Como a confusão do VAR me negou a medalha da Liga dos Campeões da CAF – Babatunde

O ex-meio-campista do Super Eagles, Michael Babatunde, fala sobre sua decisão de se juntar ao clube albanês, KF Laci, seu tempo na seleção nacional, o falecido Stephen Keshi e muito mais nesta entrevista com JOHNNY EDWARD

Por que você decidiu se juntar ao clube albanês KF Laçi?

Entrei na Laci para provar a alguns clubes que eles não estavam prontos para me contratar porque eles não achavam que eu seria capaz de jogar futebol novamente depois da lesão no ligamento do joelho que sofri no Wydad Casablanca. Reencontrei meu ritmo e acredito que com tempo, foco e alguma consistência, conseguirei um clube maior. Meu treinador aqui e a equipe me deram tudo o que preciso para superar o revés da lesão e quero retribuir o favor.

Você foi uma surpresa na seleção das Super Águias para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014. Como um jovem jogador de futebol naquela época, como era a sensação?

Minha inclusão na seleção para a Copa do Mundo no Brasil significou muito para mim e também me fez perceber que o trabalho duro compensa. Graças a Deus eu estava jogando com um treinador (o falecido Stephen Keshi) que viu tudo isso em mim. Foi uma grande oportunidade para mim e estou feliz que com os poucos minutos que tive, provei que os treinadores estavam certos em me escolher. Fui elogiado pelo meu desempenho pelo nosso capitão Vincent Enyeama e pelo treinador, depois da nossa primeira vitória contra a Bósnia e da partida contra a Argentina. Fiz uma assistência para Ahmed Musa marcar contra a Argentina. Foi um bom torneio para mim, mas terminou com muitas lágrimas porque quebrei meu pulso direito.

Quão desapontado você ficou quando o jogaram em uma maca?

Não apenas decepção. Fiquei dias com dores porque fui fazer uma cirurgia no dia seguinte no Brasil. Meu braço estava amarrado ao meu peito e eu não podia fazer nada por mim mesma. Foi um momento triste para mim, mas agora é história.

Você acha que sua lesão e a de Ogenyi Onazi nos fizeram perder para a França nas oitavas de final?

Depende de como você olha para isso, mas acho que os substitutos que vieram para nós contra a França fizeram o melhor que puderam. Mas acho que poderíamos ter feito uma diferença positiva se estivéssemos ambos em campo. Novamente, podemos ter perdido por uma margem maior. O futebol às vezes é muito imprevisível.

Essa lesão impediu você de grandes jogadas após a Copa do Mundo?

Minha atuação na Copa do Mundo no Brasil seria um passo à frente na minha carreira, mas não foi porque eu fiquei fora de ação por sete meses após o torneio. Recebi uma oferta do Southampton em janeiro de 2015, mas o negócio fracassou porque não consegui cumprir o prazo estabelecido para meu retorno à ação.

Jogar a Copa do Mundo de 2014 deve ser um dos momentos mais importantes da sua carreira naquela época?

De certa forma foi porque joguei em dois grandes torneios com o time e aprendi muito com os grandes jogadores do time na época. Claro, também foi o meu maior momento, vindo do campeonato ucraniano na época. Então, foi um grande problema. Esse é o sonho de todo jogador de futebol e estou feliz por ter jogado a Copa do Mundo com a Nigéria.

Como foi enfrentar Lionel Messi no confronto da fase de grupos entre Nigéria e Argentina?

Ele é meu ídolo. Eu costumava vê-lo jogar nos meus dias de Water FC e Heartland. Jogar contra ele foi difícil porque ele foi a diferença naquela partida. Não foram melhores do que as águias, mas marcaram dois golos e deram à nossa equipa muito com que se preocupar defensivamente.

Ele jogou com o falecido Stephen Keshi, que tipo de treinador ele era?

Keshi era um pai para mim, ainda sinto falta dele. Ele tinha muita confiança em mim e me deu a oportunidade de jogar pela Nigéria. Ele entendia o que todos estavam passando e como ajudá-los. Keshi realizou meu sonho de infância. Foi no nosso último treino antes do jogo contra a Bósnia que ele me disse que seria titular. Ele me disse: ‘vai lá e mostra pra gente o que você tá mostrando aqui no treino, se você perder a bola tem que devolver o mais rápido possível’.

Em 2019, seu clube, então Wydad Casablanca, perdeu a final da Liga dos Campeões da CAF para o Esperance depois que o árbitro não consultou o VAR, um gol anulado por Wydad e seus companheiros se recusaram a continuar jogando a menos que o VAR fosse consultado.

Foi um dia cheio de drama. Eu estava no banco com Gabriel Okechukwu quando empatamos com um cabeceamento de Walid El Karti, mas foi anulado por uma falta. E como o VAR estava marcado para verificar, meus companheiros de equipe, liderados pelo capitão, pediram ao árbitro que verificasse para permitir o gol, mas ele anulou. E foi aí que o problema começou. Protestamos com o árbitro, exigindo que o VAR fosse usado para rever o gol novamente, mas ele recusou. Até o ex-presidente da Confederação Africana de Futebol, Ahmad Ahmad, implorou para que continuássemos o jogo, mas alguns dirigentes do nosso clube disseram aos jogadores para ficarem em campo até que marcassem. Após a espera, o árbitro concedeu a vitória ao Espérance, que manteve o título. Foi muito decepcionante porque esperava ganhar esse título com Wydad.

Você jogou em vários clubes da Europa, África e Oriente Médio. Em qual desses times você mais gostou de jogar?

Eu gostava de futebol em todos os lugares em que me inscrevi para jogar, exceto por alguns times que não pagavam meus salários no vencimento. Fora isso, nunca tive problemas com nenhum time em que joguei.

Quem é o jogador mais difícil contra quem você jogou e por quê?

É Fernandinho. Joguei contra ele quando ele estava no Volyn e no Kryvbass. É feito de aço. Ele é tão forte que fiquei com tanto medo de enfrentá-lo, ao contrário de outros volantes.

Conte-nos seus melhores e piores momentos no futebol?

Minhas preocupações com lesões foram os únicos piores momentos que tive no futebol, enquanto representar a Nigéria na Copa do Mundo no Brasil continua sendo meu melhor momento no futebol. Ganhar o título da liga em Marrocos foi especial porque os fãs também me fizeram uma música.

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