Campanha pede doações de 4G para jovens de Quebrada para estudar no Enem

Quebrada Tech

O aluno Ryan Roris usa seu telefone celular para investigar enquanto estudava para o Enem (Arquivo pessoal)

A campanha quer garantir o pacote de dados 4G para 5.000 estudantes das periferias e favelas de diferentes estados que estão se preparando para o Enem.

Por Tamires Rodrigues e Ronaldo Matos

Uma rede de cursos populares criou o “4G para estudar“, uma plataforma de doação on-line onde as pessoas podem contribuir com uma quantia equivalente a um plano de pacote de dados 4G que será entregue a um morador da Quebrada que está se preparando para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas que está tendo dificuldades para estudar devido à má qualidade do ensino. Internet nos territórios periféricos

A mudança afetará estudantes de escolas públicas nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesses estados, os cursos populares operam em várias frentes para garantir que os jovens das periferias tenham uma experiência qualificada para se preparar para o Enem e que mais moradores da Quebrada tenham a oportunidade de alcançar o ensino superior.

Um dos participantes do movimento “4G para Estudar” é a Rede Ubuntu, uma iniciativa criada em 2013 por um grupo de educadores populares e estudantes universitários do sul de São Paulo. Segundo Rafael Cícero, coordenador pedagógico da rede Ubuntu, a participação de cursos populares em várias regiões brasileiras é uma forma de garantir que o projeto realmente democratize a Internet em vários cantos do país.

Para dar aos alunos acesso à Internet, os cursos decidiram comprar chips e planos de dados. Para os alunos que já possuem um chip, apenas o plano mensal de dados será entregue. A escolha da operadora para comprar os chips terá um mapeamento de região, verificando qual território tem a melhor qualidade de sinal.

Os cursos também pretendem arrecadar fundos mensalmente para impactar 5.000 alunos selecionados para receber pacotes de dados.

Segundo Cícero, o movimento também quer chamar a atenção das empresas de telecomunicações para apoiar a mobilização. “Para este momento importante que o país está passando, precisamos cobrar das operadoras que estejam disponíveis e contribuir com esse debate”. Para Cícero, a pandemia expôs a fragilidade do sistema de ensino público. “Mesmo sem uma pandemia, os alunos aprendem muito pouco na escola sobre o que o Enem e os exames de admissão cobram.”

Segundo a Anatel, existem mais de 24 milhões de telefones celulares na cidade de São Paulo, onde a rede Ubuntu opera. Destes, sete milhões são utilizados no formato pré-pago e 17 milhões no pós-pago. A plataforma Telebrasil afirma que, para satisfazer essa demanda dos usuários de telefones inteligentes Existem mais de sete mil antenas de celular espalhadas pela cidade. No mapeamento mais recente realizado pela Associação Brasileira de Telecomunicações, as antenas que distribuem o sinal da Internet para telefones celulares concentram-se principalmente na região central da capital São Paulo, e as periferias têm uma taxa de cobertura reduzida. sinal.

Pensando na imensa desvantagem que seus alunos já enfrentavam antes da pandemia chegar às periferias e considerando o quanto essa condição de vulnerabilidade aumentou, a Ubuntu Network vem criando estratégias para ajudar seus alunos. “Muitos de nossos alunos foram à biblioteca para estudar durante a semana, usaram o computador da biblioteca. Agora, sem poder ir pessoalmente a esses espaços, eles também sofrem mais devido à falta de condições estruturais para estudar”, diz o coordenador. pedagógico.

Uma das formas alternativas de manter as aulas em andamento era oferecer conteúdo digital de ensino para os alunos, seguindo o cronograma já adotado nas reuniões presenciais, realizadas nos finais de semana.

“Juntamos o Sala de aula do Google, começamos a arquivar todo o material de estudo e de classe, ao qual os alunos têm acesso por email. Começamos a oferecer videoaulas, por meio de Youtube“diz Cícero. As videoaulas podem ser acessadas a qualquer momento.

Percebendo que muitos estudantes não estavam acessando o material devido à falta de internet, a Ubuntu Network viu o movimento “4G para Estudar” como uma maneira de democratizar o acesso à internet para os estudantes durante a preparação do Enem.

Caio dos Santos se preparando para o Enem em casa (ficha pessoal)

Não deixe a dúvida passar despercebida

Gerontologia, nutrição ou medicina são as opções que Caio dos Santos, 24 anos, residente nos arredores de Campo Limpo, sul de São Paulo, pretende optar pelo ensino superior. Essas se tornaram suas motivações para se adaptar à nova rotina de estudo e organização durante a pandemia.

“Enquanto isso, no começo, eu não tinha internet, então estava estudando apenas através de livros”, diz Santos. Os livros não resolveram todas as suas dúvidas. A falta de internet contribuiu para o acesso limitado às informações, referindo-se a estudar para uma prova que abrange todo o conteúdo do ensino médio.

“Agora, com qualquer dúvida ou dificuldade em entender o exercício, posso pesquisar na Internet para não deixá-lo em branco. Muita coisa aconteceu. Estudei com livros e algumas coisas foram deixadas em branco e eu precisava anotá-las para curá-las. Essas dúvidas com alguém ou na próxima tentativa de fazer os exercícios “, diz ele.

Com relação às perspectivas de carreira, que ainda não têm data definida, Santos diz estar confiante porque tem mais tempo para estudar e porque está usando bons hábitos organizacionais, tentando usar o tempo em seu proveito.

Barreira da desigualdade

Outro aluno da Rede Ubuntu é Ryan Roris, 17 anos, que mora no Jardim das Oliveiras, no bairro de Itapecerica da Serra (SP). Durante a pandemia, o jovem divide sua rotina entre estudar para terminar o primeiro ano do ensino médio e se preparar para o Enem. Ambas as atividades requerem internet, e Roris tem se adaptado às flutuações de sinal para realizar suas atividades.

“Houve uma semana para realizar as atividades e minha internet não queria funcionar. Eu tive que usar meus dados móveis para transferi-los para o laptop”, diz ele.

Roris mostra a importância do apoio familiar e de ter um caderno para realizar as atividades escolares. “Estou pesquisando alguns cursos on-line, mas não está correto, porque tenho que continuar indo à casa da minha irmã, por causa do caderno e porque a Internet é melhor lá, para que seja possível continuar meus estudos durante esse caos”, diz ele.

Além da Internet de baixa qualidade, outro impacto negativo na rotina de estudos do aluno é a falta de concentração. “É muito difícil ter total concentração. Às vezes minha mãe me chama para fazer alguma coisa, às vezes as pessoas aqui em casa começam a conversar e você acaba não se concentrando. Eu sempre tento manter o foco, por mais difícil que seja.”

Com pouca esperança para o futuro nos estúdios, Roris sabe que não é apenas o esforço dele o suficiente. Para o aluno, ainda existe uma barreira chamada desigualdade. “Se a tecnologia é avançada, não deve ser apenas para pessoas que têm mais classe, que têm mais condições. E sim, também aqui na periferia, porque minha condição não significa que eu não possa chegar lá também, como alguém que tem todos os recursos “, diz ele.

Para continuar a luta por uma boa nota no Enem, Roris diz que busca força nos ensinamentos e experiências de seus pais. “Aqui em casa, o único que tem diploma universitário é minha irmã. Meus pais sempre me dizem para estudar e ter um diploma e uma vida boa, sabe? Eles não terminaram o ensino fundamental e não querem isso para mim.” um processo muito diferente e melhor “.

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