Dados celulares mostram que há cada vez menos pessoas em casa no Brasil 20/04/2020

Dados celulares mostram que há cada vez menos pessoas em casa no Brasil 20/04/2020

Dados de geolocalização de telefones celulares mostram que as taxas de quarentena no Brasil vêm caindo nas últimas semanas. Segundo pesquisa realizada pela In Loco, startup brasileira que criou o IIS (Índice de Isolamento Social) e monitora diariamente os parâmetros fornecidos pelas operadoras de telefonia, o número médio de pessoas no domicílio caiu na terça-feira (14) para 46,2%, taxa mais baixa desde 20 de março (sexta-feira), quando praticamente não havia decreto de quarentena no país (IIS de 38,2%).

Ao longo da semana, o índice flutuou bem acima e abaixo de 50%. No entanto, em uma média de semana a semana, é claro que a adesão nacional está em declínio:

  • 23/03 a 29/03: 57,1%
  • 30/03 a 05/04 – 53,2%
  • 06/04 a 12/04 – 52,3%

O IIS médio nos últimos 25 dias foi de 53,3%, de 24 de março, primeiro dia de quarentena em São Paulo, principal foco dos casos, até 17 de abril (última medida disponível).

O IIS tem seus maiores picos nos finais de semana, principalmente aos domingos. Mas mesmo naqueles dias, o isolamento caiu. O número máximo de pessoas no domicílio foi registrado em 22 de março (domingo), com uma taxa de 69,6%. Desde então, o IIS caiu para 59,8% no domingo (12). Considerando que o banco de dados tem 60 milhões de pessoas, isso significa cerca de 6 milhões a mais de pessoas nas ruas durante um intervalo de quatro domingos:

  • 22/3 – 69,6%
  • 3/29 – 64,2%
  • 4/5 – 62,2%
  • 04/12 – 59,8%

Excluindo sábados e domingos, a participação média em dias úteis nos últimos 25 dias é de 51%.

  • 23/03 a 27/03 – 56%
  • 30/03 a 03/03 – 51,3%
  • 06/04 a 10/04 – 51%

Antes dos decretos estaduais e municipais, que começaram a ocorrer de forma mais drástica a partir de 15 de março, este dia útil do IIS era de cerca de 20%. No dia 17, quando a primeira morte foi anunciada no país, a taxa era de 29,9% (terça-feira).

Movendo-se em locais públicos

O Google, cujos aplicativos são encontrados na maioria dos celulares brasileiros, usou dados de geolocalização para calcular o tráfego em cinco categorias de locais públicos. Nesta pesquisa, também está claro que mais pessoas estão deixando mais do que em casa. Os dados comparam o movimento de 29 de março e 11 de abril (referente ao período de 48 a 72 horas antes) com as primeiras semanas de janeiro e fevereiro (antes da quarentena).

O Google não explica por que a queda no tráfego em locais públicos não interfere mais diretamente na porcentagem de pessoas em casa.

Nossa taxa de isolamento é suficiente?

Não há consenso sobre o número ideal de isolamento social. Segundo pesquisadores brasileiros ouvidos por Tilt, qualquer número abaixo de 75% é insuficiente para evitar o colapso do sistema de saúde em poucas semanas, causado por um aumento nos casos graves de covid-19. Com as UTI superlotadas e a falta de respiradores, o número de mortes deve aumentar drasticamente.

“Dada a realidade dos leitos no país, 75% seria um percentual que indica a proteção do sistema de saúde com certa liberdade”, diz Askery Canabarro, professor de Física da Universidade de Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e outro dos autores de um artigo que realiza projeções astrofísicas e matemáticas a partir de dados publicados pelo Google.

Projeções foram feitas considerando a demanda por leitos, o número de mortes e infectados em vários cenários de isolamento. Os pesquisadores desenvolveram uma fórmula para estimar com precisão o número real de pessoas infectadas, considerando o número de pessoas gravemente doentes e mortas. O modelo estratificou ainda mais a população em nove faixas etárias para ver os efeitos de cada uma.

O cálculo mostrou que o isolamento seletivo (para idosos e grupos de risco), por exemplo, seria ineficiente na prevenção do colapso do sistema de saúde. “Com 50% de isolamento social, o cenário é de centenas de milhares de mortes no país. Sem intensificar o isolamento, o modelo prevê um colapso na semana de 21 de abril”, afirmou Canabarro. “Como não avaliamos a distribuição de leitos por estado, alguns entraram em colapso antes, outros desde então”.

Para o pesquisador Wladimir Lyra, astrônomo da Universidade Estadual do Novo México (EUA), que também estuda a curva pandêmica, o isolamento social deve ser muito maior. “Seria necessário no mínimo 70%, e o Brasil está praticando 56% em média”, diz ele.

Também enfatiza que as falências na área da saúde devem ocorrer em momentos diferentes, dependendo da demanda local. Seu modelo prevê o colapso do sistema de saúde no número de leitos de UTI ocupados por volta de 1º de maio. “Mas se todas as camas são ocupadas por pacientes com uma coroa. De fato, existem outras doenças e, portanto, o colapso deve ocorrer mais cedo”, disse ele.

Por outro lado, estúdio que faz muito mais projeção modesto Ele diz que é necessário um índice de cerca de 40%. Professores da USP, Universidade de Brasília, Instituto Butantan e Fiocruz cruzaram dados sobre a mobilidade de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro, com a velocidade de transmissão do vírus.

“Claramente encontramos 40% como paradigma”, diz o médico de doenças infecciosas Júlio Croda, que fazia parte da equipe do Ministério da Saúde e agora está colaborando com o centro de contingência para combater o coronavírus de SP. “Nós já nivelamos a curva [de transmissão do vírus]”ele diz para a Folha.” Os dados reforçam que, se persistirmos no isolamento atual, talvez não precisemos de medidas mais restritivas. Não precisaremos radicalizar e a economia sobreviverá de alguma forma “.

No entanto, o médico argumenta que qualquer relaxamento nos níveis atuais de restrição fará com que a transmissão do Covid-19 cresça novamente.

Em vários estados, o sistema já entrou em colapso, como Ceará e Amazonas, ou está muito próximo de não conseguir lidar com isso.

Como o IIS In Loco é medido?

O In Loco possui uma tecnologia que extrai automaticamente dados públicos (bot) de operadores de geolocalização, que normalmente são usados ​​para direcionar publicidade. É chamado de código de publicidade, um número único que identifica constantemente os interesses dos usuários que navegam em serviços de plataforma como Google e Facebook. Serve para exibir anúncios personalizados ou personalizados (ou “anúncios com base em interesses”), que geram receita para aplicativos.

Dependendo do início, esse identificador também serve para detectar se um telefone celular permanece por longos períodos em um determinado local. Ele envia o endereço e o identificador de publicidade do smartphone para os servidores da empresa, possibilitando estabelecer a relação entre quem está “estacionado” e quem está se movendo. Por esse motivo, a empresa conseguiu estabelecer um sistema de monitoramento diário, utilizado pela cidade do Recife. Eles têm acesso ao identificador de 60 milhões de celulares brasileiros, o que corresponde a uma parte da população estimada do Brasil, que hoje é de 211 milhões, segundo o IBGE.

De onde vêm os dados de geolocalização?

Seu telefone celular possui um GPS (Global Positioning System), que troca constantemente informações com um satélite para determinar sua localização geográfica. Isso geralmente é para coisas como: ajudar você a saber onde está no mapa, qual o caminho a seguir quando estiver perdido, se virar à esquerda ou até onde chegar a um destino, onde está o telefone perdido / roubado ou O que O nome do estabelecimento que você está prestes a colocar na descrição de uma foto no Instagram.

Empresas como o Google, dono do Google Maps, Waze e Google Fotos e Facebook, dono do WhatsApp e Instagram e Apple armazenam suas jornadas no rastreamento de históricos ou lugares visitados. Com esse tipo de informação, você pode saber se um telefone celular fica no mesmo local todas as noites (que seria sua casa) e se muda para outro (provavelmente seu emprego) todos os dias.

O índice de isolamento social, neste caso, mede isso: o celular passou o dia em um raio muito próximo à cidade considerada em casa? Digite as estatísticas do grupo que respeitou a quarentena. Caso contrário, vai para o índice daqueles que saíram de casa.

Em geral, você deve ativar a função de localização geográfica: alguns aplicativos solicitam autorização para enviar dados, outros não. Quando isso acontece, eles se tornam públicos, mas há um grande debate sobre a concentração e o direito à privacidade em jogo.

Como esses dados serão usados?

Alguns dos dados de empresas como Google, Facebook e Apple são abertos ao público e podem ser verificados por qualquer pessoa, incluindo pesquisadores e cientistas. Alguns dados da In Loco estão no site da empresa e também estão disponíveis, mas detalhes sobre bairros e informações mais específicas não são divulgados publicamente. Possui associação com cerca de 20 estados e fornece dados cartográficos e estatísticos que atingem o nível do bairro, mas de forma anônima.

Existe uma maneira diferente de monitorar as multidões, que é triangular entre diferentes antenas às quais os telefones celulares estão conectados na estrada. As operadoras Algar, Claro, Oi, Tim e Vivo já prometeram enviar dados sobre a localização de 222,2 milhões de linhas ao Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Comunicação (MCTIC): as cinco empresas representam 97,8% dos 227,1 milhões de acessos móveis no Brasil. Com esses dados, é possível criar mapas de calor que indicam uma concentração maior ou menor de dispositivos em uma determinada área.

Esse monitoramento ainda não é realizado em nível nacional, conforme decidido pelo Presidente. Jair Bolsonaro, mas acontece no estado de São Paulo, por exemplo, em associação com Claro, TIM, Oi e Vivo. Os dados não estão disponíveis ao público, estão disponíveis em centros de controle e monitoram cidades com mais de 200.000 habitantes; Existem planos para estendê-los a municípios com mais de 30.000 habitantes.

E aqui a discussão é sobre a possibilidade de granular ainda mais os dados, o que poderia indicar que cada indivíduo se conectou e atingiu outro nível de falta de privacidade.

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About the Author: Edson Moreira

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