Mercado se despede de agosto com apoio do Fed

Agosto termina hoje, mas grande parte do ajuste de fim de mês ocorreu na sexta-feira passada, com os investidores se afastando do risco fiscal no Brasil e contando com a nova estratégia de política monetária do Federal Reserve. A manutenção do juro zero nos Estados Unidos por um longo período, mesmo com mais inflação, promoveu uma corrida por ativos de risco no mundo, capaz de fazer o dólar cair para cerca de R $ 5,40 e sustentar 100 mil pontos.

E esse movimento pode continuar na segunda-feira, em meio ao embelezamento da carteira após um agosto bastante volátil. Essa volatilidade também tende a persistir ao longo de setembro, que começa amanhã com os dados da atividade econômica e do mercado de trabalho no mundo nos primeiros dias do mês, iluminando o ritmo de recuperação em um momento em que que a pandemia de coronavírus completa seis meses.

No fim de semana, o mundo ultrapassou a triste marca de 25 milhões de infectados com covid-19 e quase 850.000 mortes. Juntos, EUA e Brasil são responsáveis ​​por quatro em cada dez infecções da doença, respondendo por quase 10 milhões de casos e respondendo por 35% do total de vítimas desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o nova pandemia de coronavírus, em 11 de março.

Portanto, a doença no mundo nem mesmo foi superada, desafiando a retomada da atividade, do emprego e do consumo global, apesar da densa liquidez injetada pelos bancos centrais. Após a rápida e forte recuperação desde maio, vindo de uma queda recorde entre março e abril, a economia real nem mesmo atingiu níveis pré-pandêmicos, portanto, em fevereiro, e já deu sinais de perda de fôlego após a mudança de semestre.

Powell bate palmas, China, não

Essa percepção reforça a tese de que a melhora da economia global ocorrerá de forma errática e heterogênea entre diferentes setores e países. Isso fica ainda mais evidente à luz dos dados da China sobre a atividade dos setores industrial e de serviços em agosto. O Índice de Gestores de Compras (PMI) do setor oscilou em baixa, de 51,1 em julho para 51,0 em agosto, contrariando o aumento previsto para 51,2.

O PMI do setor de serviços subiu para 55,2, de 54,2, no mesmo período. É o sexto mês consecutivo que o PMI dos dois setores fica acima da linha divisória 50, indicando expansão da atividade. Mesmo assim, a Bolsa de Xangai não conseguiu sustentar os ganhos apresentados no pregão e fechou em queda (-0,2%). Hong Kong também caiu (-0,7%), enquanto Tóquio se recuperou das perdas da última sexta-feira e subiu 1,1%.

No final do dia, são divulgados os dados da Caixin sobre a indústria chinesa. Os investidores no Ocidente continuam entusiasmados com as palavras suaves (“dovish”) do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que se concentrou mais no combate ao desemprego do que no controle da inflação. Sinais de progresso no desenvolvimento de uma vacina covid-19 também estão impulsionando os negócios.

O presidente Donald Trump disse que uma vacina estaria disponível antes da eleição presidencial de 3 de novembro, mas o republicano é conhecido por estar em campanha. Mesmo assim, o índice futuro da Bolsa de Valores de Nova York subiu, embalando a abertura da bolsa europeia, que perdeu a principal referência na região, por conta de um feriado no Reino Unido. O petróleo também avança à medida que cai.

O dólar mede força em relação a seus rivais e muitos resgatam o debate sobre o reinado do dólar como moeda de reserva global, que parece cada vez mais ameaçado. Afinal, a mudança na postura do Fed, que passou a aceitar um “viés inflacionário” nos Estados Unidos, ocorre em um momento em que muitos países começam a avaliar a emissão de moeda digital e a excluir o dólar do comércio bilateral. , sendo o caso da China-Rússia o mais emblemático.

Mas essa discussão sobre a perda do status do dólar não é nova e, por mais que esteja em risco, é preciso levar em conta a iminente crise da dívida soberana, após os pacotes fiscais lançados por governos de todo o mundo, como medida para combater os impactos econômicos da pandemia. De fato, hoje termina o prazo para entrega da proposta do Orçamento 2021 ao Congresso Nacional.

A semana tem PIB e folha de pagamento

Veja, então, como a equipe econômica fará para manter a responsabilidade fiscal, respeitando a regra que impõe um “teto” ao aumento de gastos no próximo ano, atendendo às demandas eleitorais e à agenda de desenvolvimento do presidente Jair Bolsonaro e da ala. do Palácio do Planalto. Este é um marco importante na frente política, deslocando o foco para a agenda de indicadores econômicos.

O destaque fica por conta dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil do segundo trimestre deste ano. A expectativa é que sejam divulgados os piores números do PIB nacional de todos os tempos, com leituras históricas de dois dígitos negativos nas duas bases de comparação. O resultado oficial será conhecido amanhã, mostrando com mais precisão como o surto de covid-19 afetou a economia brasileira.

No exterior, o foco está no relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano. A previsão para a chamada folha de pagamento é de forte desaceleração na geração de vagas, para cerca de mil, após a abertura de quase 1,8 milhão de vagas em julho. Ainda assim, a taxa de desemprego deve permanecer abaixo de 10%. O relatório da ADP sobre o emprego no setor privado na quarta-feira tende a calibrar essa expectativa.

Entre uma publicação e outra, os dados sobre a atividade do setor industrial e de serviços nos EUA e na zona euro também merecem atenção amanhã e quinta-feira, respetivamente. No Brasil, os dados da produção industrial serão divulgados nesta quinta-feira. Nos próximos dias, também serão divulgados dados sobre inflação e desemprego na região da moeda única, além do Livro Bege do Fed.

Dê uma olhada nos destaques desta semana, dia a dia:

* Brasília Times

Segunda-feira: A semana começa com apenas uma das publicações tradicionais do dia no Brasil, o Relatório de Mercado Focus do Banco Central (8h25), já que os dados da balança comercial serão conhecidos somente amanhã. No plano político, a proposta de Orçamento para 2021 deve chegar hoje ao Congresso Nacional. No exterior, o calendário econômico está vazio.

Terça-feira: os números do PIB brasileiro são o destaque do dia, que inclui também os dados da balança comercial de agosto. Na Europa e nos EUA, são divulgadas as leituras finais de agosto para os índices de atividade industrial. Também serão divulgados dados sobre o desemprego e a inflação ao consumidor na zona do euro, assim como dados do setor imobiliário dos EUA.

Quarta-feira: Os dados da ADP sobre a criação de empregos no setor privado da América do Norte são o destaque do dia, que também inclui o Livro Bege do Federal Reserve. No Brasil e na zona do euro, é publicado o índice de preços ao produtor. Também serão divulgados dados semanais de fluxo de divisas e estoques de petróleo dos Estados Unidos, bem como pedidos de fábricas dos Estados Unidos. setor de serviços.

Quinta-feira: O desempenho da indústria doméstica em julho é o destaque local, enquanto as leituras revisadas de agosto no exterior sobre a atividade do setor de serviços na zona do euro e nos EUA são divulgadas. vendas no varejo na região da moeda única, pedidos de seguro-desemprego semanais feitos nos Estados Unidos e o custo da mão de obra no país.

Sexta-feira: A semana chega ao fim, com destaque apenas para o relatório oficial do mercado de trabalho americano (folha de pagamento) de agosto, com dados sobre a criação de empregos e a taxa de desemprego no país.

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