Lições das secas de São Paulo no Brasil (comentário)

  • São Paulo enfrenta secas cada vez mais fortes, como foi o caso em 2021. Em 2014, a cidade esteve perto de secar seus reservatórios. A agricultura e a energia hidrelétrica no Brasil também dependem de chuvas confiáveis.
  • A mudança climática antropogênica está aumentando as flutuações nas temperaturas das águas superficiais dos oceanos e aumentando a frequência da combinação de água quente no Atlântico e água fria no Pacífico na costa da América do Sul, combinação que leva a secas em São Paulo.
  • As tendências nas temperaturas dos oceanos devem piorar essas secas, mas o que pode torná-las verdadeiramente catastróficas é a perspectiva de que essa variação se combine com o impacto do desmatamento que priva São Paulo da água que é reciclada pela floresta amazônica e transportada para o sudeste do Brasil. pelos “rios voadores”. As lições são claras: controle o aquecimento global e pare o desmatamento.
  • Esta postagem é um comentário. As opiniões expressas são do autor, não necessariamente Mongabay.

O ano de 2021 é um ano La Niña, e A garota eventos tipicamente levar a secas no sudeste do Brasil, onde São Paulo, o quarta maior cidade, encontra-se. Os eventos La Niña são o resultado do resfriamento das águas superficiais na parte oriental do Oceano Pacífico (Figura 1). Em uma escala de 10 anos, o décadas mais secas nesta região correspondem àqueles com uma combinação de água fria no Pacífico, indicada por valores negativos do Índice de Oscilação do Pacífico (EM BREVE), e águas mais quentes no Atlântico Sul, indicadas por valores positivos da Oscilação Multidecadal do Atlântico (PROFESSORA) índice. É o caso em 2021, e em abril a POI caiu drasticamente para valores ainda mais negativos.

Água quente no Atlântico e água fria no Pacífico ao largo da América do Sul em abril de 2021. Fonte: CPTEC / INPE

Este ano, o sudeste do Brasil foi atingido por uma grande seca que afetou a geração de energia hidrelétrica, a agricultura e o abastecimento de água urbano. O principal fator é uma grande variação na precipitação associada à mudança climática global, com o efeito do aumento gradual do desmatamento na Amazônia sendo um efeito menor adicionado a essa variação. No entanto, com o tempo, mais desmatamento levará a mais secas no sudeste do Brasil, especialmente se a região “Trans-Purus” na parte ocidental da Amazônia brasileira entre o rio Purús e a fronteira com o Peru for desmatada. É possível que o desmatamento na Amazônia já esteja afetando a média de chuvas no sudeste do Brasil, uma vez que modelos climáticos comparando a Amazônia brasileira com a vegetação original versus a vegetação que estava presente em 2007 indicaram que nas chuvas na parte sul do país. A região amazônica já estava sendo afetada. O fato de a porção sul da Amazônia estar localizada no trajeto do jato sul-americano de baixo nível (SALLJ) os ventos, conhecidos como “rios voadores”, implica que a Região Sudeste do Brasil, que está mais à frente na trajetória desses ventos, também seria afetada. No entanto, isso se refere à precipitação média e não à variação que domina para explicar a atual seca.

Além da redução da entrada de vapor d’água nos “rios voadores”, os próprios ventos estão mudando. Durante as últimas três décadas, houve um intensificação do braço norte andino do SALLJ, que transporta vapor de água para a Bolívia, Paraguai e noroeste da Argentina, enquanto o braço andino central enfraqueceu, reduzindo o fluxo para o sudeste do Brasil.

A frequência de grandes secas no sudeste do Brasil é aumentando significativamente. O Seca de 2014 nesta região foi notável, e a “crise da água” daquele ano resultou de uma combinação de causas. Havia chovido abaixo do normal desde o ano anterior, a temperatura estava anormalmente alta e um sistema de alta pressão ficou estacionado na região de São Paulo por 51 dias. criando uma barreira na baixa atmosfera, bloqueando a entrada de umidade do Atlântico e inibindo as chuvas. Ao mesmo tempo, um deslocamento da zona de convergência do Atlântico Sul (SACZ) impediu a chegada de vapor d’água da Amazônia através dos “rios voadores”, sendo esse deslocamento o mesmo que contribuiu para a elevação recorde do rio Madeira naquele ano. O sistema eólico que desviava os “rios voadores” estava ligado a um teleconexão (uma ligação causal à distância) com o Circulação de Walker célula no Pacífico, que, por sua vez, foi alterada por uma fonte de calor anormal perto da Austrália. As águas superficiais do Atlântico próximo à costa sudeste do Brasil eram quentes, e esta condição é associado a secas na região. A tendência de águas mais quentes nesta parte do Atlântico Sul se deve em parte ao agulhas de vazamento, qual ligado ao aquecimento global. O agulhas atuais no Oceano Índico carrega água quente pela costa da África de Moçambique ao Cabo da Boa Esperança, onde vira bruscamente para o leste sob a influência dos ventos de oeste e da corrente circumpolar da Antártica (a “ACC, ”Também conhecido como“ deriva do vento oeste ”) (Figura 2). Porém, com o aquecimento global, os ventos de oeste que impulsionam o ACC estão se movendo para o sul, deixando espaço para a corrente das Agulhas “vazar” para o Atlântico Sul. Grandes vazamentos ocorrem com mais frequência, e a água quente pode se espalhar em diferentes direções, incluindo o litoral de São Paulo.

Figura 2. O riacho das Agulhas.  Fonte: Wikipedia
Figura 2. O riacho das Agulhas. Fonte: Wikipedia

Reservatórios de secagem paulista

O volume de água nos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo em 2014 caiu para apenas 5% de sua capacidade total. Com o “volume morto” dos reservatórios sendo bombeado e quase esgotado, a cidade de São Paulo chegou poucos dias depois de ficar sem água até para beber. Medidas de mitigação foram implementadas em anos posteriores, mas mesmo assim, especialistas no sistema hídrico de São Paulo avisou que “A suposição de que os problemas de água serão resolvidos com a construção de mais infraestrutura pode falhar devido às crescentes necessidades humanas e às mudanças climáticas.”

A seca de 2014 foi provavelmente devido a mudança climática antropogênica, mas a seca não teve relação direta com o desmatamento na Amazônia. A seca de 2021 (Figura 3) também é uma variação aumentada pelas mudanças climáticas. O problema é que se essa variação se somar ao efeito de mais desmatamentos na Amazônia, a soma pode ser catastrófica não só para os grandes centros urbanos do país, mas também para o agronegócio (ver aqui, aqui Y aqui) A bacia do rio Paraná / La Plata depende da Amazônia para 70% de sua água. O desmatamento continua gradativamente, aumentando a perda de serviços ambientais florestais um pouco a cada ano. A floresta recicla uma quantidade enorme de água a cada ano, maior que a vazão do rio Amazonas, e se a região for transformada em pasto para o gado, essa reciclagem não ocorrerá mais. A água que agora é reciclada é transportado avançando pelos ventos conhecidos como “rios voadores”, fornecendo assim vapor d’água para gerar chuvas, ainda em São Paulo (ver aqui, aqui, aqui, aqui Y aqui) Se não for reciclada, a água que entra na Amazônia após evaporar do Oceano Atlântico cairá apenas uma vez em forma de chuva e retornará ao oceano pelo rio Amazonas.

A seca de 2021: água no solo em abril.  Fonte: CEMADEN
A seca de 2021: água no solo em abril. Fonte: CEMADEN

A dependência das Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil apenas das águas da Amazônia torna de grande interesse para o país conter todo o desmatamento na Amazônia. Não basta deter o desmatamento “ilegal”, que é a meta anunciada pelo governo. Parar o desmatamento é possível porque praticamente todos desmatamento é devido a pastagens e sojacom desmatamento mínimo para culturas de subsistência da população local.

Este texto é atualizado de uma versão em português publicada por Amazon real.

Imagem do cabeçalho: Condições de seca prolongada levaram à pior seca no centro e sul do Brasil em quase um século. O imageador operacional Landsat 8 da NASA (OLI) capturou uma imagem do Lago das Brisas no rio Paranaíba em 17 de junho de 2021. Foto: NASA

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