Corra para encontrar as espécies amazônicas do Brasil antes que elas desapareçam

Em uma parte remota da Amazônia brasileira, uma expedição científica está catalogando espécies. Tempo é essencial.

“A taxa de destruição é mais rápida que a taxa de descoberta”, diz o botânico Francisco Farronay, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), enquanto corta a casca de uma enorme árvore e cheira seu interior.

“É uma corrida contra o tempo”.

A maior floresta tropical da Terra, ainda em grande parte inexplorada pela ciência, está sendo atacada pelo desmatamento para agricultura, mineração e extração ilegal de madeira.

De acordo com um estudo do MapBiomas do ano passado, a Amazônia perdeu cerca de 74,6 milhões de hectares de vegetação nativa – uma área equivalente a todo o território do Chile – entre 1985 e 2020.

A destruição acelerou sob o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, acusado por ambientalistas de incentivar ativamente o desmatamento para ganho econômico.

A floresta tropical é considerada vital para conter as mudanças climáticas por sua absorção de CO2 que aquece a Terra.

Desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o poder, o desmatamento médio anual na Amazônia brasileira aumentou 75% em relação à década anterior, segundo dados oficiais.

‘negacionismo científico’

“A maioria das espécies vegetais da Amazônia está em áreas invadidas”, disse Alberto Vicentini, outro integrante da expedição lançada pelo Greenpeace.

Estima-se que “60 por cento das espécies de árvores não são conhecidas por nós, e cada vez que uma área é desmatada, uma parte da biodiversidade que nunca conheceremos é destruída”, disse o cientista do INPA.

Para sua pesquisa nesta parte remota do estado do Amazonas, no norte do Brasil, a equipe pegou um avião de Manaus, sobrevoando centenas de quilômetros de floresta verdejante cortada por rios sinuosos, até Manicore.

De lá, um passeio de barco de cinco horas pelo rio para uma expedição de uma semana para coletar amostras de plantas e observar o comportamento dos animais, para os quais montaram câmeras e microfones.

O grupo inclui especialistas em mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes, árvores e flores. Mas é um momento difícil para ser cientista no Brasil, dizem eles.

“Vivemos um momento de negação da ciência, como vimos com a pandemia no Brasil”, com Bolsonaro criticando máscaras e vacinas, disse Vicentini.

“As instituições de pesquisa no Brasil estão sendo atacadas pelas políticas deste governo, as universidades estão sofrendo muitos cortes”, acrescentou.

Uma folha de jornal usada por um dos botânicos do grupo para prensar uma flor traz a manchete: “A atividade madeireira na Amazônia aumenta” com a foto de dois caminhões saindo da selva carregados de toras.

“Há lugares onde ninguém nunca esteve, não temos ideia do que há”, disse a bióloga do Inpa Lucia Rapp Py-Daniel.

“Sem os recursos para investigar, não temos informação nem para explicar porque temos que conservar” a área, disse.

Os recursos vêm diminuindo há uma década, outro fenômeno que se acelerou sob Bolsonaro, segundo os críticos.

Em maio, as duas principais sociedades científicas do Brasil, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), alertaram que o financiamento para pesquisas científicas no país seria reduzido em cerca de US$ 3 bilhões. 560 milhões de dólares). ) este ano.

“Deveríamos estar acelerando o ritmo de pesquisa versus destruição, mas, em vez disso, estamos desacelerando”, diz Py-Daniel.

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