Inspetores de máscaras, febre e movimento: qual é o nosso futuro com os drones – 06/12/2020

Inspetores de máscaras, febre e movimento: qual é o nosso futuro com os drones - 06/12/2020

O mundo pós-covid-19 pode precisar se acostumar a abrir a vigilância aérea com drones. Tudo começou na China, onde a equipe enviou pessoas andando pelas ruas sem máscaras. Mas eles estão prontos para ir além, com controle automático, reconhecendo rostos e até medindo a febre das pessoas na rua.

A tendência de usar drones na pandemia ganhou vida aqui no Brasil, causando multidões de espectadores quando o objetivo era dispersá-los. Nos Estados Unidos, as empresas já oferecem às autoridades tecnologias que combinam drones e IA (inteligência artificial), que até percebem se uma pessoa está usando uma máscara ou não.

Uma dessas empresas é a Airspace Systems, que desenvolve software para drones e adaptou, nos primeiros meses de 2020, sua IA para controlar a circulação e limpar os ambientes públicos. A empresa diz que possui um sistema pronto para encomendar centenas de drones em uma cidade.

“Temos tudo pronto para lançar autônomos mil drones pela cidade, coletando dados de máscaras, dispersando multidões e pulverizando com aerossóis”, diz o engenheiro brasileiro que mora nos EUA. EUA Aislan Foina, CEO da Geo-X e parceira no espaço aéreo. iniciativa.

O engenheiro diz que “cidades americanas com milhões de habitantes” estão interessadas nesses recursos e que processos semelhantes a avisos públicos foram abertos a fornecedores contratados.

No final de abril, outra empresa, a canadense Draganfly, Anunciado um acordo com um condado do estado de Connecticut para usar drones capazes de identificar febre, respiração e batimentos cardíacos, além de pessoas que espirram ou tossem em público.

A proposta era usar drones em praias, estações de trem, parques e outras áreas públicas, mas a iniciativa recebeu resistência do público e acabou sendo arquivada.

Para o advogado Renato Opice Blum, coordenador do curso de direito digital e proteção de dados na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), se o objetivo do uso do drone for bem definido e respeitado pelas autoridades, não haverá abuso na adoção do recurso , apesar da possível rejeição popular.

“Eu traçaria um paralelo entre o drone e as câmeras de rua. Desde que o objetivo seja público, lidar com a pandemia, identificar multidões e até monitorar a não conformidade comprovada com os padrões, não vejo problemas. Parece estranho porque é um drone, é novamente, é por nossa conta “, ele argumenta.

“O que as autoridades públicas não podem fazer é desviar-se desse objetivo e começar a usar essas capturas, imagens, para outras coisas além do objetivo público, que deve ser declarado”, acrescenta o advogado.

O drone na pandemia

Em vez de alguém pilotar e olhar através da câmera do drone se as pessoas não tiverem uma máscara nas ruas, a tecnologia atual permite que a equipe voe apenas por região e detecte anomalias através do reconhecimento de imagens. O procedimento é automatizado, mas não 100% autônomo, de acordo com os regulamentos atuais.

“Existe um voo manual, automatizado e autônomo. O autônomo praticamente todo mundo não permite. O que é permitido é o automatizado: uma certa missão é definida e o drone a cumprirá”, explica Lincoln Kadota, presidente da ABM (Associação Multi-rotor brasileiro).

Segundo Foina, para que o uso do drone seja viável, por exemplo, em um contexto de controle do uso de máscaras pelas cidades, o modo manual deve ser descartado. “Não escala bem. Pegue a cidade de Los Angeles. Se você quiser controlar toda a cidade, precisará de 50.000 pilotos”, projeta o engenheiro.

Além do voo automatizado, esses novos drones também funcionam sem interferência humana em tarefas como detectar pessoas sem máscaras ou pulverizar ruas.

“Um diferenciador está procurando bocas. Vemos pessoas com uma máscara pendurada no pescoço, penduradas”, diz Foina. Ou seja, o sistema não apenas detecta máscaras no rosto, mas também a boca descoberta. Isso é importante porque as pessoas estão usando mal opções alternativas, como bandanas e camisetas, além de máscaras fora do lugar, como em volta do pescoço.

No entanto, a máscara ainda é a que gera as maiores taxas de sucesso no sistema (90%), embora a detecção de outras variáveis ​​melhore à medida que o sistema é exposto a mais imagens, através do aprendizado de máquina. O All-Clear, um sistema de espaço aéreo, ainda identifica grupos de pessoas que se aproximam e pode alertar as autoridades quando a distância social não é respeitada.

“O que fazemos no sistema: convertemos a detecção em coordenadas de latitude e longitude e enviamos o local da pessoa sem máscara para o cliente”, explica o chefe do Geo-X.

A empresa diz que se preocupa com a privacidade da população e descreve seu sistema como um detector de proteção facial, não como reconhecimento facial, um recurso banido em locais como a cidade de São Francisco. Entre as precauções tomadas está o não armazenamento de rostos registrados, mas as imagens são transmitidas em tempo real às agências de segurança.

No caso de um sistema de vigilância, as práticas são positivas em relação à privacidade dos dados. “Se é apenas um registro de quem está usando uma máscara e não permite a identificação, isso se aproxima dos dados anônimos. Os dados anônimos são entregues sem informações”, analisa Opice Blum.

Limitações e marketing

É verdade que os drones já podem agir como vigilantes, dispersar multidões, desinfetar ruas e medir a temperatura corporal das pessoas nas ruas. Mas por trás de todo esse poder, há uma limitação significativa: a vida da bateria. Eles têm pouco mais de dez minutos para fazer a lição de casa antes de retornar à base e recarregar.

“O drone permanecerá no ar por 20, 15 minutos. Você pode até usar equipamentos mais elaborados com um pouco mais de autonomia. Existe viabilidade, mas o gargalo de hoje é autonomia”, diz Kadota.

Flavio Lampert, CEO da ABM, é mais incisivo. “Drone é apaixonado, é pop”, diz ele. “Hoje é comercializado (usando drones para monitorar o uso de máscaras), ainda não possui tecnologia suficiente”.

Como a bateria tem vida curta, a operação desse sistema pode se tornar cara para os cofres públicos, apesar de ser mais impressionante e inovadora.

Uma alternativa mais barata com resultados semelhantes seria usar o reconhecimento de máscara pelas câmeras de segurança da cidade. Mas você perderia a flexibilidade de um drone.

Além disso, as autoridades têm alguns problemas legais pela frente, mas em muitos casos podem usá-lo se o objetivo for público, como controlar a pandemia. “Se o LGPD estivesse em vigor, isso permitiria. Desde que você perceba que está coletando dados e que a administração pública diz quem é responsável por proteger esses dados”, diz Opice Blum.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), responsável pelas regras sobre o uso de drones no Brasil, informou que não há estudos sobre o monitoramento do uso de máscaras ou a pulverização de cidades com drones no contexto da pandemia. No entanto, permite que as agências de segurança pública usem drones sem a necessidade de autorização de voo, desde que o equipamento seja registrado para fins de uso.

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