Câmera foca em projetos para empresas

JBr.

Mesmo com o Congresso esvaziado para impedir a disseminação do novo coronavírus, os legisladores já introduziram pelo menos 70 projetos relacionados a pandemia desde que o primeiro caso no país foi registrado no final de fevereiro. A maioria deles, 47, é composta de medidas para garantir a saúde financeira de empresas e trabalhadores, enquanto 19 propostas consistem em alocar mais recursos ou expandir o atendimento ao paciente. Há também quatro propostas que penalizam a conduta durante a crise, como a que prevê prisão de até oito meses para quem afirma ter a doença.

Em reunião com líderes no início da semana, o prefeito Rodrigo Maia (DEM-RJ) definiu que os deputados votarão apenas propostas relacionadas à saúde, economia e proteção social durante o período crítico da epidemia. Qualquer problema que não seja esse será para mais tarde. A determinação provocou uma avalanche de novos projetos.

O deputado Diego Andrade (PSD-MG), por exemplo, estava preocupado com a flexibilização das contas das empresas de transporte de cargas. Propõe isentar o setor da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento e substituí-lo por uma taxa mais baixa que afete o lucro bruto de cada empresa.

“O Brasil depende do transporte rodoviário de mercadorias. Para se ter uma idéia, nos últimos oito anos, existem quase um milhão de caminhões novos licenciados em todo o país “, afirmou Andrade, sobrinho do ex-presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade.

Também é intenção do deputado Helder Salomão (PT-ES) atualizar os cofres dos empregadores. O PT sugere isentar as micro e pequenas empresas do pagamento de impostos sempre que houver uma emergência de saúde, como a atual. A proposta vai além da medida anunciada esta semana pelo ministro da Economia da equipe, Paulo Guedes, que planeja suspender as acusações por três meses, mas com a obrigação do empregador de pagar o valor retroativamente após esse período.

Entre os projetos apresentados até agora, alguns são repetidos. Seis deles são para garantir o suprimento de água e eletricidade, mesmo para quem não paga suas contas nesse período e para pessoas em situação vulnerável. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) já anunciou uma medida semelhante, com a suspensão das tarifas de água para a população de baixa renda.

Em propostas direcionadas diretamente à saúde, pelo menos dois projetos destinam R $ 2 bilhões reservados a campanhas eleitorais para ações de combate ao coronavírus. O montante está previsto no orçamento para financiar as despesas dos candidatos com viagens, cablagens eleitorais e material promocional.

“Não podemos admitir que o Brasil esteja caminhando na direção oposta à luta contra a pandemia de coronavírus com gastos no fundo eleitoral”, afirmou o deputado Sanderson (PSL-RS).

Prisão

A criminalização de comportamentos que, na opinião dos deputados, dificultam o combate à pandemia também se tornaram projetos. O deputado Tiago Dimas (Solidariedade-TO) quer penas de prisão de até oito meses para quem afirma ter a doença. “A ação dos oportunistas que espalham uma situação falsa é muito desconfortável. Já existem alguns casos no Brasil e entendo que nossa legislação deve ter um mecanismo para punir essas pessoas ”, afirmou.

Na mesma linha, o líder do PSL, Joice Hasselmann (SP), tenta aumentar a pena de quem cometer um delito de saúde. “Apresentei um projeto de lei para sanções mais duras para quem ignora os pedidos de assistência médica em tempos de pandemia. Já coletei assinaturas para solicitações urgentes ”, disse Joice.

A proposta foi apresentada quatro dias antes de Bolsonaro ignorar as instruções médicas para permanecer isolado e participar dos protestos de domingo. Ele teve contato com pessoas infectadas com o vírus em uma recente viagem aos Estados Unidos e teve que passar por testes para verificar se havia sido infectado. Segundo Bolsonaro, dois testes foram negativos. “O presidente seria qualificado se a proposta já fosse aprovada”, disse Joice, que já era líder do governo e terminou com Bolsonaro no ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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