É assim que o Brasil vai enfrentar a derrota de Neymar na Copa do Mundo

Tudo estava indo tão bem. Talvez bom demais.

É verdade que o Brasil lutou para derrotar a Sérvia no primeiro tempo de sua estreia na Copa do Mundo. Mas a bola passou mais rápido e o talento fluiu como richarlisonA dobradinha selou a vitória por 2 a 0 em um segundo tempo brilhante. E é que, certamente para a alegria do técnico Tite, o time veio com uma escalação ultra-ofensiva mas em nenhum momento esteve no mais remoto perigo de sofrer um gol. Até o fato de a equipe ter que trabalhar muito para começar foi um bônus.

As coisas dificilmente poderiam ter corrido melhor, até que esses dois ferimentos levantaram uma nuvem, potencialmente nocauteando neymar Y Danilo de pelo menos os próximos dois jogos.

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Existem algumas coincidências estranhas nas duas lesões no tornozelo. Neymar tem um histórico de infortúnios na Copa do Mundo, forçado a sair de 2014 ao longo da competição e quatro anos depois de retornar de uma longa paralisação. E Danilo também ficou na estrada durante a Rússia 2018.

Mais significativamente, a perda desses jogadores lança luz sobre as duas controvérsias do mini-esquadrão que o técnico Tite anunciou no início deste mês: a ausência de Roberto Firmino e a inclusão de Daniel Alves.

O Brasil tem mais jogadores de qualidade do que sabem fazer. Eles provavelmente gostariam que um campo de futebol tivesse quatro lados. A última vaga na equipe acabou indo para um desses atacantes, forma de clube do Arsenal. gabriel martinelli era impossível resistir. Firmino se destacou, embora seja o mais próximo que o Brasil pode chegar de substituir Neymar no falso papel de número 9, abrindo espaço e desviando passes para as pontas.

Alguns no Brasil apontam para a Copa América de 2019, que o Brasil venceu sem Neymar, que se machucou na véspera da competição. Eles argumentam que, com base em parte nas evidências da partida com a Sérvia, o Brasil está melhor sem o camisa 10. Este é certamente um argumento falso. Alas e centroavantes raramente ganham jogos sozinhos. Pessoas como Richarlison e vinicius júnior se beneficiaram muito com o trabalho de Neymar, que continua sendo o maior talento de ataque do Brasil.

Mas alguns no Brasil até comemoraram sua lesão. Neymar sempre foi uma figura polêmica e certamente fez poucos favores a si mesmo com uma entrada imprudente na arena política. Em uma democracia, todos têm o direito de votar no candidato de sua escolha, mas Neymar foi além com seu apoio vocal ao titular de extrema-direita Jair Bolsonaro, que foi derrotado nas recentes eleições presidenciais do Brasil.

Leva Neymar a um terreno que, nesta fase da vida, ele não está preparado para pisar. Afinal, trata-se de um homem que há apenas algumas semanas em um tribunal espanhol confessou que se limita a assinar papéis que seu pai põe à sua frente. É possível que ele tenha quebrado um pacto em que a seleção brasileira parece ter concordado em não se envolver demais na eleição mais polarizada da história do país.

Sua escolha não parece melhor à luz dos acontecimentos: Bolsonaro perdeu sua candidatura à reeleição e as preocupações com suas tendências antidemocráticas foram intensificadas por sua relutância em aceitar o resultado. E Neymar imprudentemente transformou o time em veículo político ao prometer dedicar seu primeiro gol no Catar a Bolsonaro. Neymar, então, encontrou uma maneira de virar a maioria do país contra ele, com muitos se apegando a Richarlison como o novo herói, tanto por seus gols quanto por sua consciência social.

Mas seria imprudente misturar qualquer ressentimento com a postura política de Neymar com dúvidas sobre sua qualidade como jogador e sua importância para a equipe. Ele fará falta. E seria muito cruel se ele não tivesse a chance de mostrar o seu melhor nesta competição.

Assim, sem Firmino para entrar, o Brasil tem que se virar sem Neymar, pelo menos nos próximos dois jogos. Uma geração muito promissora de invasores agora precisa aceitar mais responsabilidades. A comissão técnica tem muita fé em Rodrigo do Real Madrid, visto como o futuro da equipa. O futuro chegou mais cedo? Talvez, embora possa não haver espaço para uma substituição.

O Brasil sempre teve a intenção de usar sua formação ultra-atacante contra a Sérvia e voltar a algo mais ortodoxo contra a Suíça, que enfrentará na segunda-feira. Eles veem o suíço como um lateral mais equilibrado, com defesa sólida e ritmo de ataque. Então o plano sempre foi o Fred voltar para o meio-campo, com Lucas Paqueta movendo-se mais alto no campo.

Alguém teria que sair, o que até a lesão de Neymar parecia uma escolha muito difícil. Antes do jogo contra a Sérvia, o candidato claro era Vinicius Jr., mas seria uma grande decisão dispensá-lo após a exibição de quinta-feira. Assim, Paquetá poderia simplesmente subir para o cargo de Neymar, o aprendiz de feiticeiro promovido ao cargo máximo, permitindo ao Brasil manter dois alas e um centroavante.

Toque

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O primeiro gol de Richarlison e seu gol acrobático pelo Brasil contra a Sérvia na Copa do Mundo recriados em Lego.

A presença de Fred se torna essencial se o Brasil quiser substituir Danilo pelo outro lateral-direito especialista, Alves. Aos 39 anos, ele precisa da proteção do pulmão de Fred. O técnico Tite tem lembranças traumáticas da eliminação nas quartas de final para a Bélgica há quatro anos. Do lado esquerdo estavam Marcelo, Philippe Coutinho e Neymar. Ninguém estava defendendo muito, e era aí que a Bélgica procurava atacar. Um flanco direito de Alves, Paquetá e raphinha parece igualmente vulnerável.

Uma alternativa seria jogar eder militao como lateral-direito defensivo. O Brasil teve um vislumbre disso no amistoso de setembro contra Gana, e os resultados foram melhores do que o esperado. Mas deixaria o treinador aberto a críticas. Qual seria a utilidade, ao que parece, de levar Alves se ele não seria usado quando o lateral-direito titular se lesionou? Tal opção tornaria mais perceptível a ausência de Firmino.

As Copas do Mundo, é claro, não podem ser conquistadas na fase de grupos. Eles só podem ser perdidos. E a boa notícia para o Brasil é que já tem três pontos no bolso. Isso lhes dá um fôlego enquanto procuram se ajustar, esperançosamente apenas temporariamente, à vida sem Neymar.

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