Como sites de notícias falsas ganham dinheiro? Entendendo o esquema de publicidade – 06/06/2020

Como sites de notícias falsas ganham dinheiro? Entendendo o esquema de publicidade - 06/06/2020

A publicidade programática é uma das principais ferramentas para os sites da Internet obterem receita, além das empresas de publicidade para divulgar melhor sua marca. O modelo do Twitter, Sleeping Giants Brazil, agora acusa o modelo de financiar indiretamente páginas de notícias falsas. Mas como isso acontece?

Essa ferramenta começou a ganhar espaço em 2011. Se o anunciante tivesse que entrar em contato com as equipes de marketing de um site ou emissora de televisão para fechar os anúncios, após a publicidade programática, esse processo poderia ser feito automaticamente. .

Várias ferramentas de publicidade programática estão disponíveis no mercado, como Facebook Ads, MediaMath e Criteo, entre outras. Mas o mais conhecido deles é o Google Ads, uma ferramenta que funciona através de “dois braços”: um no lado dos anunciantes e outro no lado dos editores (“editores”), proprietários do site.

Como funciona?

Tomemos, por exemplo, as ferramentas do Google, que é a empresa que possui a maior parte desse mercado, 70% dele no ano passado, para ficar mais claro.

O Google Ads (anteriormente Google Adwords) é a plataforma que o Google usa para os anunciantes comprarem espaço em sua plataforma. O Google Adsense é uma ferramenta para os editores gerar receita com anúncios em seus sites.

Imagine que você decide criar um site para divulgar as notícias da sua cidade. Para mantê-lo engenhoso, inscreva-se no Google Adsense. Com essa plataforma, seu site pode receber anúncios de diferentes segmentos.

Além disso, o Google permite que o editor faça uma série de filtros sobre o tipo de publicidade que você deseja receber em seu site. Portanto, é possível bloquear tópicos que não são relevantes para o site ou que não concordam com o público-alvo.

Por outro lado, o Google Ads facilita a publicidade dos anunciantes em diferentes páginas e formatos. Com essa ferramenta, é possível escolher várias maneiras de anunciar, de banners a vídeos ou anúncios que aparecerão após uma pesquisa no Google.

O Google Ads também apresenta vários tipos de filtros de destino para seus anúncios, como público-alvo, idade e dados demográficos. “Por exemplo: o anunciante acredita que o produto não tem nada a ver com quem acessa um determinado tipo de site, então ele o nega e o anúncio não aparecerá lá. É muito simples, a própria plataforma mostra como faça “, ele explica. Ana Luiza de Lima, analista de marketing da startup Refinaria de Dados.

Exemplo de publicidade programática impressa na página principal do site Brasil Sem Medo

Imagem: Reprodução

As vantagens

Esse tipo de ferramenta é bastante vantajoso tanto para empresas de publicidade, que distribuirão seus anúncios em diferentes locais, quanto para editores, que podem manter a independência com essas receitas: grande parte da receita obtida com a venda de publicidade é transferências. .

“Se você concentra o investimento em publicidade, ele sempre esteve em veículos no eixo Rio-São Paulo. Quando você permite que o anunciante anuncie em lugares diferentes, também permitimos que a mídia tenha um canal de monetização em todo o Brasil”. Veículos do nordeste, norte e sul têm campanhas em andamento no site “, explica Henrique Mota, diretor de Parcerias de Mídia do Google Brasil.

Além disso, a plataforma envia um relatório que permite ao anunciante ter uma idéia precisa de como o público recebe um anúncio específico.

“É possível saber quais sites estão sendo veiculados, quantos cliques, quantas visitas, quanto você pagou. É possível saber tudo, a empresa possui um relatório com 100% das informações”, explica o especialista em marketing digital Hilário Júnior.

Um relatório de uma grande empresa atendida por ele, por exemplo, mostra em quais canais os anúncios foram veiculados, o tipo de serviço nesse site, o nome da campanha, as interações com a publicidade, o custo médio e o custo total do anúncio. serviço.

O anunciante paga ao Google de acordo com o contrato, que pode ser por impressões, ou seja, quando um anúncio é baixado e exibido no celular ou computador do usuário, ou por cliques, quando o usuário clica nesse anúncio.

Críticas: notícias falsas e muito mais

Uma das controvérsias em torno da publicidade programática é que seu modelo ajudaria a financiar sites que publicam notícias falsas e difamação, razão pela qual as queixas do Sleeping Giants, que entraram em contato com empresas para parar de patrocinar esses sites, atualmente seu objetivo. . é o Brasil sem medo.

Além de impressões e cliques, as plataformas de mídia programática também podem permitir que os editores sejam pagos por métricas personalizadas. Uma é a taxa de cliques (CTR, ou taxa de cliques em inglês), que é o número de cliques em anúncios dividido pelo número de visitas ao site.

Por exemplo, se você receber dois cliques para 250 visualizações de página, a CTR da página será de 0,8% (2/250 = 0,8%). Quanto maior esse percentual, maior o pagamento ao editor. Para aumentar essa porcentagem, sites menores precisam ganhar mais audiência e, portanto, muitos deles recorrem ao tablóide, copiam conteúdo e notícias falsas ou difamatórias.

Outro problema vem do uso indevido da ferramenta pelos próprios anunciantes, que podem espalhar publicidade em sites que nada têm a ver com seu público-alvo. Isso aconteceu com o governo federal, que de acordo com um relatório da CPMI sobre notícias falsas, teria pago pelos anúncios. mesmo em pornografia e páginas de jogos ilegais.

Para um anunciante, desvincular seu anúncio de sites inadequados é muito simples, de acordo com especialistas.

“O anunciante pode criar destinos de perfil que excluem a categoria de sites que eles não desejam exibir ou marcar os que desejam. Eles podem negar ou ativar domínios específicos. Eles podem dizer ‘Quero executar em um site de conteúdo de notícias, mas quero excluir conteúdo esportivo porque meu produto não está relacionado a isso ‘”, explica Henrique Mota.

Acompanhamento

Segundo Hilário Júnior, as empresas de marketing digital geralmente já possuem uma lista de sites maliciosos e palavras negativas que filtram para não vincular os anúncios de seus clientes. Mas, para ele, a filtragem precisa ter mais cuidado.

“Com meu cliente, já tínhamos o filtro de discurso de ódio ativado, mas esse filtro não impediu que meu cliente aparecesse no Jornal da Cidade Online em histórias provocadoras de ódio, por exemplo”, diz Junior.

“Os anunciantes não querem estar em sites relacionados a discursos de ódio, violência etc. Outra coisa importante são as listas de palavras-chave negativas. Os anunciantes que não possuem essas listas não estão fazendo o mínimo para publicidade programática”, diz ele. . .

Segundo o diretor do Google, nem todos os sites podem se inscrever para receber anúncios através do Adsense. “O Google possui políticas que os sites devem atender para serem elegíveis para monetização. As políticas são públicas e são revisadas com frequência”, explica Mota.

Quando perguntado se o Google tem controle sobre sites que postam supostas notícias falsas, Mota enfatizou que o público poderia denuncie esses sites por meio de suas contas do Google E se as empresas violarem as diretrizes do Google, poderão perder a monetização.

Em um comunicado ao relatório, o Google também diz que, em 2019, fechou mais de 1,2 milhão de contas de editores e removeu anúncios de mais de 21 milhões de páginas por violação da política.

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