Esperança e persistência, a mensagem dos jovens da Amazônia para o mundo – 04/01/2020

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Carauari, Brasil, 1 de abril de 2020 (AFP) – Dias antes do novo coronavírus parar o mundo, jovens ribeirinhos se reuniram para discutir soluções para problemas em comunidades no coração da Amazônia, onde vivem, estudam e trabalham.

Em uma região afetada por incêndios no ano passado, questões como mudança climática, desenvolvimento sustentável e economia florestal dominaram os debates.

Organizado pela ONG Fundación Amazonas Sostenible (FAS), o 1º Congresso Juvenil Florestal reuniu, entre os dias 13 e 15 de março, 287 jovens de nove municípios da comunidade Bauana, a três horas de lancha de Carauari, para 788 quilômetros de Manaus.

Da floresta luxuriante onde querem ficar, três desses jovens, Maria, Kélita e Fábio, enviaram uma mensagem de esperança e persistência ao mundo.

– A “Greta” da Amazônia – Maria Cunha, 26 anos, mora na comunidade de São Raimundo, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari, em Carauari. Com 632.949 hectares, a reserva abriga 358 famílias em 30 comunidades ribeirinhas, que vivem de extração e pesca.

A técnica em produção sustentável e uma agente ambiental voluntária, María, que promove ações como a coleta de lixo, já visitou São Paulo, mas não considera sair da floresta.

Para ela, preservar a Amazônia é trabalhar com suas populações, que vivem em harmonia com a natureza há gerações.

“Somos os guardiões da floresta. Vivemos aqui e dependemos dela por praticamente toda a nossa subsistência. Se não cuidarmos de nossas florestas, em que viveremos?”, Pergunta ele.

As mudanças que ela vê na Amazônia, como o calor, mais intenso que o normal, e o nível dos rios, dizem respeito à jovem.

“A alimentação é cada vez mais difícil a cada dia. Quando a água não cresce, os peixes não aparecem e a comunidade fica com pouca comida porque nossa maior (fonte) de sustento é o peixe”, explica ele à AFP.

A escassez também afeta animais selvagens.

“Eles procuram comida no quintal de nossa casa porque não a encontram mais rapidamente na floresta devido a incêndios e desmatamento”, diz María.

Jovens como ela podem fazer a diferença. “Sem nossas ações como agentes ambientais voluntários, tudo pode acabar em um futuro próximo”, alerta.

“Sonhamos em ser uma Greta no futuro, aquela garota empoderada que busca seus direitos”, diz ela.

– A filha pródiga – Aos 13 anos, Kélita do Carmo decidiu ir à cidade em busca de oportunidades. Ele deixou Bauana, uma comunidade rural com palafitas às margens do rio Juruá, e foi para Manaus trabalhar como babá.

Ele morou lá por oito meses, mas não se adaptou. Hoje, com 22 anos, ela quer ser professora e está se preparando para começar a faculdade em um centro educacional perto de sua comunidade.

“Ultimamente, estou avaliando as coisas aqui. Após o retorno, as lutas dos movimentos sociais trouxeram o curso da Pedagogia do Campo aqui”, afirma.

O curso, uma parceria entre a FAS e a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), é o primeiro curso de ensino superior da floresta. Foi criado para treinar professores de caboclo, dada a falta de profissionais nas escolas locais.

Além das disciplinas regulares, o currículo inclui outras disciplinas focadas na realidade local, como permacultura e agroecologia.

Em março, os 45 alunos da primeira turma iniciaram as aulas, que foram suspensas para impedir a chegada do coronavírus.

Para Kélita, a floresta oferece perspectivas: estudo e renda sustentável, com planos de extração e manejo.

– Ribeirinho, com orgulho – o vizinho de Kélita, Fábio Gondim, 16, tem a genialidade de um adulto em campo.

Enquanto aguarda as aulas na mesma universidade, o garoto, que finge ser professor de matemática, ajuda os familiares a colher açaí e a cultivar mandioca para produzir a farinha que consomem e vendem.

Como um atleta, suba em uma palmeira de dez metros de açaí em alguns minutos.

“Nunca me ocorreu deixar Bauana. Não sinto vontade de morar na cidade. Tudo é mais fácil aqui. A comida, a renda que extraímos da floresta …”, diz ele.

Preocupado com as mudanças climáticas, sua comunidade está se adaptando.

“Trabalhamos com farinha de mandioca e precisamos desmatar um pouco para sobreviver. Nos últimos anos, tentamos minimizar o desmatamento para não sofrer o aquecimento global”, explica ele.

A extração de andiroba, murumuru e açaí complementa a renda sem desmatamento.

Quando perguntado o que ele diria aos jovens preocupados com a floresta, ele responde: “Continue lutando pela Amazônia, porque é isso que está sustentando o mundo”.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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