Equipe da USP trabalha 18 horas por dia para viabilizar ventiladores pulmonares baratos – 05/05/2020

Equipe da USP trabalha 18 horas por dia para viabilizar ventiladores pulmonares baratos - 05/05/2020

Faça as contas: durante 18 horas todos os dias, um grupo de aproximadamente 40 pesquisadores, engenheiros e professores da Escola Politécnica (Poli) da USP (Universidade de São Paulo) trabalha no projeto de um respirador pulmonar de emergência, Inspire, para ser usado o mais rápido possível durante a pandemia de Covid-19.

Isso significa que os responsáveis ​​pelo projeto têm apenas seis horas por dia para voltar para casa, tomar banho e comer. É uma dedicação tão exclusiva e intensa que, é claro, não há tempo para entrevistar os Inclinação.

Pelo áudio do WhatsApp, o professor Marcelo Zuffo, um dos coordenadores do projeto, disse que, assim como o resto da população brasileira, a equipe também está preocupada com a possibilidade de contrair o novo coronavírus. E com um fator agravante. Se um dos membros for infectado com a doença, todo o projeto deverá ser suspenso, pois todo o grupo terá que ficar em quarentena.

“Trabalhamos com EPI (equipamento de proteção individual) e distanciados. Todos usamos máscaras, escudos, luvas e álcool em gel. E testamos periodicamente o Covid-19”, disse Zuffo.

Protótipo do respirador Inspire, desenvolvido pela Poli-USP

Imagem: Divulgação

Por que tão barato?

O ritmo intenso dos responsáveis ​​pelo Inspire começou em 19 de março. Desde então, eles não pararam. O projeto começou do zero, mas, segundo Zuffo, com premissas e requisitos bem estabelecidos.

“Os grupos de pesquisa da USP, especialmente o professor Raúl Gonzales, do departamento de engenharia mecânica da Poli, têm mais de 20 anos de experiência no uso, teste e especificações desses ventiladores. Em outras palavras, tivemos todas as condições para projetar essa equipe do zero “, disse Zuffo.

O Inspire pode ser fabricado em até duas horas e tem um custo muito baixo. Enquanto os ventiladores convencionais custam, em média, R $ 15.000, o Inspire vale R $ 1.000.

Segundo o engenheiro Dario Gramorelli, que faz parte da equipe técnica, o ventilador pulmonar foi construído seguindo três premissas: simplicidade, baixo custo e facilidade de fabricação.

Ele usa dois processadores independentes, um para controle de bombeamento e outro para a interface do usuário, desenvolvida pelo programa Caninos malucos, uma iniciativa apoiada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e por Jon “Maddog” Hall, diretor do Conselho do Linux Professional Institute.

Caninos Loucos desenvolve uma estrutura aberta para a Internet das Coisas (IoT) SBC. Os dois computadores usados ​​foram chamados “Pulga” e “Labrador”.

Como o popular Raspberry Pi, eles têm uma configuração simples em comparação com o mercado comercial de PCs. O “Labrador”, por exemplo, possui 2 GB de RAM e um processador quad-core de 32 bits. O sistema é um Linux com distribuição Debian 11. Isso explica por que eles são tão baratos. Ainda assim, ele se comporta como um computador com desempenho razoável. “Pulga” é uma placa em miniatura do tamanho de R $ 0,10, que pode funcionar em pequenos dispositivos, como relógios inteligentes.

Outro conceito importante que norteou o projeto é que é um produto de emergência. “Não é algo que dura tanto quanto um respirador comercial. Se o sofisticássemos, poderia até ser, mas não seria fabricado ao custo que projetamos e também seria mais complexo”, disse o engenheiro.

Prova humana

Nos últimos dias, 17, 18 e 19 de abril, foram realizados estudos com pacientes humanos, seguindo os procedimentos da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Os testes foram realizados com quatro pacientes, no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas.

O respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso e não houve problemas nos pacientes ventilados. Dias antes, o Inspire já havia sido testado com sucesso em animais.

“É um avião que voa em construção. Realizamos testes em animais e humanos. Estamos melhorando e iniciando uma linha de fabricação com a Marinha do Brasil”, afirmou o professor.

Por decisão da USP, o projeto está disponível em domínio público, o que significa que qualquer pessoa ou empresa pode fabricá-lo, apenas uma autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Computador de placa única

Computador de placa única “Labrador” que integra o respirador Inspire, desenvolvido pela Poli-USP

Imagem: Reprodução / YouTube Escola Politécnica USP

O que são fãs?

O Inspire é um ventilador mecânico para uso em emergências. Existem vários tipos de ventiladores, como transporte, UTI ou usados ​​para anestesia. A diferença de um para o outro é a complexidade do dispositivo, segundo Jorge Luis Valiatti, coordenador do Comitê de Insuficiência Respiratória e Ventilação Mecânica da Amib (Associação Brasileira de Medicina Intensiva).

Um ventilador pulmonar é um dispositivo que ajuda a manter a função pulmonar no fornecimento de oxigênio e na remoção de dióxido de carbono do corpo, quando por algum motivo o pulmão não pode fazê-lo sozinho.

“O ventilador é necessário quando o pulmão não pode manter sua função de fornecer oxigênio e remover o dióxido de carbono do corpo. E isso ocorre por várias razões, desde a anestesia realizada em algumas cirurgias até doenças que danificam diretamente o pulmão, como infecção por coronavírus “, afirmou Claudiney Lotufo, médico intensivista e clínica médica, professor de habilidades médicas da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Alguns pacientes do Covid-19 precisam de um ventilador porque têm dificuldade em introduzir oxigênio nos alvéolos pulmonares inflamados.

“A primeira medida é fornecer oxigênio através de cateteres de oxigênio. Na pior das hipóteses, eles devem ser sedados, intubados e colocados no ventilador mecânico. O médico ajustará a máquina com os parâmetros de ventilação considerados protetores”, afirmou. Jorge Luis Valiatti.

Anvisa carece de aprovação

Para que o Inspire comece a ser produzido e distribuído pelo Brasil, ainda é necessária a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo a equipe da Poly responsável pelo projeto, a agência normalmente leva mais de um ano para emitir toda a documentação regulatória. Após a aprovação, o ventilador pode até ser comercializado.

No entanto, devido à urgência, os pesquisadores não podem esperar tanto tempo para começar a distribuir o Inspire. Portanto, no caso do ventilador da USP, a Anvisa emitirá uma aprovação por meio de um projeto de pesquisa clínica, com alguns testes anteriores, que já foram realizados com sucesso e sob a responsabilidade de um médico ou técnico.

Por esse processo, a Anvisa exige que o equipamento seja doado, para que não possa ser vendido. No entanto, os pesquisadores também entrarão no processo de aprovação convencional para que o setor público possa explorar o projeto público.

You May Also Like

About the Author: Adriana Costa

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *