Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, renuncia em meio a investigação sobre extração ilegal

SÃO PAULO – O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, renunciou na quarta-feira, semanas depois que a polícia federal o atacou como parte de uma investigação sobre a suposta extração ilegal de madeira na floresta amazônica.

Salles, amplamente criticado por ativistas ambientais pelo aumento do desmatamento sob sua supervisão, será substituído por Joaquim Álvaro Pereira Leite. Ex-funcionário do Ministério do Meio Ambiente encarregado de monitorar a Amazônia, Leite tem laços anteriores com o poderoso lobby agrícola do Brasil.

O ministro cessante liderou os esforços recentes do Brasil para tentar persuadir os Estados Unidos a pagar ao país sul-americano US $ 1 bilhão para financiar o desenvolvimento sustentável da região em troca de uma redução drástica no desmatamento.

Esses planos foram arruinados no mês passado, quando a polícia federal invadiu propriedades ligadas a Salles como parte de uma ampla investigação sobre a suposta extração ilegal de árvores para exportação. A Suprema Corte no início deste mês deu sua aprovação às autoridades para abrir uma investigação criminal contra o então ministro. Salles disse publicamente que as acusações contra ele são infundadas.

“Nem um pouco cedo!” Marina Silva, ex-candidata à presidência e ativista ambientalista, disse sobre a renúncia de Salles. “A saída de Ricardo Salles é uma vitória da sociedade”, disse ele em sua conta no Twitter. Ela também pediu que Salles enfrentasse punição pelo que ela considera sua má gestão da Amazônia sob o presidente Jair Bolsonaro.

Cerca de 224 milhas quadradas de árvores na maior floresta tropical do mundo foram perdidas em abril, o nível mais alto naquele mês desde que o Inpe, agência de pesquisas espaciais do Brasil, criou a plataforma Terra Brasilis em 2015 para rastrear os dados.

No entanto, ativistas ambientais expressaram preocupação de que a nomeação de Leite faria pouco para mudar a direção do governo Bolsonaro, um aliado ferrenho dos interesses agrícolas. Fazendeiros e produtores de soja que operam ilegalmente são culpados por grande parte do desmatamento na Amazônia.

Antes de ingressar no ministério como secretário do Serviço da Amazônia e Meio Ambiente, Leite era conhecido como um dos mais antigos assessores da Sociedade Rural Brasileira, um grupo secular que defende os agricultores.

Desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, seu governo tem sido criticado por governos e ativistas europeus por seu apoio vocal ao desenvolvimento na Amazônia e às políticas que cortam o financiamento para a proteção ambiental.

Como rosto do governo para o meio ambiente, Salles foi o pára-raios dessas críticas. Salles disse a repórteres na quarta-feira que entregou sua renúncia a Bolsonaro para que o país pudesse conduzir as negociações ambientais no cenário internacional da “maneira mais serena possível”.

Cerca de 160 policiais foram enviados a Brasília, São Paulo e ao estado amazônico do Pará no mês passado para cumprir 35 mandados de busca e apreensão. O Supremo Tribunal Federal autorizou a operação após receber informações sobre um “plano sério para facilitar o contrabando de produtos florestais”.

O órgão ambiental do Pará informou que encontrou sete embarques de madeira, cinco para os Estados Unidos, um para a Dinamarca e um para a Bélgica, sem a devida autorização do estado.

Na terça-feira, Bolsonaro reiterou seu apoio a Salles, um de seus aliados ideológicos mais próximos. O presidente parabenizou-o pela perseverança, falando durante cerimônia para anunciar o apoio financeiro aos agricultores.

“Seu trabalho não é fácil”, disse Bolsonaro. “O casamento entre a agricultura e o meio ambiente foi quase perfeito”.

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