Idosos confinados: netos ajudam Stênio, Rosamaria e Pitanga a adotar tec – 05/06/2020

Idosos confinados: netos ajudam Stênio, Rosamaria e Pitanga a adotar tec - 05/06/2020

Se os idosos estavam se acostumando gradualmente à tecnologia, o confinamento imposto pelo coronavírus tornava obrigatória a digitalização da velhice. Com a presença de atores da velha guarda da televisão brasileira, o Debate Nesta sexta-feira (5) mostrou que as novas gerações e as antigas ampliavam a troca de conhecimentos na atualidade.

Os convidados para o debate foram os atores Antônio Pitanga, Rosamaria Murtinho e Stênio Garcia, além deles Sérgio Serapião, fundador do Lab60 e especialista em longevidade. A mediação recai sobre Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotivo.

Para participar da transmissão ao vivo promovida pela Twitter, os antigos atores da guarda tiveram que aprender a ganhar a vida, algo não muito comum para a idade deles. É o caso de Rosamaria, que disse que isso apenas melhorou seu dia.

“Gosto de aprender, ouvir. Hoje eu aprendi como fazer isso ao vivo, foi difícil. Valeu o meu dia”, afirmou a atriz, que chegou um pouco depois de seus colegas devido a dificuldades técnicas.

Grande parte do conhecimento das pessoas idosas neste momento, nas quais o digital se torna mais relevante, vem de filhos e netos, que estão imersos neste mundo há mais tempo. Para Pitanga, é preciso ter humildade para aprender com as gerações mais jovens, que dão um aspecto diferente a tudo.

“São novas ferramentas que eles usam, uma nova maneira de ver o mundo. Minhas três netas trazem uma fonte tão bonita, se eu não tiver a humildade de ter essa leitura, permaneço estático e paro em vez de crescer. Tenho que me alimentar deles fonte porque são novas ferramentas com as quais não sei lidar. Tenho que beber dessa fonte, conversar com esta geração “, disse ele. “Acho que essas crianças chegaram com um chip”, brincou.

Stênio Garcia enfatizou que o entendimento da tecnologia é importante principalmente para sua área, que trata da imagem pessoal. E ele disse: ele não tem vergonha de perguntar nada a ninguém.

“Posso fazer uma boa pergunta, não sei tudo, ainda tenho muito a aprender. Sou uma criança de quase 88 anos. Estamos sempre aprendendo, adoro perguntar. Gosto de pedir mais do que responder”, afirmou.

Preconceito contra a velhice

A presença dos três atores com mais de 80 anos também mostrou que o senso de “velhice” mudou. Hoje, a longevidade é muito mais longa e o papel dos idosos na sociedade mudou, como destacado por Sérgio Serapião.

“O aposentado é aquele que se aposenta da vida social e vai para o quarto deles e não teria nenhum papel na sociedade. E não é nada disso. Aqui estão exemplos de como a longevidade é ativa. Quando chega a Covid, estamos todos confinados em casa”. Covid levanta questões que temos debaixo do tapete. A questão do viés de idade cresceu muito. Países que escolhem leitos hospitalares por idade. Os jovens têm mais direitos que os homens velhos? “, Pergunta.

Para Rosamaria, o preconceito existe porque as pessoas pensam que o velho não tem conhecimento, mas na realidade é o contrário.

“Existe muito preconceito contra as pessoas mais velhas. Acho que existe porque elas acham que não sabemos muitas coisas. E porque somos velhos, sabemos mais. E quando se trata de contar coisas, isso conta apenas como se você fosse velho. Todos temos tantas histórias, elas são as pessoas que sabem. Mas o preconceito não nos permite entrar em bate-papos “, diz ele.

Serapião também aponta para um problema com as novas tecnologias criadas por menores de 30 anos que não levam em consideração as dificuldades dos idosos, como audição e visão. “Dizemos que os idosos têm dificuldades, mas isso não é tudo, é que a tecnologia não foi feita para eles e então eles precisam fazer isso”, afirmou.

Rotina em quarentena

Uma pesquisa do Locomotive Institute mostrou que os idosos estão entre o grupo que menos respeita o isolamento social e os conselhos para as pessoas ficarem em casa. Ao compartilhar suas rotinas diárias, os participantes do painel mostraram alguma reflexão sobre isso: eles ainda garantem ser cuidadosos.

“Ando muito cedo, quando está vazio. Moro perto de um aterro sanitário, onde não há multidões. Li muito. Fui uma pessoa que vai à feira, ao supermercado, com muito cuidado. Como minha esposa Benedita (da Silva , deputado federal do PT). Sou um grupo de risco. Eles me disseram que sou um grupo de risco, mas tenho uma idade cronológica que duvido, aconteceu algo que não tenho 81 anos “, relatou.

Stênio disse que viveu bem porque está em uma casa no meio da floresta, com animais e companhia. Tudo isso ajuda a não se sentir sozinho.

“Eu sempre gosto de tudo, moro em um lugar com uma natureza muito bonita. Minha casa é adaptada aos animais, tenho pessoas que me fazem companhia. E há você que eu posso usar, não estou sozinha”, afirmou.

Contra a tendência dos idosos, Rosamaria declarou que não sai de casa há 76 dias. Ela espera seguir uma rotina rigorosa para não perder o foco durante o isolamento social.

“Começo a me alongar na cama, tomo café e depois me exercito. Às 15h, rezo o rosário com Elba Ramalho, depois vejo” Chocolate com pimenta “, às 16h30, vou ler, depois irei para Netflix para assistir The Crown. Meu dia está muito lotado nessa quarentena, então não tenho tempo para me arrepender de estar velho. Sim, estou velho, mas não importa, estou trabalhando “, disse ele com orgulho.

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