Cientistas brasileiros investigam vírus geneticamente modificados

Cientistas brasileiros investigam vírus geneticamente modificados

Cientistas brasileiros do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), localizado em Campinas (SP), receberam uma autorização na semana passada para realizar pesquisas com o coronavírus “geneticamente modificado”. A licença da CTNBio (Comissão Nacional de Biossegurança Técnica), que regulamenta a pesquisa em biossegurança no país, envolve um projeto para encontrar um remédio eficaz contra a covid-19.

A pesquisa em questão anda de mãos dadas com a busca de um composto para tratar o coronavírus, com testes in vitro de células infectadas pelo organismo. Esta pesquisa, também realizada no Cnpem, já encontrou dois medicamentos com potencial inibição contra o vírus, um dos quais com resultados muito semelhantes aos da cloroquina em testes celulares; de fato, a eficácia em humanos ainda precisa ser determinada.

Ao contrário da pesquisa in vitro Com o coronavírus nas células infectadas, o estudo do organismo geneticamente modificado utilizará uma partícula gerada em laboratório que não possui capacidade de replicação, segundo os pesquisadores. A intenção é realizar uma investigação que procure um remédio, mas ao mesmo tempo tenha maior segurança, sem a possibilidade de infecções.

“Nosso objetivo é aumentar o nível de segurança. A partícula viral selvagem é infecciosa e requer um alto nível de biossegurança para manipulação em laboratórios. A partícula modificada não é infecciosa e apresenta menos risco biológico. Pode ser manuseada com mais segurança no laboratório ” , para permitir estudos na busca de medicamentos que possam inibir a montagem de partículas virais ou inibir a interação do vírus com as células humanas “, explica. Inclinação Marcio Chaim Bajgelman, pesquisador do Cnpem.

A ausência de infecção também permite ao Cnpem realizar pesquisas em suas instalações, no LNBio (Laboratório Nacional de Biociências). Este laboratório possui o nível dois de biossegurança, enquanto o coronavírus requer o nível três, portanto, pesquisa in vitro Até o momento são fabricados em laboratório da Unicamp.

Como é criado um vírus modificado?

O vírus geneticamente modificado é, de certa forma, uma “criação” de cientistas. Essa partícula é produzida pela clonagem do próprio vírus, deixando de fora as estruturas que podem causar infecção e replicação do vírus.

“Esta partícula é produzida pela clonagem de 3 a 4 genes virais para montar uma partícula viral defeituosa, desprovida de material genético e, portanto, não contém informações para a geração de novas partículas, mas pode ser usada para estudos de novos medicamentos. ” por exemplo “, diz Bajgelman.

O pesquisador explica que a produção desse vírus geneticamente modificado envolve três etapas:

  1. Clonagem de genes virais: A informação do genoma viral é copiada e inserida em uma construção de DNA sintético.
  2. Estabelecimento de linhas celulares: A construção de DNA sintético é inserida nas células plaqueadas. Essas células podem produzir partículas virais sem a capacidade de infectar.
  3. Purificação de partículas: Como o nome indica, as partículas passam por purificação para pesquisa.

Embora na prática seja uma “criação”, as partículas geradas pela tecnologia denominada “DNA recombinante” são classificadas como organismos geneticamente modificados. Por esse motivo, é necessário permitir que as agências de controle publiquem estudos.

Atualmente, os pesquisadores relatam que estão concluindo a clonagem dos genes virais. O estabelecimento da primeira linha celular deve começar nesta semana, o que pode levar cinco semanas. Finalmente, a etapa de purificação deve levar uma semana.

“Acreditamos que até maio já deveríamos ter as partículas defeituosas disponíveis para estudos e dar a outros grupos de pesquisa da Rede de Vírus, se aplicável”, diz Bajgelman.

Segurança

Qualquer coisa com a palavra “geneticamente modificado” já cria alertas e gatilhos com receios de segurança, certo? Mas, neste caso, a intenção é exatamente o oposto: gerar vírus que são mais seguros para manipulação em laboratórios e que trazem menos riscos.

“Nosso objetivo de produzir uma partícula viral geneticamente modificada é precisamente tornar a partícula mais segura para estudos de laboratório. Dessa forma, a partícula é construída com apenas 3 a 4 proteínas virais e não possui genoma. É por isso que o partícula não é infecciosa “. e não se replica “, diz o pesquisador.

Segundo Bajgelman, todo o estudo para a criação desse vírus geneticamente modificado foi planejado pelo Laboratório de Vetores Virais, também do Cnpem. Não é a primeira vez que o laboratório cria partículas do tipo.

“Após o planejamento, o projeto foi submetido e avaliado pela CTNBio, que tem competência para deliberar sobre projetos envolvendo organismos geneticamente modificados no Brasil. O desenvolvimento do projeto no Cnpem é realizado em instalações previamente credenciadas pela CTNBio, com pessoal treinados para lidar com organismos geneticamente modificados em contenção, seguindo rigorosos requisitos de segurança, monitoramento e inspeções constantes de inspeção “, explica ele.

A vacina tem uma abordagem semelhante

A abordagem de criação de vírus sem capacidade de infectar pessoas se assemelha à tática adotada por laboratórios que investigam uma possível vacina no Brasil. A busca nacional por uma vacina trabalha com as chamadas partículas semelhantes ao vírus VLP (na tradução literal).

As VLPs, como partículas de Cnpem geneticamente modificadas, usam coronavírus sem o código genético do corpo. Isso elimina a capacidade da doença de infectar. No entanto, no caso da vacina, essas partículas estariam dentro da dose injetada na imunização da população.

“Colocamos as partes importantes do coronavírus para desencadear uma forte resposta do sistema imunológico, para emitir anticorpos bloqueadores e impedir que o vírus penetre nas células”, disse o chefe de pesquisa Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia da Jornal da USP do Incor (Instituto do Coração) da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP).

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