Lula da Silva sugere presidência de um mandato se eleito

BRASÍLIA, Brasil — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na sexta-feira que provavelmente cumprirá apenas um mandato se reconquistar a presidência do Brasil nas eleições de outubro.

“Não vou ser um presidente da república que está pensando em sua reeleição”, disse em entrevista à Rádio Metrópole da Bahia. “Vou ser um presidente que vai pensar em governar este país por quatro anos e deixá-lo muito bem.”

Da Silva, que teria 77 anos antes de assumir o cargo se eleito, disse que terá “quatro anos nos quais quero gastar cada minuto para ver se podemos fazer mais em quatro anos do que em oito”.

Em seguida, acrescentou: “Sonho que quando chegarmos a 31 de dezembro de 2026, quando entregarmos o mandato a outra pessoa, este país estará prosperando, crescendo”.

O líder de esquerda cumpriu dois mandatos de 2003 a 2010 e lidera o atual presidente Jair Bolsonaro em todas as pesquisas de opinião antes da eleição. Alguns indicam que ele poderia conquistar uma vitória na primeira rodada, evitando a necessidade de um segundo turno entre os dois primeiros colocados.

Bolsonaro muitas vezes insiste que as pesquisas estão erradas, subestimando significativamente sua verdadeira força.

Da Silva foi eleito em 2002 e, apesar de se manifestar repetidamente contra as ofertas de reeleição, ganhou outro mandato quatro anos depois. Em 2010, ele se recusou a buscar um terceiro mandato, apesar da pressão de muitos parlamentares que queriam mudar a Constituição do Brasil para lhe dar essa chance.

Enquanto fazia campanha em 2018, Bolsonaro também deu a entender que cumpriria apenas um mandato e disse que se opunha à reeleição. Falando à Fox News em uma entrevista transmitida na noite de quinta-feira, o líder de extrema-direita disse que a esquerda “nunca deixará o poder” se Lula vencer em outubro.

“E então este país seguirá os passos da Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia”, disse Bolsonaro, listando as nações sul-americanas onde candidatos de esquerda conquistaram recentemente a presidência. “O Brasil pode se tornar mais um vagão nesse trem.”

Da Silva também falou sobre o papel dos militares do país nas eleições, que se tornou um problema desde que Bolsonaro deu a entender que pode não aceitar os resultados se perder. Líderes militares próximos ao presidente insistiram, sem oferecer provas, que há falhas no sistema de votação eletrônica do país.

O presidenciável de esquerda disse que questionar as eleições não é uma tarefa militar. “É a autoridade eleitoral que se encarrega do sistema de votação eletrônica. É a nossa sociedade que fiscaliza isso”, disse Lula, que evitou em grande parte expressar opiniões que possam desagradar os líderes militares durante a campanha.

Da Silva comparou as declarações de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral brasileiro com o também infundado questionamento do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após as eleições de 2020. “Ele quer criar confusão. Ele quer fazer a mesma coisa que Trump fez. Em outras palavras, uma mentira contada mil vezes pode parecer verdade”, disse Silva.

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