Com um peixe, brasileiros criam um pedido de teste de coronavírus barato – 19/05/2020

Com um peixe, brasileiros criam um pedido de teste de coronavírus barato - 19/05/2020

A equipe liderada pelo pós-doutorado do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP Ives Charlie da Silva criou um aplicativo que usa o peixe-zebra (paulistinha fish) para gerar testes para a covid-19 cinco vezes mais barato que hoje.

Composta por cientistas de diferentes áreas, a equipe desenvolveu uma fita de diagnóstico com um código QR que, quando lido por um aplicativo, fornece rapidamente o resultado, positivo ou negativo, para o covid-19. Com essa inovação, a equipe ficou em terceiro lugar no Global Virtual Hackathon COVID19, uma competição internacional que forneceu idéias inovadoras sobre o novo coronavírus.

A hackathon é uma “maratona de hackers” temática que envolve pessoas de diferentes áreas do conhecimento e tem como objetivo resolver um problema com o desenvolvimento de sistemas ou aplicativos. O projeto deve começar do zero e ser concluído em um curto período de tempo.

No caso do Global Virtual Hackathon COVID19, o objetivo da maratona era desenvolver idéias inovadoras sobre o novo coronavírus. O pesquisador Ives Charlie, que já possuía experiência em competições internacionais de hackathon, diz ao Jornal da USP que tinha 24 horas para montar uma equipe multidisciplinar e levar o projeto adiante.

A idéia era desenvolver um teste de diagnóstico rápido e barato para a covid-19 usando peixe-zebra, mais conhecido como peixe paulistinha. Uma nova proteína de coronavírus foi aplicada ao peixe. O animal gerou anticorpos que passaram para seus ovos após serem postos para se reproduzir, e esses anticorpos foram usados ​​para fazer uma fita de diagnóstico. Cada fita possui um código QR para ler no aplicativo que fornece rapidamente o resultado: positivo ou negativo para o covid-19.

“Obtivemos da professora Cristiane Carvalho, que trabalha em conjunto com os professores Edison Durigon, ambos do ICB, e Shaker Chuck Farah, do Instituto de Química da USP, diferentes fragmentos de uma proteína do novo coronavírus chamado espiga. Nós a injetamos no peixe. zebra e isolamos os anticorpos dos óvulos “, disse Ives Charlie ao Jornal da USP.

O grupo concorreu com mais de 600 projetos de 40 países diferentes, e o projeto conta com o ICB em colaboração com outras universidades e instituições.

Ciência combinada com tecnologia.

Segundo o pesquisador, o objetivo seria produzir esses testes rápidos em larga escala para que as pessoas possam comprá-los em farmácias e em casa. “A pessoa usava um cotonete (haste flexível) para coletar saliva e colocá-lo na fita de diagnóstico para reagir com os anticorpos da covid-19. Para obter o resultado, eles abriam o aplicativo e liam o código QR na fita”, explicou ele.

Com o aplicativo, é possível monitorar o georreferenciamento de pessoas que deram positivo para o novo coronavírus a partir do local. Além disso, as agências de saúde pública também são notificadas. O aplicativo também monitora, por meio de perguntas, os principais sinais clínicos da doença, como tosse e febre, por 14 dias.

“Uma de nossas diferenças é esta: o governo ou uma agência de saúde será informada. Hoje, o Ministério da Saúde deve continuar ligando para pessoas com sinais clínicos da doença. No aplicativo, a pessoa pode continuar informando”, enfatizou Ives. Charlie.

Por que Zebrafish?

O peixe-zebra é um ótimo modelo animal para o desenvolvimento de anticorpos contra o novo coronavírus em escala global. O animal adulto tem até 5 centímetros de comprimento, o que otimiza o espaço para sua criação. Isso reduz o custo dos testes cinco vezes. Outro ponto levantado por Ives Charlie é o fato de que o peixe não precisa ser abatido para adquirir esses anticorpos.

“Essa técnica já é usada no mercado com galinhas ou ratos, por exemplo. Estamos adaptando-a para peixes. O zebrafish é um excelente modelo experimental”, afirmou o pesquisador.

O teste está na fase de validação. A equipe está trabalhando agora para quantificar a concentração de anticorpos necessários para mapear quantos peixes serão necessários para a produção global.

Em colaboração com o Centro de Estudos de Doenças Inflamatórias (CRID) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, foram enviadas amostras de peixe-zebra imunizado com a proteína covid-19 ao grupo liderado pelo professor Thiago Cunha para estudar os parâmetros de neuroinflamação causados ​​pela doença.

O Hackathon Virtual Global COVID19 foi realizado no Azerbaijão e ocorreu nos dias 10 e 12 de abril. Havia 600 projetos de 45 países diferentes. O evento foi organizado pelo Ministério dos Transportes, Comunicações e Alta Tecnologia do Azerbaijão, em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A equipe é composta por um membro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Ives Charlie da Silva, pesquisador do Departamento de Farmácia do ICB, liderado pela professora Letícia Lotufo. Juliana Moreira Mendonça Gomes e Letícia Gomes de Pontes, ambas do ICB (laboratórios dos professores Niels Olsen e Antônio Condino-Neto) também participam da equipe; Bianca Helena Ventura Fernandes, do viveiro central da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) – Unidade de Peixe-Zebra; Roger Chammas, diretor do viveiro central da FMUSP; Luciani Carvalho, coordenadora do núcleo multiuso de peixe-zebra da FMUSP; Natália Feitosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em Macaé; Marco Belo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal; Ilo Rivero, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Minas Gerais; Bruno Nascimento, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Kátia Conceição, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Como o aplicativo funciona:

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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