“E morreu”: o que explica o sucesso do meme fúnebre em meio a uma pandemia? – Um pássaro me disse

Um Passarinho Me Contou

Nas últimas semanas, quando o mundo experimentou uma grave pandemia de coronavírus e a maioria das pessoas está em isolamento social, um curioso fenômeno ocorreu em redes sociais: memes com tema de morte. Entre os mais compartilhados no Twitter, o perfil de E Morreu brinca com vídeos de pessoas angustiadas, seguidas de cenas com algumas crianças carregando um caixão em uma coreografia animada.

Apesar do perfil do Twitter, a página Memepedia.ru Vai além e diz que a primeira publicação de mídia social nesse estilo foi no TikTok, pelo usuário @lawyer_ggmu, em 26 de fevereiro. A edição cortando no momento H da “morte” e entrando nos dançarinos do caixão com o som de “Astronomy 2K19”, do DJ Stephan F, já estava lá, mas não exatamente como a conhecemos.

@lawyer_ggmu## fyp # ### para você ## seguir ## global♬ som original – khvichagogava

Em 14 de março, também no TikTok, uma publicação trouxe a versão mais famosa com os dançarinos que encerraram o momento “falhado”.

@ .minh_hieu♬ som original – khvichagogava

Se, por um lado, as cenas causam alguma estranheza, por outro, a combinação dos vídeos de perigo com a procissão fúnebre na sequência divertiu muitas pessoas. O conjunto de dançarinos é de Gana na África e coreografia fúnebre profissionalmente.

“Quando o cliente se aproxima de nós, perguntamos: ‘Você quer algo solene ou um pouco mais de teatro? Ou talvez uma coreografia?’ ‘Diz Benjamin Aidoo, chefe dos transportadores de caixões, em um documentário da BBC.

No Gana, as pessoas acreditam que a morte é apenas o começo de uma nova vida e que essa passagem deve ser comemorada. O país é conhecido por ter caixões incomuns e coloridos, na forma de animais, carros e objetos pessoais, como sapatos.

Mas por que estamos tão obcecados com a morte e o que isso significa?

A psicóloga Talita Fabiano de Carvalho sugere que a morte é algo inerente a nós como seres vivos e, portanto, gera reflexões, fantasias, medos e curiosidades. “Os memes não nasceram da cultura digital, mas encontraram alto desempenho em propagação e sucesso. São apropriações de temas, sendo mais suaves, mais complexas, além de fáceis de entender e associar. Portanto, a tragédia e a comédia são, ao longo da história, fortes aliados “.

Mas como explicar maneiras tão diferentes de lidar com a morte? Enquanto alguns sofrem a dor da perda, outros a comemoram como outro rito de passagem.

Segundo Carvalho, a morte é vista em diferentes contextos na cultura contemporânea. As religiões desempenham um papel fundamental na construção dos rituais de passagem, seja para um fim completo ou para uma mudança para uma nova etapa da vida. “É importante refletir sobre como enfrentamos e, principalmente, como banalizamos a dor de outras pessoas”.

De fato, algumas pessoas expressaram alguma culpa rindo do meme.

De qualquer forma, a morte da suposta morte divertiu as pessoas em sua casa em quarentena. Existem vários tipos de acidentes que geraram mensagens virais.

Você tem o distraído …

O desajeitado …

A bicicleta …

Vingar-se do mundo animal …

Acidentes de trânsito …

Atividades de lazer …

… E práticas esportivas.

Alguns casos simplesmente tiveram um final feliz.

Em tempos de pandemia, nossa relação com a morte é mais evidente? Para o psicólogo, é uma nova situação que nos faz reagir de maneira diferente.

“Nossa capacidade de adaptação é bastante grande nos casos que ocorrem com freqüência. No entanto, em um contexto ainda indefinido e com informações que mudam diariamente, podemos perder nossa capacidade de reagir. Não sabemos quem terá a doença e como lidar com ela”. . Além disso, casos fatais são relatados e destacados com mais frequência, levando-nos a acreditar que o fim está mais próximo do que nunca. Esse sentimento nos faz saber que somos seres vulneráveis ​​e nos leva a refletir sobre a vida e a existência. “diz Carvalho.

Seja por voo ou por curiosidade, o tópico “morte” sempre será um motivo para nossas reflexões e (por que não?) Memes na web. Afinal, é muito democrático e sabemos que mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentá-lo.

Só esperamos que seja o mais tarde possível.

Fique em casa!

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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