Drones aconselham sobre cobertura, mas podem gerar multidões por curiosidade – 23/04/2020

Drones aconselham sobre cobertura, mas podem gerar multidões por curiosidade - 23/04/2020

Um drone com alto-falante monitora e alerta as pessoas nas ruas sem máscara devido à epidemia de coronavírus. Essa cena viralizou na China em fevereiro e parecia longe de acontecer no Brasil. Depois de quase dois meses, ela já encontra zumbido semelhante por aqui.

São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre estão usando drones para monitorar shopping centers, dispersar multidões e limpar espaços públicos. Mas, como novidade, o recurso ainda gera curiosidade nas pessoas e gera o efeito oposto de seu objetivo.

Aconteceu no Rio de Janeiro, em situação semelhante à da China. Os drones da IplanRio (Companhia Municipal de Computação) sobrevoavam multidões de pessoas com alto-falantes, enviando mensagens pedindo às pessoas que seguissem a orientação da distância social.

No primeiro teste, realizado na sexta-feira (16) em Campo Grande, oeste do Rio de Janeiro, as pessoas se reuniram para filmar e monitorar a operação.

Em nota ao relatório, a Secretaria Municipal de Ordem Pública explicou que o drone voava abaixo do normal para atender as estações de televisão presentes e, portanto, atraía a atenção dos cidadãos.

Nas próximas ações, você deve permanecer entre 30 e 60 metros do chão e, se necessário, descer a uma altura de 10 a 15 metros para emitir o aviso sonoro.

A baixa altura é permitida quando a operação é executada por agências governamentais. Quando o vôo é recreativo, o piloto deve manter-se a pelo menos 30 metros de pessoas, animais, veículos e edifícios.

Os drones podem voar mais baixo, desde que estejam sujeitos ao princípio das sombras, uma área que não possui tráfego aéreo e não é legislada pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). Nesse espaço, determinado pelo raio de 30 metros e seis metros de altura em relação ao ponto mais alto da mesma estrutura, o voo deve ser autorizado pela pessoa responsável pelo local.

Drone filma regiões de São Paulo para monitorar quarentena de coronavírus

No Rio, a localização do voo do drone é escolhida com base nos relatórios que chegam ao Disk Aglomeração, nos dados de localização coletados nos celulares TIM e nas imagens gravadas pelas câmeras de segurança pública. Os drones capturam e transmitem imagens em tempo real para o Escritório de Crises da Câmara Municipal e o Centro de Operações.

No resto do brasil

Na região metropolitana de Recife, o procedimento é semelhante ao do Rio. Por meio das denúncias registradas no Centro Integrado de Operações de Defesa Social (CIODS) e informações sobre o índice de isolamento social, a Polícia Militar de Pernambuco envia uma equipe com uma aeronave não tripulada, tira fotos em locais com mais movimento.

“No começo eles [as pessoas] o drone era estranho, mas hoje apenas sua presença já inibe multidões “, diz o coronel Luciano Nunes, diretor da Ciods.

Parte das ações com os drones é resultado de uma parceria com o Instituto Pernambuco de Redução de Riscos e Desastres (IRRD-PE), formado por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pelo laboratório de imunopatologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com HealthDrones, que opera o avião.

Ernande Pereira, coordenador do IRRD, professor e pesquisador da UFRPE, diz que o objetivo é registrar a temperatura em todos os bairros e na região metropolitana: os drones do Recife estão equipados com uma câmera térmica.

No momento, a prioridade está em bairros com grande número de casos, como Boa Viagem, locais onde estão localizados mercados de rua e perto de supermercados. A intenção não é medir temperatura de cada pessoa, mas para traçar uma visão geral da temperatura de um determinado local, para que as autoridades saibam onde agir.

“A partir dessa visão holística da cidade do Recife e da região metropolitana, eles [as autoridades] eles serão capazes de direcionar melhor as ações gerenciais para minimizar a contaminação por covid-19 “, diz ele.

Em São Paulo, desde o final de março, a cidade usa drones para monitorar locais de intenso comércio ou onde ainda há fluxo de pessoas. Eles sobrevoam áreas como Brás, José Paulino, Santa Ifigênia e 25 de Março e informam o Ministério da Segurança Urbana e o conselho distrital local sobre lojas abertas ou multidões.

Ações são abordagens para fechar comércio ou dispersar multidões. Eles foram mais frequentes nos últimos dias em Santa Ifigênia e em 25 de março, segundo Richard Mariano, diretor da Divisão de Tecnologias Geoespaciais. “Havia mais gente. Eles não abriram o comércio, houve mais pressão para abrir”, diz ele.

Esse tipo de inspeção pode ocorrer em qualquer lugar da cidade, mas a frequência é mais alta nas chamadas “áreas críticas”. Duas vezes por dia, uma rodada de drones passa por eles, o que implica, além dos já mencionados, a região próxima à Luz, onde passa o fluxo da cracolândia.

Em vez de vigilância, Porto Alegre adaptou a técnica de pulverização por drone nas plantações para limpar ruas, avenidas e praças. Em parceria com a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e a empresa SkyDrones, a prefeitura realizou nesta quinta-feira (16) o segundo teste de desinfecção de espaços públicos com drones.

O objetivo é ter um procedimento de desinfecção rápido e seguro para áreas pavimentadas, onde há um grande fluxo de pessoas durante o dia. Segundo Nádya Silveira, professora e pesquisadora do Instituto de Química da UFRGS que trabalha no projeto, o aplicativo ocorre quando não há movimento, para impedir que as pessoas entrem em contato com o desinfetante.

Nádya explica que os drones para desinfetar o espaço público exigem o uso de especialistas. “Estamos trabalhando com produtos autorizados pela Anvisa, simplesmente melhorando a orientação do produto”, diz ele.

A prática pode se tornar regular, mas você deve tentar pelo menos mais uma vez. Isso ocorre porque o vento pode dispersar o desinfetante além da área em que é aplicado. É um problema, mas pequeno e viável.

No caso do drone oculto, é necessário melhorar o jato de gotas e dar-lhes mais densidade para que elas caiam no chão e permaneçam lá.

Todas essas experiências são recentes e podem causar problemas a serem aplicados em tempos de crise, diz Onicio Neto, pesquisador de pós-doutorado no departamento da Universidade de Zurique e médico em saúde pública da Fiocruz. Ele lembra que eles não são protótipos validados e que podem não dar o resultado esperado.

“Isso pode dificultar a adoção quando a tecnologia é realmente eficiente. Você precisa impedir que a tecnologia crie frustração que impeça a associação futura”, argumenta ele.

Existem precedentes para os drones utilizados em ações de saúde pública e epidemias. No Malawi, o UNICEF e o governo local os usaram em um corredor humanitário de testes na cidade de Kasungu em 2017. Os drones são usados ​​para tomar remédios, fazer testes, retornar resultados e mapear áreas de risco de cólera. Em janeiro, a Adda (Academia de Drones e Dados), que espera treinar, até 2021, 150 estudantes que podem criar e controlar drones.

No Brasil, eles são usados ​​para encontrar brotos estagnados, potencial criadouro para o Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

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