Líderes latino-americanos rejeitam interferência de Almagro na Bolívia

Mais de 30 líderes latino-americanos, entre eles ex-presidentes, ex-chanceleres e líderes políticos, se manifestaram contra a “ingerência nos assuntos internos” da Bolívia por parte do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que levantou a A necessidade de reformas no sistema judicial boliviano, bem como de uma comissão para investigar os casos de corrupção, informou o Página 12 em seu site.

“Os abaixo assinados expressam nossa preocupação e rejeição às comunicações do Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro Lemes, que abre um precedente perigoso para uma organização criada com o objetivo de buscar consensos, promover o diálogo interamericano e a solução pacífica de controvérsias no hemisfério ”, afirmaram, entre outros, Lula da Silva e Dilma Rousseff, do Brasil; Fernando Lugo, do Paraguai; Rafael Correa, do Equador; José Mujica, do Uruguai; O próprio Evo Morales, da Bolívia; o ganhador do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; o ex-chanceler argentino Jorge Taiana; e o presidente do Observatório da Democracia do Parlasul, Oscar Laborde.

Os signatários realizaram uma reunião virtual hoje, na qual concordaram com a declaração. Os ex-presidentes Ernesto Samper, da Colômbia; Leonel Fernández, da República Dominicana; Manuel Zelaya, de Honduras; Salvador Sánchez Cerén, de El Salvador; e Álvaro Colom e Vinicio Cerezo, da Guatemala.

“Luis Almagro manifesta ingerência nos assuntos internos do Estado Plurinacional da Bolívia ao propor, entre outras coisas, a criação de uma comissão internacional para investigar supostas denúncias de corrupção e reformar o Sistema de Justiça”, afirmaram no comunicado. Ressaltaram que “essas declarações vão muito além de sua missão como secretário-geral do órgão regional e ignoram o funcionamento do Sistema Interamericano”.

Também advertiram que “o Secretário-Geral deve abster-se de fazer pronunciamentos unilaterais envolvendo todos os membros da organização, sem respeitar o caráter colegiado de seu mandato e não deve intervir nos assuntos internos dos Estados membros da OEA”.

A carta se soma à rejeição ao papel de Almagro expressa na semana passada pelo Parlamento Andino e também pelo presidente do México, Andrés López Obrador.

“Não podemos ignorar ou esquecer a responsabilidade da OEA, especialmente de seu Secretário-Geral, Luis Almagro, com o relatório sobre o processo eleitoral de 2019 – cujo conteúdo deve ser auditado – que culminou em um golpe de estado de lamentáveis ​​conseqüências pela Bolívia, quebrando a democracia e o Estado de Direito, com graves violações dos direitos humanos, com massacres e assassinatos, com perseguições políticas e proscrições ”, afirmam os líderes latino-americanos no documento.

Abaixo, o texto completo da declaração, com todos os seus signatários:

Rejeição de interferência na Bolívia

Os abaixo assinados expressam nossa preocupação e rejeição às comunicações do Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro Lemes, que abre um precedente perigoso para uma organização criada com o objetivo de buscar consensos, promover o diálogo interamericano e a solução pacífica de controvérsias. no hemisfério.

Na referida declaração, Luis Almagro manifesta ingerência nos assuntos internos do Estado Plurinacional da Bolívia ao propor, entre outras coisas, a criação de uma comissão internacional para investigar alegadas denúncias de corrupção e reformar o Sistema de Justiça. Essas declarações excedem em muito sua missão como Secretário-Geral da organização regional e ignoram o funcionamento do Sistema Interamericano.

O Secretário-Geral deve abster-se de fazer pronunciamentos unilaterais envolvendo todos os membros da Organização, sem respeitar o caráter colegiado de seu mandato, e não deve intervir nos assuntos internos dos Estados membros da OEA.

Não podemos ignorar ou esquecer a responsabilidade da OEA, especialmente de seu Secretário-Geral, Luis Almagro, com o relatório sobre o processo eleitoral de 2019, cujo conteúdo deve ser auditado, que culminou em um golpe de estado de lamentáveis ​​conseqüências para a Bolívia, quebrando democracia e Estado de direito, com graves violações dos direitos humanos, com massacres e assassinatos, com perseguições políticas e proscrições.

É por isso que denunciamos e rejeitamos com veemência esta nova manobra contra um governo eleito democraticamente. Uma intervenção direta, semelhante à que nossos povos sofreram no passado. Neste caso, o Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, sobrecarrega as instituições bolivianas e não conhece os resultados das eleições realizadas em outubro de 2020, que permitiram a nosso país irmão voltar ao caminho democrático.

Solicitamos aos Estados membros da OEA que rejeitem esse tipo de ação que prejudica a democracia latino-americana e caribenha, põe em risco a coexistência pacífica e viola a soberania dos Estados independentes.

Ao mesmo tempo, ratificamos a importância do respeito à soberania e autodeterminação dos povos, fundamental para a coexistência pacífica entre os Estados, no marco dos princípios do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

Nesse contexto, expressamos nossa mais profunda preocupação com as recentes declarações do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, que desconhece a recuperação institucional democrática e intervém em assuntos específicos dos bolivianos.

Palavra:

Ex-presidentes

Luiz Inácio Lula da Silva, Brasil

Fernando Lugo. Paraguai

Dilma Rousseff, Brasil

Rafael Correa, Equador

José Pepe Mujica, Uruguai

Evo Morales Ayma, Bolívia

Ernesto Samper, Colômbia

Leonel Fernández, República Dominicana

Manuel Zelaya, Honduras

Salvador Sánchez Cerén, El Salvador

Álvaro Colom, Guatemala

Vinicio Cerezo, Guatemala

Ex-chanceleres

Jorge Taiana, Argentina

Celso Amorim, Brasil

Jorge Lara Castro, Paraguai

Rodolfo Nin Novoa, Uruguai

Diego Para, Bolívia

Ricardo Patiño, Equador

Guillaume Long, Equador

Hugo Martínez Bonilla, El Salvador

Personalidades e autoridades latino-americanas

Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz

Oscar Laborde, Observatório da Democracia do Parlasul, Argentina

Alberto Grillon, senador (MC), Paraguai

Eduardo Valdes, Comissão de Relações Exteriores, Câmara dos Deputados, Argentina

Gleisi Hoffmann, porta-voz federal e presidente do PT, Brasil

Alejandro Moreno Cárdenas, presidente da COPPPAL

Oscar Parrilli, Senador Nacional, Argentina

Daniel Caggiani, Deputado Nacional e Vice-Presidente do Parlasul, Uruguai

Adolfo Mendoza, Presidente do Parlamento Andino, Bolívia

Carlos Filizzola, Senador Nacional, Paraguai

Mónica Valente, Secretária Executiva do Fórum de São Paulo

Juan Pablo Letelier, Comissão de Relações Exteriores do Senado do Chile

Esperanza Martínez, Senadora Nacional, Paraguai

Iván Cepeda, Senador Nacional, Colômbia

Jorge Querey Rojas, senador nacional, Paraguai

Fernando Haddad, ex-candidato à presidência pelo PT, Brasil

Citatli Hernández, Secretário-Geral MORENA, México

Paulo Rocha, Senador, Brasil

Víctor Santa María, Parlamentar do Mercosul, Argentina

Marco Enriquez Ominami, Grupo Puebla

Elvino Bohn Gass, Deputado Federal, Brasil

Dolores Gandulfo, Observatório Eleitoral da COPPPAL

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About the Author: Edson Moreira

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