“Diálogo com a família”, diz líder do MST ao se reunir com a vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez: Despacho Pueblos

Francia Márquez se reuniu com lideranças dos movimentos populares brasileiros no dia 26 de julho, em São Paulo – Foto: Vinícius Poço de Toledo

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi uma das organizações que se reuniu com a vice-presidente eleita da Colômbia, Francia Márquez, durante sua visita ao Brasil em 26 de julho. O encontro na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, foi um “diálogo familiar”, disse a dirigente do MST Messilene Gorete, acrescentando que “serviu para nos apresentarmos e nos colocarmos à disposição do governo popular da Colômbia.

O Movimento dos Sem Terra está presente em 24 estados brasileiros, com cerca de 450 mil famílias que adquiriram terras por meio da luta camponesa coletiva e organizada. Criado em 1984, a principal reivindicação do Movimento é o direito à finalidade social da terra: terra para quem nela vive e produz, com respeito ao meio ambiente e garantia da soberania alimentar e um apelo por mudanças estruturais no país .

Hoje, um dos principais temas é a Reforma Agrária Popular, garantindo a posse e uso da terra às comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, e organizando a produção agrícola nacional com o objetivo de entregar alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos e organismos geneticamente modificados OGM, à população Só este ano, o MST realizou cerca de 60 ações, incluindo 28 ocupações de áreas consideradas improdutivas.

Com o apoio de militantes do MST, Comuna El Maizal produz sementes de milho nativas para distribuição nacional / Comuna El Maizal

Assim como o Brasil, a Colômbia tem uma das maiores desigualdades na propriedade da terra na região. Pesquisas independentes indicam que 5% da população colombiana possui 87% da terra.

Dados do último Censo Agropecuário Nacional da Colômbia indicam que dos 113 milhões de hectares de terras cultiváveis ​​do país, cerca de 75% das unidades produtivas têm menos de 5 hectares e representam 2,1% da área censitária. As propriedades com mais de 500 hectares representam 0,4% das unidades e ocupam 41,1% do território.

A disputa por território é o que deu origem ao conflito armado que já dura 58 anos. Para defender a terra em que viviam e ganhavam a vida, pequenos agricultores colombianos começaram a se organizar em ligas camponesas, que deram origem aos dois maiores grupos guerrilheiros do país: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular (FARC-EP ). ) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Uma das principais propostas do novo governo é realizar uma reforma agrária abrangente, conforme previsto nos Acordos de Paz, assinados em 2016 entre o então presidente Juan Manuel Santos e o ex-guerrilheiro das FARC-EP. Ficou acertado que sete milhões de hectares seriam concedidos a ex-guerrilheiros colombianos, o que não aconteceu.

A proposta do Pacto Histórico, grupo pelo qual Gustavo Petro foi eleito, é avançar nos acordos firmados com as ex-FARC-EP e avançar nas concessões de terras e na demarcação de terras indígenas e quilombolas. “Se eles conseguirem fazer a reforma agrária nesse contexto, será um grande modelo para nós fazermos a reforma agrária no Brasil”, argumenta Messilene Gorete.

Na conversa com o MST, Francia Márquez mostrou interesse em conhecer a experiência local para trazer exemplos para a Colômbia e reiterou que a reforma agrária é prioridade para seu governo.

“Ouvir isso de um vice-presidente, sabendo o que significa para a Colômbia e para nós, um movimento que luta pela reforma agrária como objetivo central, nos inspira a pressionar o governo brasileiro a considerar essa agenda como prioridade, porque é um grande precisa. . Só haverá justiça e igualdade no Brasil se houver uma verdadeira reforma agrária”, diz Messilene Gorete.

Distribuição de alimentos em Pernambuco; Durante a pandemia, o MST doou mais de seis mil toneladas de alimentos produzidos nos assentamentos / Ana Olívia Godoy/MST-PE

Por meio do cooperativismo e de projetos de economia solidária, o MST tornou-se o maior produtor de arroz agroecológico da América Latina, com uma produção anual de mais de 3.000 hectares e 15.000 toneladas de arroz. Em nível nacional, o MST criou 160 cooperativas, 120 agroindústrias e 1.900 associações.

Portanto, um dos pontos acordados com o vice-presidente da Colômbia foi a capacitação em produção agroecológica dentro da educação política e técnica. Isso acontecerá no âmbito da promoção da produção de arroz, com base na experiência do MST. “A partir da Escola Florestan Fernandes queremos ajudá-los a construir escolas de agroecologia na Colômbia”, disse Messilene.

Para o ex-coordenador da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho, a posse de um governo de esquerda na Colômbia e a possibilidade de vitória de Lula da Silva no Brasil marcam um novo momento para a América Latina.

“Podemos pensar em um novo ciclo de governos progressistas e comprometidos com a integração latino-americana, a partir de mecanismos de trabalho conjunto como UNASUL, MERCOSUL e ALBA. Será, sem dúvida, um novo capítulo na história da América Latina e um capítulo a favor dos povos”, conclui o dirigente do MST.

Este artigo foi publicado originalmente em brasil de fato.

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