Horários de Buenos Aires | Brasil: Acordo do Uruguai com a China ‘destruiria’ o Mercosul

Um acordo de livre comércio entre Uruguai e China destruiria o Mercosul ao contradizer as políticas de integração do bloco, disse o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, em entrevista publicada neste domingo no Folha de São Paulo Jornal.

Vieira se referia ao anúncio feito pelo governo uruguaio, em julho, de que havia dado os primeiros passos para negociar um tratado bilateral com o gigante asiático, o que gerou desentendimentos com os sócios do Mercosul.

“Se você negociar fora da Tarifa Externa Comum, você destrói a tarifa. Ninguém está interessado em destruir o Mercosul”, disse o chanceler ao jornal.

“Se eles negociarem com taxas diferentes, menores, o que entra naquele país mais barato vai circular nos demais, devido à livre circulação [of goods]disse o chanceler, opondo-se à pressão para relaxar as regras do bloco.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, visita o Uruguai nesta quarta-feira em sua primeira viagem internacional, que começa no domingo com passagem pela Argentina, onde será realizada a sétima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). realizada na terça-feira. .

Lula partirá para Buenos Aires em uma tentativa de restaurar a proeminência regional do Brasil e fortalecer os mecanismos de integração sul-americana, como o Mercosul, após o governo do líder de extrema-direita Jair Bolsonaro.

O bloco, fundado em 1991, vive uma crise, em meio a tensões entre sócios e iniciativas de flexibilização, apoiadas por Bolsonaro.

“O Mercosul não é o mesmo de quando foi criado. É preciso olhar para as necessidades de cada país e para as assimetrias que existem e ver se dá para fazer algum tipo de concessão”, disse o ministro brasileiro. Folha.

A Tarifa Externa Comum (TAE) a que se referiu Vieira teve múltiplas exceções, como as aplicadas unilateralmente por Argentina e Brasil.

“Temos que conversar com Argentina, Uruguai e Paraguai sobre o presente e o futuro do Mercosul (…) e fazer os ajustes necessários no diálogo com os empresários de nossos países”, disse Vieira à agência de notícias argentina Télam neste sábado.

As fortes divergências dentro do bloco ficaram evidentes na última cúpula do Mercosul, realizada em dezembro em Montevidéu.

Em particular, os sócios criticaram o governo uruguaio por iniciar as negociações com a China sem seu consentimento, conforme exigido pelas regras do grupo.

Por outro lado, Vieira referiu-se ao acordo que o Mercosul procura concluir há mais de duas décadas com a União Europeia: “Estamos a fazer análises internas (…) com os países do Mercosul e depois vamos retomar as conversações.” com a União Europeia, se a análise for positiva, vamos seguir em frente”.

Lula tem dito que o acordo não é válido e que espera discutir uma versão que respeite a “vontade do Brasil” e que não o obrigue a renunciar à “reindustrialização”.

–– TIMES/AFP

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