Câmara aprova decreto de calamidade pública devido a coronavírus

JBr.

A sessão plenária da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (18), o pedido de reconhecimento da calamidade pública enviada pelo governo federal diante da pandemia de coronavírus. A proposta, dirigida ao Senado Federal, permite ao Executivo gastar mais do que o esperado e desobedecer às metas fiscais para financiar ações de combate à pandemia.

O texto aprovado é o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 88/20, que também cria uma comissão mista composta por seis deputados e seis senadores, com igual número de suplentes, para monitorar as despesas e as medidas tomadas pelo governo federal para enfrentar o problema

A comissão poderá trabalhar por meios virtuais, mas terá reuniões mensais garantidas com técnicos do Ministério da Economia e uma audiência bimestral com o ministro da pasta, Paulo Guedes, para avaliar a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas emergenciais relacionadas a Covid- 19)

Crédito ilimitado

O relator, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), declarou que não é um “cheque em branco”, mas um crédito ilimitado para o governo agir. Ele também disse que a comissão conjunta garantirá transparência nos gastos.

“Ao reconhecer a calamidade pública, o Congresso permite o descumprimento dos objetivos fiscais e o governo poderá fortalecer o Sistema Único de Saúde, que é o principal instrumento de combate ao coronavírus”, afirmou. “Também garantirá medidas econômicas, como renda para a população, e ações para impedir a propagação do vírus”.

Acções

O governo federal anunciou hoje uma série de medidas para enfrentar a crise, como linhas de crédito, isenção de produtos médicos, auxílio às companhias aéreas e fechamento de fronteiras.

O líder do PDT, o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), afirmou a expansão dos gastos em saúde e o Bolsa Família. Por sua vez, o deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP) pediu às empresas que prestassem atenção para evitar a economia.

O líder da oposição, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), destacou o voto favorável dos partidos opostos ao governo e ressaltou que as despesas serão exclusivas para combater o coronavírus. Ele acrescentou que os parlamentares estarão atentos às ações do Executivo.

Calamidade

Nos termos atuais, o estado de calamidade pública é sem precedentes no nível federal. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece essa condição temporária, que suspende os termos para ajustar as despesas de pessoal e os limites de dívida; cumprir objetivos fiscais; e pela adoção de limites de gastos (contingência).

Segundo o governo, o reconhecimento do estado de calamidade pública, que deve durar até 31 de dezembro, é necessário “devido ao monitoramento contínuo da pandemia de Covid-19, à necessidade de aumentar os gastos públicos para proteger a saúde e a saúde”. o emprego de brasileiros e a perspectiva de queda de renda “.

Conforme previsto na LRF, o governo deve atualizar na próxima semana os parâmetros econômicos que norteiam as contas públicas. Os interlocutores da equipe econômica, como o líder do governo no Comitê Conjunto de Orçamento, o deputado Claudio Cajado (PP-BA), anteciparam o anúncio neste mês de uma contingência de R $ 30 bilhões a R $ 40 bilhões.

Este ano, de acordo com o Orçamento sancionado sem veto pelo presidente Bolsonaro, o objetivo fiscal do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) é um déficit primário de R $ 124,1 bilhões. Desde 2014, as contas públicas estão no vermelho: após o pagamento de juros da dívida, as despesas excedem a receita.

Com informações da Agência Câmara

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