Coronavírus: quase metade dos itens no mercado não está disponível online 04/04/2020

Com o isolamento social da pandemia de coronavírus, os brasileiros estão usando muito comércio eletrônico para fazer compras no mercado sem sair de casa. Seja através do serviço de entrega na loja ou através de aplicativos, os consumidores enfrentaram dois problemas: disponibilidade e preço do produto. Novas pesquisas dizem que 46% dos itens de mercado nem estão disponíveis no portfólio de vendas on-line.

Entre 1º de janeiro e 26 de março de 2020, os produtos domésticos (material de limpeza e utensílios) registraram um aumento de 24% nos preços. Em seguida, aparecem alimentos e bebidas, com aumento de 10%, e itens de saúde, também com 10%.

Isso é revelado pela pesquisa do Índice de Qualidade do Comércio Eletrônico (EQI) sobre Preços e Disponibilidade de Inventário, realizada por Lett, uma startup de tecnologia e especialista em marketing de comércio digital. Foram analisados ​​5.882 produtos diferentes, nas sete principais categorias de compras diárias, em 182 lojas on-line.

Desde 16 de março, início da chamada de quarentena, 70% das reclamações recebidas no Procon-SP estavam relacionadas a preços abusivos. “Uma coisa é o direito de obter lucro, outra muito séria é o abuso desse direito em um momento excepcional”, diz Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP.

“Um aumento de um mês para o próximo deve ser justificado, por exemplo, por um custo mais alto com o fornecedor. Se não houver justificativa, é uma vantagem desproporcional que se ajusta ao crime de prática abusiva, previsto no Código de Proteção ao Consumidor ( CDC) “.

Essas práticas abusivas são evidentes no início da pandemia da covid-19, com a explosão de preço de álcool gel – Que ele precisava do intervenção do governo.

Outro produto essencial para o monitoramento domiciliar da doença, que apresenta febre entre os principais sintomas, foi afetado: o termômetro. Seu valor médio nas lojas online no Brasil subiu 98% entre 24 de fevereiro e 18 de março, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com uma pesquisa da Buy & Confie.

Se uma prática abusiva ou publicidade enganosa for encontrada, o estabelecimento pode ser multado em R $ 600 a R $ 10 milhões, dependendo do faturamento, e suas atividades podem até ser suspensas.

“O Procon não pune aqueles que agem de boa fé, apenas aqueles que se comportam maliciosamente, por exemplo, aumentando os preços para aproveitar produtos como itens de saúde, garrafas de gás e até planos de saúde durante uma pandemia”, conclui. Capez.

Se você vir ou for vítima desses crimes, entre em contato com o Procon em seu estado. Em São Paulo, poste uma foto ou captura de tela no Instagram e estacione @proconsp.

Onde está o produto que comprei?

O estudo do Índice de Qualidade do Comércio Eletrônico também mostrou dados alarmantes sobre a disponibilidade para compra, ou seja, quando um produto está em estoque. Apenas 54% dos alimentos e bebidas estão disponíveis para compra on-line.

Em alguns casos, o produto nem está disponível no site; em outros, você compra, mas, no momento da entrega, a loja percebe que não havia estoque.

Nesta categoria, foram consideradas bebidas alcoólicas e não alcoólicas, biscoitos e salgadinhos, cereais, doces e sobremesas, laticínios e produtos alimentícios.

“Você não pode chegar a uma compra sem um produto que possuímos, sem aviso prévio. Isso se encaixa no crime de publicidade enganosa por padrão”, diz Capez. “O consumidor deve ser informado, antes do envio, se algum item não está disponível. E, em seguida, decidir se ele prefere cancelar o pedido inteiro ou se ele aceita que ele seja parcialmente entregue. É o chamado direito à informação. Ele não pode evitar informações. isso pode fazer a pessoa desistir da compra “.

Igor Marchetti, advogado do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), ressalta que existe alguma flexibilidade devido aos efeitos do coronavírus em nossos hábitos de consumo.

“Sabemos que as lojas não estavam prontas para esse momento. Por exemplo, entendemos as mudanças no tempo de entrega das compras realizadas no início das medidas de isolamento social. Mas o dever do vendedor é informar. Você aceita que o pedido chegue naquele dia? está faltando um produto? “

No caso de compras urgentes em supermercados e farmácias, por exemplo, os comerciantes devem arriscar a manutenção da operação de comércio eletrônico durante esse período.

“A pandemia está em vigor há mais de duas semanas, já temos as informações e as novas tendências, dificuldades e fluxo. O estabelecimento não pode oferecer produtos que não possui mais em estoque nem prometer prazos que sabe que não poderá atender. Isso também se encaixa. no crime de não conformidade com a oferta “, explica Marchetti.

Este mês, a Idec lançou todos os seus guias e conteúdo de proteção ao consumidor, até então exclusivamente para membros, grátis no seu site. Ele também preparou um guia com várias dicas comprar, financiar e até alimentos para enfrentar a pandemia.

Novos hábitos

As compras online são um novo hábito para grande parte da sociedade brasileira, e isso pode acelerar o processo de digitalização do mercado e transformar nosso relacionamento com os consumidores.

“Vivemos em um cenário em que os consumidores estão começando e aprendendo a ter experiências nessa modalidade. Pela primeira vez, pediram o almoço ou fizeram suas compras no mercado diretamente de seus celulares. E pessoas que já estavam acostumadas a pedidos digitais, por conveniência, eles agora aumentaram o hábito “, diz Davi Song, CEO da Lett.

“Nossa leitura é que, mesmo após essa situação, boa parte desses novos consumidores continuará sendo digital”, acredita Song.

Um desafio para o comércio eletrônico é expandir o catálogo para oferecer o maior número possível de produtos. O executivo explica que “o sortimento on-line é sempre menor que o das lojas físicas, por razões logísticas. Mas é necessário expandir o portfólio para uma melhor experiência para quem não pode sair de casa. E encontrar uma maneira de gerenciar inventário eficiente, registro de produtos e sistemas de entrega para não decepcionar o cliente “.

Lett usou os dados do inventário e a pesquisa de preços para criar o Onde comprar o guia, cria site de comparação de preços de todo o Brasil. Nele, você pode ver onde o produto desejado está disponível e a que preço.

“O objetivo é ajudar as pessoas a comprar com segurança, sem ter que se expor aos riscos da pandemia. É um guia independente, um projeto social gratuito para consumidores e indústrias que desejam listar seus produtos”. Canção diz. .

Se você deseja incluir seus produtos no guia, envie um email para [email protected] É necessário que eles já tenham um serviço de entrega.

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