Índios da América do Sul e polinésios cruzaram seu DNA há 800 anos – 10/07/2020

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Paris, 10 de julho de 2020 (AFP) – Índios da América do Sul e polinésios cruzaram as milhares de milhas náuticas que os separavam por volta de 1.200, conforme evidenciado pelo DNA presente nas populações de hoje, revela um estudo científico.

No entanto, não se sabe se foram os povos do que hoje é a Colômbia e o Equador que navegaram para as pequenas ilhas polinésias no Pacífico, ou se foram os polinésios que fizeram a viagem de ida e volta à América do Sul.

Mas o que é certo, de acordo com o estudo publicado quarta-feira na revista Nature, é que o encontro ocorreu vários séculos antes dos europeus desembarcarem nas duas regiões e o Novo Mundo deixar vestígios no DNA da população polinésia. Francês.

“Essas descobertas mudam nossa compreensão de um dos capítulos mais desconhecidos da história das grandes expansões continentais de nossa espécie”, disse à AFP o pesquisador Andreas Moreno-Estrada, do Laboratório Nacional de Biodiversidade Genômica do México.

Arqueólogos e historiadores debatem há décadas a possibilidade de os índios americanos e as ilhas do Pacífico se cruzarem durante esse período.

– Batata-doce, o tubérculo comum: em 1947, o explorador e escritor norueguês Thor Heyerdahl se aventurou a construir uma jangada precária, que ele chamou de Kon-Tiki (devido ao principal deus Inca, Apu Kon Tiki Viracocha), e partiu do Peru por quase 7.000 km em 101 dias antes de aterrar em Tuamotu, Polinésia Francesa.

Esta é uma das ilhas em que o DNA do Novo Mundo apareceu.

Heyerdahl estava convencido de que os povos indígenas do atual Peru haviam habitado essas remotas ilhas do Pacífico e queriam demonstrar que isso era possível. No entanto, sua hipótese seria apenas metade correta.

“É mais provável que os polinésios tenham ido para as Américas por causa de sua tecnologia de viagens e sua capacidade comprovada de percorrer milhares de quilômetros em águas abertas”, disse o principal autor do estudo, Alexander Ioannidis, pesquisador da Universidade de Stanford.

Até agora, a principal evidência de que esses povos se cruzavam com os povos indígenas das Américas era a batata-doce.

“Embora seja nativo das Américas, foi encontrado em ilhas a milhares de quilômetros (do continente), antes de qualquer contato europeu”, segundo Ioannidis.

Além disso, as palavras que descrevem esse tubérculo em polinésio são semelhantes às encontradas nas línguas indígenas dos Andes.

Os céticos, no entanto, alegaram que os surtos de batata doce também poderiam ter atravessado o Pacífico sozinho, em um pedaço de madeira flutuante, por exemplo.

– Uma nova maneira de escrever a história – Os pesquisadores coletaram dados genéticos de 15 grupos indígenas na costa do Pacífico da América do Sul e Central e 17 ilhas da Polinésia, com um total de mais de 800 indivíduos.

“Estamos procurando longas filas de DNA com exatamente o mesmo código”, disse Ioannidis.

A coincidência entre grupos indígenas na Colômbia e no Equador foi inegável, como confirmado pelos métodos estatísticos tradicionais e pelas modernas técnicas de “big data”.

“Medindo o comprimento dos pequenos fragmentos de DNA dos nativos americanos presentes entre os polinésios, podemos estimar quantas gerações o contato ocorreu”. E a data que resultou dessa análise foi de 1.200.

Entre as grandes teorias que essa descoberta provavelmente desencadeará, está a afirmação de que Rapa Nui, mais conhecida como Ilha de Páscoa, foi o local em que as duas culturas se encontraram pela primeira vez.

Segundo Ioannidis, novos métodos de inteligência de dados podem permitir a descoberta de histórias desconhecidas do passado.

“A genética e a ciência de dados agora nos permitem explicar as histórias mais incríveis e não menos verdadeiras do resto da humanidade.”

“É isso que me motiva”, afirmou o pesquisador.

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