda não foi aprovado pelo Congresso. Este ano, o orçamento do ministério foi o mais baixo em 13 anos.

Desde que assumiu o cargo, o governo Bolsonaro enfraqueceu as autoridades ambientais ao cortar fundos e punir os funcionários que se manifestaram. Mais recentemente, tem procurado demonstrar um maior compromisso ambiental em face das críticas do governo do presidente dos EUA, Joe Biden, e de investidores institucionais em dificuldades.

Seu governo enviou soldados pela primeira vez em 2019, quando a destruição da Amazônia gerou indignação global. Ambientalistas, ativistas e especialistas rejeitaram a dependência dos militares como ineficaz para a preservação; uma investigação da Associated Press no ano passado chegou à mesma conclusão.

Calçar botas no chão pode ser útil, e tem sido no passado, mas só quando atrelado a uma estratégia abrangente de redução do desmatamento em conjunto com outras autoridades ambientais, segundo Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede de ambientalistas organismos. grupos sem fins lucrativos.

“A aplicação da lei ainda tem números baixos, a cobrança de multas ambientais permanece paralisada”, disse Astrini.

No entanto, houve uma queda significativa no número de queimadas na Amazônia. nos últimos três meses em comparação com o mesmo período em 2020. Astrini disse que a melhora nos números ocorre apesar dos esforços do governo, não por causa deles.

Na Assembleia Geral da ONU no mês passado, Bolsonaro atribuiu os esforços redobrados de seu governo à queda dos alertas de desmatamento na Amazônia em agosto, que se seguiram ao declínio ano a ano em julho. Eles foram um pouco mais altos em setembro em comparação com o mesmo mês em 2020.

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