Copa do Mundo de 1986: Brasil elimina Irlanda do Norte e Espanha avança do Grupo D – 13ª rodada

DIA 13

Quinta-feira, 12 de junho de 1986

Depois do drama do dia 12, haveria mais drama no Grupo D? O Brasil já havia se classificado para a segunda fase, mas não era garantido que terminaria em primeiro. Eles enfrentaram a Irlanda do Norte, que ainda estava prestes a chegar às oitavas de final, mas precisava de pelo menos um empate. A Argélia enfrentou a Espanha e também precisava de pelo menos um empate. Um empate para qualquer uma das equipes os colocaria à frente da Bulgária e da Hungria no terceiro lugar, pelo saldo de gols.

Assim era o grupo no início do dia.

GRUPO D

Pos. pld C D eu F UMA GD pontos
1 Brasil dois dois 0 0 dois 0 dois 4
dois Espanha dois 1 0 1 dois dois 0 dois
3 Irlanda do Norte dois 0 1 1 dois 3 -1 1
4 Argélia dois 0 1 1 1 dois -1 1

Estádio Jalisco, Guadalajara, 51.000

IRLANDA DO NORTE (0) 0

BRASIL (dois) 3 (Careca 15, 87, Josimar 42)

IRLANDA DO NORTE: Jennings; Nicholl, O’Neill, McDonald, Donaghy; Campbell (Armstrong), McCreery, McIlroy; Stewart, Clarke, Whiteside (Hamilton)

BRASIL: Carlos; Josimar, Edinho, Júlio César, Branco; Elzo, Alemão, Sócrates (Zico), Junior; Muller (Casagrande), Careca

O Brasil havia vencido as duas partidas até então, sem incendiar o mundo. Tele Santana fez duas mudanças no time que venceu a Argélia. Josimar entrou Edson na lateral direita e Muller na frente no lugar de Casagrande. Foi a estreia de Josimar com o Brasil.

Para a Irlanda do Norte, seu conto de fadas ficou um pouco amargo quando eles perderam para a Espanha. Billy Bingham fez duas mudanças desse lado. Nigel Worthington e Steve Penney entraram no lugar de Ian Stewart e David Campbell.

Este foi o primeiro encontro entre os dois lados, e provavelmente na frente da maior multidão que muitos dos jogadores irlandeses já experimentaram.

A primeira chance da partida foi para Colin Clarke, mas seu chute saiu ao lado. Então o Brasil teve sua própria chance quando o ritmo de Muller foi demais para McDonald, mas Pat Jennings sufocou o chute. Ele voltou à ação logo depois, quando Branco chutou de longa distância, mas o goleiro veterano achou muito fácil de manusear.

Então, aos 15 minutos, a qualidade do Brasil mostrou-se ao abrir o placar. Muller abriu espaço no flanco direito, e seu centro encontrou Careca a cerca de 10 jardas e o acertou primeiro. Jennings não aguentou o chute dessa vez e o Brasil saiu na frente. 1-0.

A Irlanda do Norte ainda estava no jogo, mas já sabia que as coisas seriam difíceis. Isso foi evidenciado pelo ataque contínuo do Brasil. Jennings estava de volta à ação quando Junior invadiu. Ele não o pegou de forma limpa, mas sua defesa ajudou a limpá-lo. A partida coincidiu com o aniversário de 41 anos de Jennings e foi, sem dúvida, a mais movimentada dos dois goleiros.

Este foi o mesmo estádio onde o Brasil venceu a Inglaterra em 1970. Você se lembra, ‘aquela entrada de Moore’ e ‘que defesa de Banks’. Foi um jogo icônico. Esta versão do Brasil não foi um patch daquela, mas pouco antes do intervalo, tivemos um gol digno de qualquer um dos grandes times brasileiros do passado.

Os brasileiros estavam batendo a bola no meio-campo quando Josimar entrou. Com o passar do tempo, ele vinha desempenhando um papel cada vez mais avançado.

Ele estava cerca de 25 jardas à direita da área quando disparou um chute estrondoso que voou para o canto superior, sem Jennings ter chance. Foi um golpe deslumbrante e ainda mais impressionante por ser sua estreia pela seleção.

Foi um revés para os irlandeses e pouco antes do intervalo. Mas não houve culpa em sofrer um golo daquela qualidade. As pessoas já estavam chamando isso de gol do torneio e seria preciso uma beleza para vencê-lo.

Imediatamente, o irlandês teve uma oportunidade quando Stewart cruzou da esquerda e Whiteside cabeceou ao lado de sete jardas quando pelo menos ele deveria ter acertado a marca.

A Irlanda do Norte nunca desistiu. Perdendo dois gols no intervalo, no segundo tempo Bingham trouxe a 82ª colheita para Hamilton e Armstrong. Para igualar isso, Santana enviou sua própria marca de qualidade ’82, quando Zico substituiu Sócrates novamente.

À medida que o jogo avançava, Jennings voltou à ação várias vezes. Um momento em particular o viu fazer três defesas em rápida sucessão de Casagrande (duas vezes) e Zico.

Zico estava se tornando cada vez mais proeminente, já que o Brasil estava realmente no ritmo dele. Ele trocou passes com Careca e uma vez na ponta direita da área, deu um chute de calcanhar de Careca para chutar a bola para Jennings para o terceiro gol. Foi a melhor jogada do Brasil no torneio e eles estavam destruindo seus adversários. 3-0.

Jennings foi chamado de volta para manter o placar baixo ao fazer a defesa de Casagrande novamente. No final, o Brasil venceu confortavelmente. A Irlanda do Norte certamente não caiu em desuso e Pat Jennings deu a eles uma performance clássica para lembrar. Mas no final eles foram bem derrotados.

Estádio Tecnológico, Monterrey, 23.980

ARGÉLIA (0) 0

ESPANHA (1) 3 (Caldere 15, 68, Eloy 70)

ARGÉLIA: Drid (El Hadi); Guendouz, Megharia, Kourichi, Mansouri; Kaci Said, Marrocos, Harkouk, Zidane (Menad); Belloumi, Madjer

ESPANHA: Zubizarreta; Tomas, Camacho, Victor, Goikoetxea; Michel (Lord), Calderé, Francisco, Gallego; Butragueño (Eloy), Salinas

No mesmo estádio onde a Inglaterra perdeu para Portugal e empatou com o Marrocos, a Espanha enfrentou a Argélia. Quatro anos antes, a Argélia havia sido uma revelação, chegando muito perto de se tornar a primeira seleção africana a chegar à segunda fase de uma Copa do Mundo, depois de derrotar Alemanha Ocidental e Chile. Essa equipe não poderia chegar a essas alturas, mas um bom resultado aqui mudaria as coisas.

O técnico Rabah Saadane fez quatro trocas em relação ao time que perdeu por 0 a 1 para o Brasil. Salah Assad, Djamel Menad, Haim Benmarbrouk e Abdellah Liegeon saíram. Kourichi, Karim Maroc, Djamel Zidane e Rachid Harkouk entraram. Harkouk estava jogando futebol pelo Notts County, depois de passagens pelo Crystal Palace e QPR.

A Espanha havia banido os demônios irlandeses de 1982, quando venceram cinco dias antes. O treinador Miguel Muñoz fez apenas uma alteração. Ramón Calderé entrou no centro do campo no lugar de Rafael Gordillo.

Após as primeiras trocas, a Argélia sofreu um duro golpe quando seu goleiro, Drid, que vinha em boa forma contra o Brasil, se machucou ao tentar marcar um escanteio. Minutos depois, a Espanha abriu o placar quando Calderé deu a vantagem. Salinas jogou pela direita e cortou para o pênalti e Calderé, que jogava sob o comando de Terry Venables no Barcelona, ​​​​​​​ correu para colocar. 1-0.

Drid finalmente teve que ir. Ele foi substituído por Larbi El Hadi, que jogou em sua primeira partida contra a Irlanda do Norte. Quase imediatamente, ele foi forçado a fazer uma grande defesa. Calderé cruzou da ponta direita e Francisco ficou livre na área. Seu cabeceamento foi bom e El Hadi fez bem para desviar.

A Argélia teve uma ou duas chances, principalmente por meio de Madjer, mas foi principalmente toda a Espanha.

No segundo tempo, Victor deveria ter marcado, mas El Hadi fez outra boa defesa de perto. Então a melhor chance da Argélia veio de Harkouk. Ele jogou Maroc na esquerda, depois subiu até o final do cruzamento apenas para vê-lo sair ao lado.

A Argélia estava fazendo um bom esforço e poderia ser considerada azarada por estar mais atrás. Particularmente quando Madjer parecia ter sido chutado ao chão por Francisco. O árbitro fez sinal para que o jogo continuasse e, para complicar as coisas para os argelinos, Francisco seguiu e empurrou Eloy para o lado quando os africanos tentaram jogar fora de jogo. Eloy foi de igual para igual com o goleiro e jogou calmamente na frente de Calderé, que atirou para um gol vazio. 2-0.

Poucos minutos depois, os argelinos cederam a bola fora de sua área. Mais uma vez eles tentaram sem sucesso o impedimento e Eloy teve a simples tarefa de vencer El Hadi a poucos metros. 3-0.

A Espanha tinha sido amplamente dominante, embora os argelinos provavelmente tenham contribuído para sua própria queda ao tentar jogar uma linha alta.

O Brasil liderou o grupo com o espanhol em segundo lugar, como muitos previam desde o início. Para a Irlanda do Norte e a Argélia deram tudo, mas não foi suficiente. Suas façanhas de 1982 não se repetiriam. A derrota irlandesa também os deixou fora das quatro primeiras equipes em terceiro lugar, de modo que foi o fim do caminho para eles.

GRUPO D – SORTEIO FINAL

Pos. pld C D eu F UMA GD pontos
1 Brasil 3 3 0 0 5 0 5 6
dois Espanha 3 dois 0 1 5 dois 3 4
3 Irlanda do Norte 3 0 1 dois dois 6 -4 1
4 Argélia 3 0 1 dois 1 5 -4 1

TABELA DE TERCEIRO LUGAR

Pos. pld C D eu F UMA GD pontos
1 Bélgica 3 1 1 1 5 5 0 3
dois Polônia 3 1 1 1 1 3 -dois 3
3 Bulgária 3 0 dois 1 dois 4 -dois dois
4 Hungria 3 1 0 dois dois 9 -7 dois
5 Irlanda do Norte 3 0 1 dois dois 6 -4 1
6 Uruguai dois 0 1 1 dois 7 -5 1

Ganhar o grupo significava que o Brasil estava esperando para ver qual time seria o segundo melhor time em terceiro lugar. A Espanha estava esperando para ver como terminaria o Grupo E, já que tinha que enfrentar o segundo colocado.

SORTEIO DA SEGUNDA RODADA

Argentina v Terceiro lugar (4)
Inglaterra v Paraguai
vencedor do grupo E v Espanha
URSS v Terceiro lugar (1)
Marrocos v Vice-campeão do Grupo E
México v Terceiro lugar (3)
Itália v França
Brasil v Terceiro lugar (2)

Amanhã vê a conclusão da primeira rodada, com o Grupo E concluindo seus negócios. A Escócia enfrenta o Uruguai, que precisa vencer para chegar à segunda fase pela primeira vez em sua história. Todos estavam ansiosos pela Dinamarca contra a Alemanha Ocidental. Os dinamarqueses foram absolutamente fascinantes quando venceram o Uruguai, mas enfrentaram os eficientes alemães. Deve ser uma grande perspectiva.

You May Also Like

About the Author: Adriana Costa

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.