Estudo brasileiro pode afetar a compreensão da origem da vida na Terra – Espaço-Tempo

Vista esquemática da magnetosfera, o campo magnético da Terra (Greg Shirah e Tom Bridgman / Nasa / Goddard Space Flight Center)

Um estudo liderado pelo brasileiro Cauê Borlina, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), levanta questões importantes sobre as origens do campo magnético da Terra. Se confirmada, a descoberta tem um impacto mesmo em nossa compreensão da origem da vida na Terra.

A Terra possui um campo magnético essencial para proteger a vida em sua superfície. Este campo desvia o vento solar e impede que nossa camada de ozônio seja completamente destruída. Portanto, o estabelecimento da magnetosfera é um fator decisivo na determinação da quantidade de radiação ultravioleta que a Terra recebeu em sua juventude, permitindo o aparecimento e a evolução dos seres vivos de uma maneira muito diferente.

Este campo foi gerado quando o núcleo ferroso da Terra solidificou, após um início muito quente quando o ferro derreteu. Os resultados acima pareciam indicar que isso aconteceu há mais de 4 bilhões de anos atrás, mais ou menos quando as primeiras formas de vida devem ter aparecido no planeta.

No entanto, Borlina e seus colegas dizem que não havia evidências de campos magnéticos antes de 3,5 bilhões de anos. Os cientistas chegaram a esse resultado analisando minerais conhecidos como zircão, do deserto australiano.

O brasileiro explica o estudo: “OAlguns minerais, quando formados e resfriados na presença de um campo, podem armazenar essas informações por bilhões de anos. No caso do zircão, ele é formado com pequenas inclusões de magnetita no interior que registravam o campo na época. “

Oportunidades no exterior

Borlina alcançou esse resultado durante seu doutorado, no qual estuda amostras microscópicas de minerais para entender as origens dos campos magnéticos da Terra no início do Sistema Solar. Paulista, terminou o ensino médio e foi para a Universidade de Michigan, antes de começar no MIT.

Aqui aproveito para comentar o doutorado no exterior. Eu também fiz o meu nos Estados Unidos, na Califórnia, e muitas pessoas me perguntam sobre a experiência. Eu sempre respondo que é importante diferenciar causa e efeito.

Está tudo melhor? Temos que sair do país? Afinal, também temos muita ciência de ponta aqui. A grande diferença é o investimento em pesquisa básica, que no Brasil já é pequena e está diminuindo drasticamente. Se queremos produzir prêmios Nobel, a solução é não esperar o próximo gênio da humanidade nascer aqui; não, precisamos promover um ambiente científico com infraestrutura e recursos.

Só então podemos criar institutos como o MIT. Enquanto isso, podemos nos orgulhar de pesquisas como a de Cauê Borlina, que agora estuda fragmentos de meteoritos para entender melhor os campos magnéticos na formação do Sistema Solar. E espero que ele volte ao Brasil no futuro, quando a situação da ciência estiver um pouco melhor.

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